O censo de 2010 registrou a existência de quase 818 mil brasileiros classificados como indígenas. Destes, 315 mil habitam áreas urbanas; para os demais 503 mil, foram demarcadas reservas com uma extensão de cerca de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, equivalente a 13% do território nacional. Esta área é maior que toda a Região Sudeste, a mais populosa do País, onde vivem mais de 75 milhões de pessoas. Mas, ao que parece, o aparato indigenista internacional, que faz da defesa irrestrita dos silvícolas um insidioso instrumento político contrário à modernização da sociedade brasileira como um todo (indígenas inclusive), não está satisfeito.
Uma evidência é o estardalhaço feito pelo Instituto Socioambiental (ISA), para o lançamento do relatório Povos Indígenas no Brasil 2006/2010, décimo-primeiro volume de uma série iniciada em 1980. O documento foi lançado oficialmente em São Paulo (SP), em 21 de novembro, com direito a uma ampla cobertura no jornal O Estado de S. Paulo (21/11/2011), evento repetido no dia seguinte, em Brasília (DF), no Rio de Janeiro (RJ), no dia 25, e em Manaus (AM), no dia 30.
O relatório foi elaborado com o apoio financeiro de tradicionais apoiadores da causa indígena no Brasil, como a embaixada da Noruega e a agência católica britânica Cafod (Catholic Agency for Development). Por sua vez, desde a sua fundação, em 1994, o ISA tem funcionado como um dos principais enlaces domésticos com o movimento ambientalista-indigenista internacional. Um de seus fundadores, o filósofo Márcio Santilli, foi presidente da Funai em 1995-1996 e integrou o programa de treinamento de «lideranças ambientais» da agência estadunidense USAID.
A reportagem do «Estadão» destaca que os problemas enfrentados pelos indígenas são agravados «pelo desenvolvimento econômico do País. Grandes projetos de hidrelétricas, de novas rodovias e no setor do agronegócio estão em andamento na Amazônia Legal, onde se concentram 98,6% das terras indígenas do País».
O jornal registra a opinião do advogado Raul Silva Telles, um dos autores do relatório, que explicita a visão excludente dos indigenistas: «O conflito entre instalação de hidrelétricas e a capacidade de sobrevivência dos povos indígenas é atual e só tende a se intensificar… Também podem ocorrer impactos sociais, sobretudo para as populações dependentes do extrativismo animal e vegetal.»
Evidentemente, não passa pela cabeça desses grandes humanistas qualquer sugestão que implique na perspectiva de retirar tais populações dos padrões de vida quase neolíticos em que se encontram, proporcionando-lhes oportunidades de desenvolver atividades econômicas mais condizentes com o século XXI.
A reportagem observa que «o palco mais vistoso da polêmica é a barragem de Belo Monte» e informa aos leitores que, na semana passada, «o ator americano Leonardo DiCaprio juntou seu nome à longa lista de personalidades que se opõem à construção daquela barragem».
Como as hidrelétricas estão na lista de alvos principais do aparato indigenista, é de todo conveniente que as autoridades e o Consórcio Norte Energia, responsável pela construção da usina, fiquem atentos à possibilidade de ações diretas contra o canteiro de obras.

Português
Msia Informa

Absurdo, antes da colonização a população indígena não ocupava todo o território nacional, a maior parte do Brasil era despovoada e deserta. E desde quando nômades têm terras?