Francisco e o esplendor da Doutrina Social da Igreja frente à crise global

Em uma sucessão de pronunciamentos recentes, o papa Francisco desfechou duros ataques ao que chamou o “culto do dinheiro” e instou os governantes mundiais a promover uma imediata reforma do sistema financeiro internacional. Por sua relevância e devido à escassa divulgação midiática, instamos os nossos leitores a observar com certo detalhe as intervenções papais.

A primeira delas ocorreu em 16 de maio, perante o corpo diplomático acreditado no Vaticano, por ocasião da entrega das credenciais dos novos embaixadores do Quirguistão, Antígua e Barbados, Luxemburgo e Botswana. Na oportunidade, Francisco fez uma das mais contundentes sínteses do momento atual do planeta já proferida por uma autoridade da sua estatura, nos últimos tempos.

“Prezados embaixadores, seria desejável a realização de uma reforma financeira que fosse ética e produzisse, por sua vez, uma reforma econômica salutar para todos. Isso, porém, requereria por parte dos dirigentes políticos uma corajosa mudança de atitude”, disse o Pontífice.

Embora tenham sido grandemente ignoradas pela mídia mundial, as iniciativas do papa denotam, uma vez mais, o empenho do Vaticano em apontar as causas fundamentais e a natureza civilizatória da crise global, num momento em que as atenções se concentram no seu aspecto financeiro.

“Este momento de crise, fiquemos atentos, não consiste numa crise meramente econômica, não é uma crise cultural. É uma crise do homem: quem está em crise é o homem! E quem pode ser destruído é o homem!” – enfatizou Francisco.

O encontro foi uma surpreendente jornada de otimismo e confiança em favor da justiça, transbordante do simbolismo de Pentecostes. Na presente altura da crise global, é inegável que a Doutrina Social da Igreja tem demarcado pautas renovadoras para o mundo, desde que foi lançada pelo papa Leão XIII, no final do século XIX. Diante do já previsível colapso do Império Britânico, a encíclica Rerum Novarum sacudiu o mundo sedento de justiça, que padecia a “voraz usura”. Não obstante, desde aquela época, ficou pendente a configuração de novas estruturas necessárias para preparar o mundo para enfrentar a convivência pós-colonial. Em uma similitude histórica, o papa Francisco vivifica o espírito de tais ensinamentos, enquadradas no que o mundo mais anseia: estruturas econômicas e sociais para um processo definitivo de descolonização, baseado na configuração das políticas públicas segundo os critérios do bem comum.

Tais observações ganham uma relevância particular, com a vindoura reunião do G-20, em setembro, em Moscou, onde se manifestará uma nova oportunidade para se dar partida a uma reforma financeira ordenada, como resposta ao recrudescimento da crise global, ensejado pelas medidas paliativas tomadas pelos governos após a crise de 2008.

Entre as poucas reações públicas que captaram a dimensão das intervenções papais, vale citar a do historiador estadunidense Joseph P. Farrell, em seu blog, em 22 de maio, na qual observou um importante aspecto geopolítico:

(…) Eu sugiro que há um contexto geopolítico, no qual as afirmativas de Sua Santidade devem ser vistas. Com a crescente tendência entre as nações do BRICS de agir como um contraponto geopolítico e financeiro às ambições financeiras e imperiais do Ocidente, uma coisa inevitável que acontecerá é que pode estar em curso um entendimento entre o bloco e o Vaticano. Isto ocorreria em benefício de ambos os lados: o Papado, nos tempos modernos, tem procurado consistentemente uma entrada na China e um modus vivendi de alguma forma com a Ortodoxia Oriental, onde a Igreja Ortodoxa Russa… tem a influência numérica e política majoritária. E com as tentativas do Sr. Putin de reforçar a frente doméstica, o seu papel na era pós-soviética, pelo menos como um conduto político e cultural, somente tem crescido… Um apelo por reformas, em benefício dos pobres ou subdesenvolvidos, é talhado para a agenda dos BRICS, especialmente, à luz da falta de consideração dos oligarcas ocidentais com qualquer um que não sejam eles próprios.

Governos do mundo, despertem!

Por outro lado, durante a vigília de Pentecostes, em 18 de maio, presenciada por mais de 200 mil jovens de todo o mundo, Francisco deixou de lado por um momento o texto preparado para a ocasião e reiterou, com veemência, que, na crise atual, os líderes “se preocupam pelos bancos, e não pelas famílias que morrem de fome… a política se ocupa de finanças e de bancos, não dos que têm fome”.

Ressaltando a sua forte mensagem sobre a insensibilidade da visão econômica prevalecente, ele disparou: “Não interessa se as pessoas não têm nada. Se os investimentos e os bancos caem, todos dizem que é uma tragédia. Se as famílias estão mal, não têm o que comer, não importa… Esta é a nossa crise!”

“A Igreja pobre para os pobres está contra essa mentalidade”, agregou Francisco, despertando o entusiasmo da sua jovem assistência.

No evento, o Pontífice também respondeu a perguntas feitas pelos participantes, que abordaram temas polêmicos. Um deles foi o reconhecimento dos problemas enfrentados pela própria Igreja: “A Igreja não é um movimento político, nem uma estrutura bem organizada: não é isto. Nós não somos uma ONG, e quando a Igreja se torna uma ONG, ela perde o sal, não tem sabor e, portanto, se torna uma organização vazia.”

É preciso uma reforma financeira

A seguir, reproduzimos os principais trechos do discurso do papa Francisco perante os embaixadores acreditados na Santa Sé, em 16 de maio, segundo o texto distribuído pela agência Zenit.

“Senhores embaixadores, considerados os progressos que se verificam em vários âmbitos, a humanidade está neste momento a viver uma espécie de viragem na sua história. Não podemos deixar de nos alegrar com os resultados positivos, que concorrem para o bem-estar autêntico da humanidade, por exemplo, nos campos da saúde, educação e comunicação. Mas há que reconhecer também que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo continua a viver dia a dia numa precariedade de consequências funestas. Aumentam algumas patologias, com as suas consequências psicológicas; o medo e o desespero apoderam-se do coração de numerosas pessoas, mesmo nos países considerados ricos; a alegria de viver vai diminuindo; a imoralidade e a violência estão a aumentar; torna-se mais evidente a pobreza. Tem-se de brigar para viver, cingindo-se muitas vezes a uma vida pouco dignificante. A meu ver, uma das causas desta situação reside na relação que temos com o dinheiro, aceitando o seu predomínio sobre nós e as nossas sociedades. Assim a crise financeira, que estamos a atravessar, faz-nos esquecer a sua origem primordial, que se encontra numa profunda crise antropológica, ou seja, na negação da primazia do homem. Criamos novos ídolos. A adoração do antigo bezerro de ouro (cf. Ex 32,1-8) encontrou uma nova e cruel versão na idolatria do dinheiro e na ditadura de uma economia realmente sem fisionomia nem finalidade humanas.

“A crise mundial, que envolve as finanças e a economia, parece evidenciar as suas deformações e, sobretudo, a sua grave carência de perspectiva antropológica, que reduz o homem a uma única das suas exigências: o consumo. Pior ainda, hoje o próprio ser humano é visto como um bem de consumo, que se pode usar e deitar fora. Começamos esta cultura do desperdício. Esta perversão verifica-se tanto a nível individual como social; e goza do seu favor! Em tal contexto, a solidariedade, que é o tesouro dos pobres, acaba muitas vezes por ser considerada contraproducente, contrária à racionalidade financeira e econômica. Enquanto os rendimentos de uma minoria crescem de maneira exponencial, os da maioria vão-se exaurindo. Este desequilíbrio deriva de ideologias que promovem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira, negando assim o direito de controle aos Estados, que têm precisamente a responsabilidade de prover ao bem comum. Instaura-se uma nova tirania, invisível e às vezes virtual, que impõe, unilateralmente e sem recurso possível, as suas leis e regras. Além disso, a dívida e o crédito afastam os países da sua economia real, e os cidadãos do seu poder real de compra. Depois vem juntar-se a isto uma corrupção tentacular e uma evasão fiscal egoísta, que assumiram dimensões mundiais. A avidez de poder e riqueza não conhece limites.

“Por detrás desta atitude, esconde-se a recusa da ética, a recusa de Deus. Como a solidariedade, também a ética incomoda! É considerada contraproducente, vista como demasiado humana, porque relativiza o dinheiro e o poder, e como uma ameaça, porque recusa a manipulação e sujeição da pessoa; porque a ética conduz a Deus, que escapa às categorias do mercado. Deus é considerado por estes financeiros, economistas e políticos como não regulável, Deus não regulável, ou até perigoso, porque chama o homem à sua plena realização e à independência de qualquer tipo de escravidão. A meu ver, a ética – naturalmente não ideológica – permite criar um equilíbrio e uma ordem social mais humanos. Neste sentido, encorajo os peritos financeiros e os governantes dos vossos países a terem em conta estas palavras de São João Crisóstomo: ‘Não partilhar com os pobres os próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Os bens que possuímos não são nossos, mas deles’ (Homilia sobre Lázaro, 1, 6: PG 48, 992D).

“Prezados embaixadores, seria desejável a realização de uma reforma financeira que fosse ética e produzisse, por sua vez, uma reforma econômica salutar para todos. Isso, porém, requereria por parte dos dirigentes políticos uma corajosa mudança de atitude. Exorto-os a enfrentarem este desafio com determinação e clarividência, naturalmente tendo em conta a peculiaridade dos respectivos contextos. O dinheiro deve servir, e não governar! Eu amo a todos, ricos e pobres; mas tenho o dever de recordar ao rico, em nome de Cristo, que deve ajudar o pobre, respeitá-lo, promovê-lo. Por isso, o Papa exorta à solidariedade desinteressada e a um retorno à ética que favoreça o homem na realidade financeira e econômica.

“A Igreja, por sua parte, não cessará de trabalhar pelo desenvolvimento integral de toda a pessoa. Neste sentido, recorda que o bem comum não deveria ser simplesmente um acréscimo, um esquema conceitual de reduzido valor, inserido nos programas políticos. A Igreja encoraja os governantes a permanecerem verdadeiramente ao serviço do bem comum das suas populações. Exorta os dirigentes das realidades financeiras a tomarem em consideração a ética e a solidariedade. E porque não dirigirem-se a Deus para que lhes inspire os seus desígnios. Formar-se-á então uma nova mentalidade política e econômica, que contribuirá para transformar a profunda dicotomia entre as esferas econômica e social numa sã convivência.”

“Quem está em crise é o homem!”

Durante a vigília de Pentecostes, Francisco respondeu a perguntas dos participantes, entre as quais destacamos a seguinte passagem:

P: “Deixe-me perguntar-lhe, Santo Padre, como eu e todos nós podemos viver uma Igreja pobre e para os pobres? De que maneira o homem sofredor é uma pergunta para a nossa fé? Todos nós, como movimento, associações laicas, que contribuição concreta e eficaz podemos dar à Igreja e à sociedade, para confrontar essa grave crise que afeta a ética pública – isto é um importante -, o modelo de desenvolvimento, a política, em suma, um novo modo de sermos homens e mulheres?”

R: “Recuperar a partir do testemunho. Primeiro de tudo, viver o Evangelho é a principal contribuição que podemos dar. A Igreja não é um movimento político, nem uma estrutura bem organizada: não é isto. Nós não somos uma ONG, e quando a Igreja se torna uma ONG, ela perde o sal, não tem sabor e, portanto, se torna uma organização vazia. E, nisto, sejam espertos, porque o diabo nos engana, porque existe o perigo do eficientismo. Uma coisa é predicar Jesus, outra é a eficácia, ser eficiente. Não, aquilo é outro valor. O valor da Igreja, fundamentalmente, é viver o Evangelho e dar testemunho da nossa fé. A Igreja é o sal da terra, é a luz do mundo, é chamada a render presente na nossa sociedade o legado do Reino de Deus e o faz, acima de tudo, com o seu testemunho, o testemunho do amor fraterno, da solidariedade, do compartilhamento. Quando se ouvem alguns dizendo que a solidariedade não é um valor, mas uma ‘atitude primária’ que deve desaparecer… não é por aí! Se está pensando numa eficácia meramente mundana. Os momentos de crise, como este que estamos vivendo – e você disse que ‘estamos num mundo de mentiras’ -, este momento de crise, fiquemos atentos, não consiste numa crise meramente econômica, não é uma crise cultural. É uma crise do homem: quem está em crise é o homem! E quem pode ser destruído é o homem! Mas o homem é imagem de Deus! Por isto é uma crise profunda! Neste momento de crise, não podemos preocupar-nos somente com nós mesmos, fechar-nos na solidão, no desânimo, no sentido de importência diante dos problemas. Não se fechem por favor! Isto é um perigo: se nos fechamos na paróquia, com os amigos, no movimento, com aqueles com quem pensamos as mesmas coisas… sabem o que acontece? Quando a Igreja se fecha, ela adoece. Pensem numa sala fechada por um ano; quando entramos nela, sentimos o cheiro de umidade, de tantas coisas que não estão como deveriam estar. Uma Igreja fechada é a mesma coisa: é uma Igreja doente. A Igreja deve sair de si mesma. Onde? Para a periferia existencial, qualquer que seja ela, mas sair. Jesus disse: ‘Andem por todo o mundo! Andem! Preguem! Deem testemunho do Evangelho!’ (Mc 16,15).

“Mas o que acontece se saímos de nós mesmos? Pode acontecer o que acontece com todos os que saem de casa e vão para a rua, um acidente. Mas eu lhes digo: prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, envolvida num acidente, a uma Igreja enferma pelo fechamento! Saiam para fora, saiam! Pensem naquilo que diz o Apocalipse. Ele diz uma coisa muito bonita: que Jesus está à porta e está chamando, chamando para entrar nos nossos corações (Ap 3,20). Este é o sentido do Apocalipse. Mas façam a si próprios esta pergunta: quantas vezes Jesus está dentro e bate à porta para sair para fora, e nós não nos deixamos sair, para a nossa segurança, porque tantas vezes estamos fechados em estruturas caducas, que servem apenas para nos manter como escravos, em vez de como livres filhos de Deus? Na nossa “saída”, é importante caminhar ao encontro – esta palavra é muito importante -, ao encontro dos outros. Por que? Porque a fé é um encontro com Jesus, e nós devemos fazer a mesma coisa que faz Jesus: encontrar os outros. Nós vivemos uma cultura de choque, uma cultura de fragmentação, uma cultura em que aquilo que não me serve, jogo fora, a cultura do desperdício. Mas sobre este ponto, os convido a pensar – e é parte da crise -, os anciãos, que são a sabedoria de um povo, as crianças… a cultura do desperdício!

“Mas nós devemos ir ao encontro e devemos criar, com a nossa fé, uma ‘cultura do encontro’, uma cultura da amizade, uma cultura onde nos tornemos irmãos, onde possamos falar até com aqueles que não pensam como nós, com aqueles que têm uma outra fé, que não são da mesma fé. Todos têm alguma coisa em comum conosco: somo imagens de Deus, somos filhos de Deus. Andemos ao encontro com todos, sem negociar o nosso pertencimento. E um outro ponto é importante: com os pobres. Se saímos de nós mesmos, encontramos a pobreza. Hoje – e dizer isto faz mal ao coração -, encontrar um mendigo morto de frio não é notícia. Hoje é notícia, talvez, um escândalo. Um escândalo: ah, isto é notícia! Hoje, pensar que tantas crianças não têm o que comer não é notícia. Isto é grave, isto é grave! Não podemos descansar tranqüilos! Bem, as coisas são assim. Não podemos tornar-nos cristãos engomados, aqueles cristãos muito educados, que falam de coisas teológicas enquanto tomam chá, tranquilos. Não! Devemos tornar-nos cristãos corajosos e buscar aqueles que são a carne de Cristo! Quando eu ia confessar-me na diocese anterior, vinham alguns e sempre perguntavam: ‘Mas o senhor dá esmolas? (…) E quando dá esmolas, toca nas mãos daqueles a quem dá esmolas, ou lhe atira a moeda?’ Este é o problema: a carne de Cristo, tocar a carne de Cristo, tomar como nossas as dores dos pobres. Para nós, cristãos, a pobreza não é uma categoria sociológica, filosófica ou cultural: não, é uma categoria teologal. Eu diria, talvez, a primeira categoria, porque Deus, o Filho de Deus, se humilhou e se fez pobre para caminhar conosco na estrada. E esta é a nossa pobreza: a pobreza da carne de Cristo, a pobreza que foi levada pelo Filho de Deus com a sua Encarnação. Uma Igreja pobre para os pobres começa caminhando para a carne de Cristo. Se caminhamos para a carne de Cristo, começamos a entender as coisas, a entender o que é essa pobreza, a pobreza do Senhor. E isto não é fácil.

“Mas há um problema que não é bom para os cristãos: o espírito do mundo, o espírito mundano, a mundanidade espiritual. Isto leva a uma suficiência, a viver o espírito do mundo, e não o de Jesus. A pergunta que você fez: como se deve viver para se confrontar essa crise que atinge a ética pública, o modelo de desenvolvimento, a política. Como esta é uma crise do homem, uma crise que destrói o homem, é uma crise que afasta o homem da ética. Na vida pública, na política, se não existe ética, uma ética de referência, tudo é possível e tudo se pode fazer. E nós vemos, quando lemos os jornais, como a falta de ética na vida pública faz tanto mal à humanidade inteira.

“Deixem-me contar-lhes uma história. Já fiz isto duas vezes esta semana, mas vou fazê-lo uma terceira vez, aqui com vocês. É a história de um midrash bíblico de um rabino do século XII. Ele conta a história da construção da Torre de Babel e diz que, para se construir a Torre de Babel, era necessário fazer primeiro os tijolos. O que significa isto? Andar, misturar lama, carregar palha, fazer tudo o mais – e, depois, levar ao forno. E quando os tijolos estavam feitos, era preciso carregá-los até o local da construção da Torre de Babel. Um tijolo era um tesouro, por todo o trabalho que custava fazê-lo. Quando um tijolo caía, era uma tragédia nacional, e o trabalhador culpado era punido; um tijolo era tão precioso que, se caía, era um drama. Mas, se um trabalhador caía, não acontecia nada, era outra coisa. Isto acontece hoje: se os investimentos nos bancos caem um pouco – tragédia – o que se faz? Mas se as pessoas morrem de fome, se não têm o que comer, se não têm saúde, não se faz nada! Esta é a nossa crise de hoje! E o testemunho de uma Igreja pobre para os pobres vai contra essa mentalidade.”

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