Indígenas de MT cobram pedágio para exigir modernidade

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Fotografia: Lisa Fernandes

Indígenas nhambiquaras suspenderam, no final de maio, a cobrança de pedágio na rodovia BR-174, na altura de Comodoro (MT), cobrando de 10 a 50 reais para que os motoristas pudessem seguir viagem. Embora tal prática seja gravemente inconstitucional e criminosa, ela tem sido tolerada pelos poderes públicos, que têm uma tradição de condescendência com relação a crimes e transgressões praticados por índios.

Segundo reportagem do G1(24/05/2015), durante dez dias, os índios cobraram até R$ 50 para permitir a passagem carros de passeio e ônibus pela rodovia. Além disso, puseram obstáculos como cones e tocos para dificultar a passagem de veículos e atiraram flechas naqueles que tentaram furar o bloqueio. Mesmo com tal atitude agressiva, com uso de armas letais (flechas e bordunas podem ser tão letais como armas de fogo), a Polícia Rodoviária matogrossense limitou-se a afirmar que a manifestação ocorrera de forma “pacífica”, e que uma equipe de policiais acompanhou a situação.

A decisão de pôr fim à cobrança de pedágios foi tomada após uma reunião com um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), no dia 29 de maio. Segundo o cacique Jair Nhambiquara, no encontro, os índios fizeram uma interessante lista de exigências: a autorização para trabalhar com agricultura mecanizada em suas terras; manutenção de uma estrada que dá acesso à área indígena; fornecimento de energia elétrica a todas às suas aldeias; e a construção de uma pequena central hidrelétrica (PCH) planejada para região, para que a comunidade indígena receba as ditas “compensações” dos seus empreendedores (Rádio Agência Nacional, 29/05/2015).

Os índios também exigiram uma reunião imediata com o presidente da Funai, Flavio Chiarelli. Em nota, a agência afirmou que parte das aldeias da região já possui energia elétrica e que o fornecimento às restantes depende de cronograma. Em relação ao licenciamento para a construção da PCH Juína 117, o órgão justificou que aguarda a documentação necessária para avaliar o projeto.

Vale observar que as exigências dos índios são bastante razoáveis e reforçam o que este Alerta tem insistido há tempos, quanto à necessidade de que as comunidades indígenas sejam gradativamente integradas à sociedade brasileira em seu conjunto. Para tanto, em vez de serem tuteladas pela Funai e as ONGs do aparato indigenista, necessitam ter condições para a sua virtual emancipação. Por que, por exemplo, necessitam de autorização para cultivar suas terras com técnicas e equipamentos modernos? Da mesma forma, é interessante constatar que os nhambiquaras querem uma usina hidrelétrica em suas terras, em vez de lutar contra a construção delas, como tem sido a prática habitual na maioria dos projetos do gênero implementados nas proximidades de terras indígenas.

É lamentável que os nhambiquaras tenham tido que recorrer a uma prática ilegal como a cobrança de pedágios, para serem ouvidos em suas pretensões de usufruir de comodidades da vida civilizada.

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