Lâmpadas “eficientes” iluminam outra fraude ambiental

Desde o início da ascensão global do movimento ambientalista, as ruidosas campanhas desfechadas pelos “verdes” têm provocado desnecessariamente o banimento dos usos de vários produtos, o que, no entanto, tem se prestado a grandes negócios que pouco ou nada têm a ver com preocupações ambientais. Como regra geral, os produtos banidos têm sido substituídos por outros bem mais caros, com óbvias vantagens para as indústrias detentoras das patentes dos substitutos. Neste afã de alegadas boas intenções ambientais, alguns dos produtos substitutos acabam demonstrando problemas pelo menos tão ou mais sérios que os que justificaram o banimento dos anteriores. Foi o caso, por exemplo, do DDT, substituído por inseticidas bem mais caros e tóxicos, e dos clorofluorcarbonos (CFCs) que, supostamente, agrediriam a camada de ozônio da estratosfera, cuja substituição obrigou à mudança de todos os sistemas de refrigeração que os utilizavam, a um custo de centenas de bilhões de dólares. Agora, algo semelhante pode ocorrer com as lâmpadas fluorescentes compactas (CFL, na sigla em inglês consagrada), com as quais se pretendem substituir as incandescentes, por sua maior eficiência energética, qualidade considerada fundamental nesses tempos de redução dos usos dos combustíveis fósseis.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Stony Brooks (EUA) traz sérios indícios de que as CFL representam um considerável risco à pele humana. Publicado na revista científica Photochemistry and Photobiology, em 20 de julho, o estudo avaliou os impactos potenciais que os tecidos sadios da pele humana (in vitro) podem sofrer quando expostos continuamente aos raios ultravioletas emitidos pelas lâmpadas fluorescentes (Stony Brook News, 18/07/2012).

No estudo, realizado com financiamento da National Science Foundation e a colaboração da New York Stem Cell Science (Nystem), entidade estadual que apoia pesquisas biológicas, os pesquisadores realizaram medições da quantidade de radiação ultravioleta (UV) emitida e a integridade do revestimento de fósforo de cada lâmpada. Os resultados revelaram níveis significativos de emissão de radiações UV-C e UV-A, que aparentemente foram liberados a partir das fissuras no revestimento de fósforo das lâmpadas analisadas.

A equipe de pesquisadores utilizou as mesmas lâmpadas e estudou os efeitos de suas emissões ultravioleta em células de pele humana saudáveis, cultivadas in vitro, incluindo fibroblastos, um tipo de célula encontrada no tecido conjuntivo que produz o colágeno, e queratinócitos, uma célula da epiderme que produz queratina, substância estrutural chave na camada exterior da pele humana.

Os testes foram, então, repetidos com as tradicionais lâmpadas incandescentes, que estão na mira do banimento, com a mesma intensidade de luminosidade e revestidas com nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2), substância presente nos protetores solares.

Segundo a pesquisadora Miriam Rafailovich, professora de Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade Stony Brook, “o nosso estudo revelou que a resposta das células de pele humana saudáveis à UV emitida por lâmpadas CFL é consistente com o dano causado por radiação ultravioleta. Os danos nas células da pele foram ainda mais reforçados quando baixas doses de nanopartículas de TiO2 foram introduzidas nas células antes da exposição”.

Entretanto, a luz das lâmpadas incandescentes de igual intensidade não causou efeitos nas células de pele humana saudáveis, com ou sem a presença de TiO2. “Apesar de sua grande economia de energia, os consumidores devem ser cuidadosos ao usarem as lâmpadas fluorescentes compactas”, informou Rafailovich. “O nosso estudo mostra que é melhor evitar usá-las a distâncias muito curtas, e que são mais seguras quando colocados atrás de uma tampa de vidro adicional.”

No Brasil, a campanha contra as incandescentes prossegue inabalável. Desde o dia 30 de junho, estão proibidas no País a fabricação e a importação de lâmpadas incandescentes de 150 W a 200 W de potência. Segundo reportagem do Portal Brasil (2/07/2012), a medida se dá no âmbito do Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), aprovado em 2010, e que prevê a substituição compulsória de incandescentes por CFL, com base no argumento de que estas reduziriam o consumo de energia em até 75%. A Portaria Interministerial n° 1007, de 31 de dezembro de 2010, determina ainda que uma mudança do padrão tecnológico das lâmpadas disponíveis no mercado brasileiro seja promovida gradativamente, até a total abolição das incandescentes, prevista para 2017.

One comment

  1. Muito importante o resultado da pesquisa.
    Acho que o nosso governo deveria orientar melhor o nosso povo informando a melhor maneira de utilizar as lâmpadas fluorescentes como por exemplo utilizar dentro de um globo de vidro para melhor proteção contra os raios ultravioletas.

x

Check Also

A ameaça de desmonte da pesquisa brasileira

Em poucas áreas da esfera pública, como no fomento às pesquisas científicas e tecnológicas, a ...