Gerador de fusão a frio passa em novo teste

O físico e inventor italiano Andrea Rossi conduziu uma demonstração pública do seu gerador de “fusão a frio”, chamada E-Cat, que teve lugar na Universidade de Bolonha. Na ocasião, o cientista demonstrou que a injeção de uma pequena quantidade de energia gera uma inexplicável reação nuclear entre átomos de hidrogênio e níquel, que produz uma quantidade de energia cerca de dez vezes maior do que a que foi inserida no processo. A apresentação acirrou o intenso debate entre cientistas e jornalistas, sobre se a invenção de Rossi é uma revolução científica e tecnológica, ou se se trata de uma farsa.

A demonstração do E-Cat ocorreu no último dia 28 de outubro, diante de dezenas de convidados, dentre os quais os representantes de uma empresa estadunidense que preferiu se manter anônima. No teste, o gerador, com vários módulos emparelhados, produziu uma reação térmica que foi usada para evaporar água. Segundo Rossi, cada módulo recebeu uma carga inicial de 400 watts de energia e o conjunto gerou, de modo ininterrupto e auto-sustentado, 10 quilowatts durante as 3-4 horas seguintes (Physorg.com, 8/11/2011).

Impressionados com os resultados, o representante da empresa estadunidense confirmou a aquisição da licença para a produção comercial do E-Cat. Além disto, Rossi divulgou em seu blog que outros compradores anônimos adquiriram mais dois exemplares do E-Cat.

O sigilo que envolve o assunto pode ser explicado pela grande controvérsia que cerca o tema “fusão a frio”, desde a apresentação pioneira dos cientistas Martin Fleischmann e Stanley Pons, em 1989. Porém, o fenômeno caiu em rápido descrédito, devido à dificuldade de repetição das experiências, o conhecimento insuficiente do processo e a oposição da maioria dos físicos, que afirma que o fenômeno é impossível e de entidades como o Departamento de Energia e o Escritório de Patentes dos EUA (que recusa quaisquer patentes envolvendo o fenômeno). Mas, ainda assim, o fenômeno continuou sendo pesquisado por numerosos pesquisadores de vários países, muitas vezes de forma quase clandestina, os quais têm obtido importantes resultados na repetibilidade das experiências, embora o fenômeno ainda não esteja satisfatoriamente explicado. Até mesmo a expressão “fusão a frio”, mais popular, foi substituída por reação nuclear de baixa energia (LENR) ou fusão nuclear quimicamente assistida (CANR).

Por sua vez, Rossi alega que não divulga os detalhes sobre a funcionamento do E-Cat, em razão de o mecanismo não ser protegido por patente. Porém, outros pesquisadores têm teorias próprias sobre o funcionamento da invenção do cientista italiano, como de Peter Hagelstein, professor de Engenharia Elétrica e Engenharia de Computação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e ele próprio um dos mais importantes defensores das pesquisas sobre a fusão a frio. Para Hagelstein, o processo que tem lugar no E-Cat pode envolver energia vibracional no arranjo de distribuição dos átomos do metal empregado (como o níquel), produzindo transições nucleares que resultam na fusão. Além disto, diz, há grandes similaridades entre os resultados do E-Cat e os observados em diversos experimentos recentes, conduzidos por outros cientistas em diversos países.

Para Hagelstein, “ainda não há informações confiáveis disponíveis a respeito do E-Cat para que uma opinião racional possa ser feita, no meu ponto de vista… mas sou da opinião de que as afirmações de Rossi devem ser seriamente consideradas, até o momento em que possamos reunir informações suficientes para confirmar ou refutar (MSNBC, 11/3/2011)”.

Hagelstein critica o ceticismo da comunidade científica mundial em relação à fusão a frio, e a desafia a olhar de perto experimentos como o E-Cat: “Estão os físicos em geral, e o Departamento de Energia, em particular, tão seguros de que a energia extra em tais experimentos é impossível, que o calor extra demonstrado em um enorme número de resultados experimentais deve continuar a ser ignorado?”

De fato, se os resultados das experiências de Rossi forem confirmados e seu aparelho entrar em produção comercial, o mundo poderá estar diante de uma importante inovação tecnológica na área energética, cujos desdobramentos apenas podem ser vislumbrados. Vale a pena aguardar.

3 comments

  1. Algo tão grande assim conseguiria uma patente em menos de uma semana,
    acho que isso é uma enganação.

  2. Os magnatas do petróleo são capazes de pagar grupos de cientista renomados mercenários mundo a fora para ridicularizar proprositalmete qualquer experimento científico que comprove que existem forma obter energia barata, e eu não diria nem limpa porque eles não estão nem um pouco preocupados, sua única ambição é a fortuna que gera o petróleo.

  3. Dou total crédito ao cientista Andrea Rossi que por sinal, deve estar provocando muita inveja por parte de outros cientistas.
    Mas existe um impasse: não há patente para qualquer coisa que envolva fusão a frio, por causa disso, o cientista inventor não pode revelar o segredo do funcionamento da E-CAT.
    Os americanos devem estar desesperados por esse invento não ter acontecido no seu território.

    paulo cabral

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