Fuvest promove indigenismo – desinformando e deseducando

Uma evidência da força do indigenismo como ideologia “politicamente correta” pode ser vista na prova da primeira fase do vestibular da Fuvest 2014, de acesso à Universidade de São Paulo (USP). A questão 50 apresenta um quadro baseado em dados da ONG indigenista Conselho Indigenista Missionário (CIMI), sobre “Assassinatos de indígenas no Brasil e no Mato Grosso do Sul”, entre 2003 e 2012, com as percentagens referentes aos casos ocorridos no estado em relação aos totais nacionais – que variam entre 31%, em 2003, e 70%, em 2008. Diz o texto, literalmente:

Com base na tabela e em seus conhecimentos, está correto o que se afirma em:

a) Mato Grosso do Sul é o estado que concentra o maior número de indígenas no País, segundo o Censo Demográfico 2010, o que explica o percentual elevado de sua participação no número total de indígenas assassinados.
b) A quantidade de indígenas assassinados no País diminuiu, principalmente, no Mato Grosso do Sul, em função do maior número de homologações de terras indígenas, efetivadas por pressão da bancada ruralista no Congresso Nacional.
c) No Mato Grosso do Sul, a maior parte dos conflitos que envolvem indígenas está relacionada com projetos de construção de grandes usinas hidrelétricas.
d) O grande número de indígenas assassinados no Mato Grosso do Sul explica-se pelo avanço da atividade de extração de ouro em terras indígenas.
e) No período abrangido pela tabela, a participação do Mato Grosso do Sul no total de indígenas assassinados é muito alta, em consequência, principalmente, de disputas envolvendo a posse de terras.

Para a banca avaliadora da Fuvest, a opção correta seria a letra “e”, que atribui a maioria dos assassinatos de indígenas às disputas de terras – deixando implícita a sugestão de que os autores dos homicídios seriam proprietários de terras.

Todavia, tal interpretação contradiz frontalmente o relatório publicado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp/MS) em junho deste ano, o qual afirma que nada menos que 92% dos casos de assassinatos de índios ocorridos no estado desde 2006 – 181 casos, de um total de 196 homicídios – foram atribuídos a outros indígenas (Alerta Científico e Ambiental, 27/06/2013).

Os boletins de ocorrência que registraram os assassinatos também revelam que os instrumentos utilizados na maioria dos casos foram armas brancas, como facas e instrumentos de madeira. Em 2011, índios foram os autores de todos os 27 homicídios de indígenas ocorridos no estado, sendo que, em 20 ocorrências, os responsáveis foram identificados ainda na cena do crime (os dados do CIMI reproduzidos pela Fuvest indicam 32 assassinatos naquele ano).

O relatório, assinado pelo secretário Wantuir Francisco Brasil Jacini, foi elaborado a pedido da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), e contesta um relatório divulgado anteriormente pelo CIMI, que atribuía o aumento da violência contra os índios à falta de novas demarcações de reservas indígenas.

Na ocasião, o presidente da Famasul, Eduardo Riedel, afirmou que as informações fornecidas pelo governo estadual demonstravam que o consumo de álcool é o principal fator por trás de tais crimes nas aldeias: “O maior problema das comunidades indígenas é a falta de políticas públicas específicas, que garantam sustentabilidade e preservem as culturas, fortalecendo a identidade desses povos. Remeter os homicídios ao conflito fundiário é manipular a informação e camuflar o problema social.”

Diante dos fatos, é deplorável que os organizadores de um dos vestibulares mais concorridos do País se disponham a trocar os princípios fundamentais que devem acompanhar as atividades acadêmicas por semelhante manifestação de ativismo político infundado. Por estes e outros motivos, não admira que o País não tenha conseguido emplacar mais que quatro universidades entre as 100 consideradas melhores, nos países de economias emergentes, lista na qual a própria USP ocupa a décima-primeira posição (mas quando todos os países são incluídos, a veneranda universidade paulista não se classifica sequer entre as cem primeiras).

2 comments

  1. As universidades brasileiras adoram fazer política, por isso mesmo são ambientes pouco democráticos, de difícil acesso e repleto de fisiologismo.

    Acho que essa campanha indigenista já está no nível do insuportável. Crê essa turma que os brasileiros são completamente tolos?

  2. Se dependesse de alguns brasileiros os índios já tinham sido exterminados faz tempo. O autor desse texto inclusive. Ainda em que ainda existem pessoas que pensam diferente esse país caso contrário à barbárie por lucro imperaria.
    Aliás não sobraria nem um floresta de pé já que o importante mesmo é a agricultura.

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