“Fusão a frio” na Sociedade Nuclear Americana

Aos poucos, as chamadas reações nucleares de baixa energia (LENR, na sigla em inglês) se aproximam do primeiro plano das atenções do mundo científico, superando o virtual ostracismo ao qual o fenômeno foi submetido, pouco tempo depois de ter sido apresentado pelos eletroquímicos Martin Fleischmann e Stanley Pons, há mais de duas décadas. Uma evidência disto foi a sessão dedicada ao assunto na reunião de inverno da Sociedade Nuclear Americana (ANS), em 14 de novembro último.

O fenômeno, anteriormente denominado “fusão a frio” (cold fusion, em inglês), envolve geração de calor e partículas de origem supostamente nuclear, como nêutrons e átomos de trítio, inicialmente em reações de eletrólise de soluções de deutério (água pesada), com o uso de eletrodos de paládio e platina. Posteriormente, outras configurações produziram resultados semelhantes, embora a repetibilidade das experiências ainda esteja distante dos 100% – razão pela qual muitos cientistas ainda o consideram uma mera curiosidade, ou que tais resultam de observações equivocadas.

Contudo, pela primeira vez em mais de uma década, a Sociedade Nuclear Americana (ANS) sediou um seminário sobre o andamento das pesquisas relativas à LENR, em San Diego, Califórnia, evento organizado por Steven B. Krivit, jornalista científico e especializado em assuntos relacionados à LENR, a pedido de Roger Tilbrook, ex-diretor executivo da ANS (New Energy Times, 30/11/1012).

Participaram do encontro cientistas de destaque na área, como os físicos Yasuhiro Iwamura e Domenico Cirillo, os quais observaram claras evidências nucleares em suas experiências, incluindo o registro de transmutações, abundâncias isotópicas e evidências de explosão de nêutrons. Além deles, também estiveram presentes ao encontro representantes do governo canadense, do periódico Nuclear News, das empresas Rolls Royce, Aerospace Corporation, Westinghouse e outras do setor energético e estudantes.

Dentre os assuntos tratados no evento, recebeu destaque a questão da repetibilidade das experiências, que ainda não tem sido plenamente possível, em muitos dos estudos divulgados. Na sua exposição, Krivit explicou que replicações exatas das experiências ainda não são a regra geral nas pesquisas com as reações nucleares de baixa energia, inclusive, porque, como o fenômeno ainda não é convenientemente explicado, os pesquisadores, usualmente, aplicam as suas próprias ideias aos experimentos.

Além disso, Krivit assegurou que pequenas variações nos protocolos de experimentação aumentam, mais do que comprometem, a confiabilidade das replicações realizadas, o que foi confirmado por Harry M. Collins, um especialista em replicação de experimentos científicos. Afinal, segundo Collins, o método científico prevê que um dado efeito válido deve ser obtido por diferentes formas de experimentação.

Outro assunto importante tratado no encontro foram os rumores sobre o suposto lançamento comercial de um dispositivo LENR, supostamente, a um baixo custo ao consumidor. Segundo Krivit, ainda não há qualquer previsão para o lançamento comercial de um dispositivo baseado em tal tecnologia, devido às incertezas que ainda cercam o fenôneno. O jornalista lembrou ainda que, “nenhuma tecnologia pode ser desenvolvida até que a ciência seja compreendida”.

Krivit ainda destacou que, de fato, os dispositivos LENR, provavelmente, serão pequenos e baratos. Entretanto, com frequência, tal expectativa leva as pessoas a acreditar que a sua comercialização é algo para o curto prazo, o que está longe de ser verdadeiro. Porém, enfatizou, isto não significa que tal tecnologia seja inviável: em verdade, é uma das linhas de pesquisa mais promissoras para o futuro próximo, pois pode proporcionar uma revolução em termos de geração de energia. O próprio interesse das empresas presentes ao encontro da ANS não deixa dúvidas sobre a sua relevância.

2 comments

  1. Matéria muito bem escrita e que aborda o tema de modo direto e sem preconceitos. O fenômeno LENR é uma realidade e possivelmente a porta de uma nova revolução tecnológica. O assunto deveria ser agora amplamente investigado nas universidades brasileiras para que surja uma teoria consistente que pode alavancar a física nuclear.

  2. O processo de Fusão a Frio e o nascimento de uma Nova Teoria Atômica:
    O conhecimento que temos hoje diz que essa reação nuclear não poderia ocorrer, mostrando, assim, que este processo de fusão a frio é um acontecimento determinante para mudanças na Teoria Atômica atualmente dominante.
    Fazemos aqui, em relação à neutralização da Barreira de Coulomb, as mesmas considerações colocadas anteriormente em processos de hidrólise (formação do deutério, trítio e do hélio), onde, ocorrendo captura de elétron pelo próton, em uma acoplagem desse elétron, sem ocorrer o processo de aniquilação desse elétron com um posítron exterior desse próton, como ocorre no processo de aceleração de elétrons.
    Ao se transformar em nêutrons a questão da Barreira de Coulomb é superada.
    A contaminação da amostra com cobre, levantada, é uma alternativa simplista, já que estão ocorrendo fusões e liberação de energia substancial. O mais correto é considerar a transmutação e entender como ela está ocorrendo.
    A conclusão sobre a distribuição dos isótopos medidos e o fato de que a amostra apresenta 30% de radio isótopos de cobre, com as mesmas proporções de radio isótopos que ocorrem na natureza, não é explicada por processos de decaimentos que ocorrem em fusões a quente, pois, se trata de um processo de fusão totalmente diferente dos conhecidos atualmente.
    A ação da Força de Coulomb na fusão a frio:

    Umas das principais dificuldades em aceitar a fusão a frio é a existência da Barreira de Coulomb, pois como um próton (positivo) se uniria a outro próton em um processo de baixa energia sendo que para vencer a força repulsiva destes prótons teria que haver a utilização de uma força maior que esta barreira para ocorrer o evento. Isso representa energia em alta escala (milhões de graus centígrados, por exemplo).
    Como já comentado anteriormente, no processo de fusão a frio, o determinante para o aparecimento de Ambiente Nuclear Ativo são as particularidades criadas por nano partículas, utilização do Hidrogênio e mecanismos que produzam nestas nano partículas excesso de elétrons ou por processos de hidrólise ou por aquecimento inicial, de maneira que ocorra uma espécie de “encapsulamento” dos hidrogênios por estas nano estruturas.
    Havendo a ocorrência do “encapsulamento” de dois hidrogênios o que era de se esperar era que se unissem formando uma molécula de hidrogênio e este gás fosse liberado dos metais, mas a ação dos elétrons em excesso nas nano partículas, além de conter os hidrogênios neste “encapsulamento”, ainda faz com que os elétrons se aproximem dos seus prótons e por algum processo ocorra fusão desses núcleos de hidrogênio.
    A Barreira de Coulomb entre os elétrons em excesso e os elétrons dos hidrogênios é a principal força responsável pela formação do ambiente necessário para que ocorra a fusão a frio.
    O que determina a força de contenção do elétron é o equilíbrio entre a força de atração magnética entre o elétron e o posítron a mais do próton e a força de resistência da energia escura aglutinada ao redor do núcleo, mantendo o elétron em seu loco. Ocorrendo repulsão magnética deste elétron (provocada pelos elétrons em excesso das nano partículas), haverá desequilíbrio da força de contenção e o elétron do hidrogênio irá orbitando e se aproximando do próton e quanto mais próximo, maior será a força de atração deste elétron pelo posítron a mais do próton.
    Este elétron irá se encontrar com o próton com baixa energia cinética de entrada, pois estará vencendo a barreira de resistência sem aceleração, como é característico, em aceleradores de elétrons (que além da aceleração, o evento ocorre em núcleos massivos) e por esse motivo ao se encontrar com o posítron nuclear não se aniquile, sendo absorvido e acoplado na estrutura do próton, transformado em nêutron.
    Como este processo também está ocorrendo em outros hidrogênios, tais situações podem ocorrer:

    1. Os prótons dos hidrogênios capturam elétrons, transformando em nêutrons e como estão muito próximos, fusionam-se, com concomitante transformação de um deles em próton, em um processo de baixa energia, conforme já comentado anteriormente. (formação do deutério e trítio a partir do hidrogênio);

    2. Quando em água pesada , os deutérios capturam elétrons, transformando em nêutrons que se fusionam com concomitante transformação de um deles em próton e liberação de um nêutron em um processo de baixa energia (formação do trítio a partir do deutério);

    3. Os Deutérios capturam elétrons, transformando em nêutrons que se fusionam com concomitante transformação de dois deles em próton, em processo de baixa energia (formação do hélio a partir do deutério).

    No caso do processo de transmutação do níquel em cobre, o processo é semelhante, mas, após a formação dos nêutrons, os mesmos se aproximam dos átomos de níquel ocorrendo fusão dos nêutrons com os núcleos dos níqueis, concomitante com a transformação de um dos nêutrons do níquel em próton, se transformando em cobre, também em processo de baixa energia. Esse processo tem interferência dos catalisadores utilizados, mas que não foram, ainda, revelados, por se tratar de um segredo industrial. Mas é muito provável que tais catalisadores possuam bem mais massa que o níquel e possuam a propriedade de receberem mais elétrons quando ionizados

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