Novos ares para a saúde brasileira: é tempo de inovar e ozonizar!

Por Maria Emilia Gadelha Serra*

Nas últimas décadas, o cuidado com a saúde vem amadurecendo e caminha numa nova direção, a de cuidados mais sistêmicos e integrados, de acordo com a emergente “Medicina de Redes” e os conceitos da “Biologia dos Sistemas”, propagados pelo Professor Albert-László Barabási (Northestern University, USA –  https://www.barabasilab.com) e pelo Dr. Leroy Hood (Institute for Systems Biology, USA – https://www.systemsbiology.org), respectivamente. O modelo de Medicina estritamente baseado em sintomas e medicamentos “anti-sintomas” vem dando sinais de esgotamento, diante de tantos desafios oferecidos pela poluição ambiental, deficiências nutricionais relacionadas à baixa qualidade do solo e pelo envelhecimento da população, dentre outros fatores.  A verdade é que está cada vez mais difícil ser verdadeiramente saudável. E saúde é muito mais do que ausência de doenças. É preciso buscar opções terapêuticas para restabelecer a capacidade do organismo humano de se adaptar a tantas agressões, de forma mais natural.

Embora difundida na Alemanha desde o final do século XIX e introduzida no Brasil em 1975, a Ozonioterapia era ainda desconhecida por grande parte da população brasileira. A partir de março de 2018, isso começou a mudar: a Ozonioterapia foi incorporada nas Práticas Integrativas e Complementares (PICS) do Ministério da Saúde, por meio da Portaria GM/MS no. 702 de 21 de março de 2018. Agora já são 29 PICS e a nova portaria prevê que a Ozonioterapia seja progressivamente disponibilizada nos diversos níveis da atenção à saúde no Brasil, iniciando-se pela Atenção Básica, assim como previsto para as demais práticas de acordo com os termos da Política Nacional de Prática Integrativas e Complementares aprovada pela Portaria GM/MS de 3 de maio de 2006, seguindo-se a diretriz da Organização Mundial de Saúde sobre o tema, a qual sofreu atualização em seu relatório intitulado WHO Traditional Medicine Strategy 2014-2023. Esse fato representa um grande avanço e talvez se torne um divisor de águas para melhorar os indicadores de resolubilidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A inclusão da Ozonioterapia como prática complementar no SUS revela a abertura do Ministério da Saúde para um novo olhar de cuidados em saúde.  Desde 2015, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) regulamentou a prática como procedimento odontológico útil em todas as áreas da Odontologia moderna no Brasil, por meio da Resolução CFO no. 166/2015. A Ozonioterapia é também objeto de um projeto de lei, aprovado por unanimidade no Senado Federal em outubro de 2018. O atual PL 9001/2017 se encontra na Câmara dos Deputados, aguardando análise, que oficializará a técnica como procedimento médico e odontológico no Brasil. Diante da iniciativa legislativa, o Conselho Federal de Medicina (CFM), de forma surpreendente, se posicionou contrariamente ao reconhecimento da técnica como procedimento médico, alegando se tratar de um “procedimento experimental”. Médicos em todo Brasil recorreram à Justiça, defendendo seu direito ao livre exercício profissional e principalmente o direito dos pacientes de serem tratados com um recurso terapêutico eficiente, seguro e de baixo custo. O tratamento com Ozônio Medicinal, em associação aos tratamentos convencionais e utilizado de forma complementar, está disponível em cerca de 50 países em todos os continentes. Rússia, China, Japão, Itália, Portugal, Espanha, Turquia, Grécia, Egito, Cuba, Honduras e vários países do Leste Europeu inclusive disponibilizam a terapia nos seus sistemas públicos de saúde. Os seguros de saúde alemães reembolsam procedimentos variados de Ozonioterapia desde a década de 1980. Seriam os organismos dos brasileiros diferentes dos de outros seres humanos ?

E, afinal, o que é Ozonioterapia? Também conhecida como “Terapia pelo Ozônio Medicinal”, a Ozonioterapia utiliza uma mistura de gases bem comuns: o oxigênio (O2) – fundamental para a vida – e o ozônio (O3, uma combinação de 1 molécula e 1 átomo de oxigênio) – o mesmo da famosa camada de ozônio, com a diferença que este ozônio é gerado a partir de oxigênio totalmente puro, específico para uso medicinal. A mistura gasosa resultante, que contém no máximo 5% de ozônio, apresenta propriedades terapêuticas sui generis. É capaz de destruir bactérias, fungos e vírus. Tem também a capacidade de melhorar a oxigenação dos tecidos, além de “modular” (regular) o estado do sistema imunológico para mais ou para menos, a depender da necessidade do indivíduo doente – ações muito úteis no controle de infecções, inclusive das associadas às superbactérias, em conjunção ao tratamento convencional com antibióticos. Outra habilidade do Ozônio Medicinal é estimular as enzimas antioxidantes de todas as células, sem exceção – esse aumento enzimático possibilita que as células se adaptem e resistam de forma mais estruturada aos ataques dos famosos radicais livres gerados pela própria respiração. Doenças inflamatórias, alérgicas e auto-imunes também se beneficiam com a Ozonioterapia, tais como artroses de articulações, dores lombares, hérnia de disco, artrite reumatóide, em decorrência do efeito modulador da inflamação e do sistema imunológico promovido pelo Ozônio Medicinal.  É utilizada ainda para melhoria de várias alterações metabólicas e da microcirculação, pois promove fluidez do sangue e induz a síntese de um outro gás, o óxido nítrico, que é responsável por gerar dilatação dos vasos sanguíneos de menor calibre. A Ozonioterapia também auxilia no controle das taxas de glicose no sangue, acelera a cicatrização de feridas, diminuindo a incidência de infecções oportunistas, tornando-se um tratamento complementar de escolha em diabéticos, visando a prevenção das complicações habituais da doença.

A Ozonioterapia também já foi avaliada do ponto de vista da segurança: na década de 1980, um estudo alemão tabulou os dados de quase 5,6 milhões de tratamentos de Ozonioterapia e encontrou a incrível cifra de 40 casos com efeitos colaterais menores e somente seis óbitos! Melhor dizendo: 0,0007% de risco de complicações e 0,0001% de risco de morte. Não se conhece nenhuma terapia médica tão segura.

Além do quesito segurança, face às questões econômicas do SUS, podemos reiterar a economia e os ganhos que a Ozonioterapia pode gerar. Uma análise econômico-financeira do uso da Ozonioterapia como parte do tratamento de diversas patologias, elaborada pela Profa. Dra. Celina Ramalho, Doutora em Economia da Saúde e Professora da Fundação Getúlio Vargas – SP, revelou dados impactantes: 1) em caso de dores lombares crônicas e hérnias de disco, a Ozonioterapia pode reduzir a indicação de cirurgias de coluna e indicação de próteses ortopédicas em até 90%, segundo estudos realizados na Itália, Estados Unidos, Canadá e Espanha; 2) em feridas de diabéticos (em especial no chamado “pé diabético”), a Ozonioterapia pode atuar e evitar tais mutilações entre 45% a 95% dos casos, a depender do tempo do início do tratamento e do estágio da ferida  – segundo dados oriundos de estudos realizados na Coreia do Sul, Israel, Alemanha e Cuba; 3) a conclusão principal: as estatísticas clínicas comprovam a eficácia do uso da Ozonioterapia nas suas diversas aplicações e indicam a diminuição dos custos em saúde entre 20% a 80%. Enquanto recurso econômico, entende-se que a Ozonioterapia é definida como tal na forma de uma prática complementar, e não substitutiva dos métodos convencionais da prática médica, justificando seu apontamento na determinação das PICS pelo Ministério da Saúde. Especialmente face à situação da saúde pública no Brasil e dos recursos restritos para se atender à demanda crescente – 77% da população depende do SUS, o que significa 164 milhões de brasileiros – não considerar a Ozonioterapia como parte importante no atendimento de saúde pública se configura um absurdo inaceitável.

Em resumo: a Ozonioterapia pode auxiliar a recuperar e/ou manter saúde, uma vez que otimiza o tratamento de infecções, previne amputações de membros, regula a atividade do sistema imunológico e apresenta efeitos analgésicos e antiinflamatórios potentes, dentre várias outras características benéficas e úteis. Estar vivo e principalmente saudável é sempre um desafio, especialmente em um mundo poluído como o atual – a Ozonioterapia, exatamente devido aos seus mecanismos de ação em rede, vai ao encontro deste modelo mais atual de Medicina e vem se consolidando como uma grande aliada para enfrentar tal desafio. A Ozonioterapia interessa à população brasileira. Simples assim.

* Médica, mestre em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, fundadora do Alpha Group Medicina Integrativa e fundadora, ex-presidente e membro do conselho da Associação Brasileira de Ozonioterapia (ABOZ) e diretora do Movimento Ozonizados do Brasil (www.ozonizados.com.br). 

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