Enclaves no Iraque – depois, na Amazônia?

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Quem está acompanhando o mais recente drama, ou melhor, tragédia, no Iraque, acossado pela invasão do grupo terrorista sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL ou ISIS, nas siglas em inglês), não pode deixar de se preocupar com a perspectiva de uma fragmentação étnico-religiosa do país e com possíveis desdobramentos de tendências similares, para o caso da Região Amazônica.

De fato, certos setores do Establishment oligárquico anglo-americano (que, não nos esqueçamos, patrocina o movimento ambientalista-indigenista internacional, como instrumento de intervenção política) já admitem o fim do Estado nacional iraquiano em sua forma atual, considerando uma futura partição do país em três áreas: uma zona curda, ao norte; xiitas, no leste e sul; e sunitas, no centro e no oeste – esta última, a área invadida pelo ISIL/ISIS.

Característico desta orientação foi a última coluna do jornalista e apresentador estrela da rede CNN, Fareed Zakaria, no Washington Post, reproduzida pelo brasileiro O Estado de S. Paulo (23/06/2014), sugestivamente intitulada “Estratégia de enclave no Iraque”, na qual afirma sem meias palavras que os EUA deveriam reconhecer uma nova realidade no Oriente Médio – o mundo dos enclaves.

Zakaria, que também é vinculado ao ultra-seleto Conselho de Relações Exteriores (CFR) de Nova York, sempre atua como porta-voz de certas orientações políticas maquinadas dentro do Establishment oligárquico, de modo que os seus comentários devem receber a devida atenção. Diz ele, por exemplo:

(…) Washington precisa de um Plano B. O Plano B seria uma estratégia de enclave. Os EUA deveriam reconhecer que o Iraque está se tornando um país de enclaves e trabalhar para garantir que essas regiões permaneçam tão estáveis, livres de terroristas e abertas quanto possível. O enclave curdo – agora fortalecido por ter capturado a cidade vital de Kirkuk – já é uma história de sucesso. A região xiita do sul pode ser estável. Será possível trabalhar com países como Arábia Saudita e Jordânia para influenciar grupos sunitas no meio do país, expurgando terroristas e dando poder aos sunitas moderados.

Uma estratégia comparável na Síria seria permitir que grupos como curdos e sunitas protejam suas próprias áreas da brutalidade de Bashar Assad. Mas reconheceria que eles não conseguirão derrubar o regime. Haverá lugares onde o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e grupos similares ganharão força. Nesses locais, Washington teria de usar drones, contrainteligência e ataques esporádicos de forças especiais – como no Afeganistão, no Paquistão, no Iêmen e na Somália. O mundo de enclaves já existe. Washington simplesmente precisa perceber quais partes do Iraque já estão nele.

Seja como for, parece evidente que os elementos do Establishment que pensam como Zakaria estão se ajustando rapidamente à perspectiva de um cenário pós-Estados nacionais para o Oriente Médio – e, quem sabe, vislumbrando estendê-lo a outras regiões do planeta. Vale recordar que, ao final da Guerra do Golfo de 1990-91, alguns estrategistas oligárquicos já antecipavam o “Curdistão” como um exemplo de um novo mundo pós-westfaliano, em que as soberanias nacionais deveriam ser “restringidas”, por razões étnicas ou pretextos como a proteção do meio ambiente, violações de direitos humanos e uma pletora de outros argumentos ad hoc, para justificar intervenções militares de coalizões internacionais encabeçadas pelas potências da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que muitos já viam como uma “gendarmeria global”.

O Brasil tem um motivo especial para prestar atenção em tais desdobramentos, já que a sugestão de um “enclave curdo” no norte do Iraque foi levantada, naquela época, por vários proponentes da agenda das “soberanias restritas” para as questões ambientais, como precedente para ações semelhantes na Região Amazônica, entre eles, o casal François e Danielle Mitterrand, então, presidente e primeira-dama da França. A campanha internacional para a delimitação da reserva indígena ianomâmi, que assinalou um dos primeiros grandes triunfos da agenda ambientalista-indigenista no Brasil, no final de 1991, foi bastante influenciada por tal impulso intervencionista.



2 comments

  1. SÃO PAULO É UM ETERNO DEFICITÁRIO NA BALANÇA COMERCIAL EXTERNA COM DÉFICIT DE 32 bilhões de dólares, sempre..

    Fonte: GOOGLE: Balança Comercial dos Agronegócios Paulistas e Brasileiros no Ano de 2013 de janeiro a novembro.

    LINK: http://www.iea.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=12851

    O Brasil tem 370 bilhões de dólares de reserva e nem 1 dólar foi contribuído por São Paulo, porque é deficitário na Balança comercial externa.
    SÃO PAULO É UM ETERNO DEFICITÁRIO NA BALANÇA COMERCIAL, depende do Nordeste e o do mercado interno brasileiro para manter a sua indústria funcionando. COMO? São Paulo importa 83 bilhões de dólares e exporta 51 bi de dólares, tendo um déficit no comércio exterior de 32 bilhões de dólares, SEMPRE.
    COMO PAGA A CONTA SE NÃO EXPORTA O SUFICIENTE PARA OBTER OS DÓLARES? R: vende para o Nordeste e no mercado interno brasileiro, obtém real, vai ao Banco Central, troca por dólares e paga as importações. Sua economia depende do Nordeste e do mercado interno do Brasil, porque não produz dólares suficiente para funcionar.

    Nordeste compra mais ou menos 500 bilhões de reais de SP/SE, só de automóveis, ônibus e caminhões mais de 100 bilhões de reais, gerando grandes engarrafamentos nas capitais e cidades do Nordeste, gerando de impostos o estimado em 241 bilhões de reais em SP/SE, PORQUE QUASE 95% DOS PRODUTOS DE CONSUMO DAS PRATELEIRAS DAS LOJAS, SHOPPINGS E SUPERMERCADOS e diversos metal mecânico, motores e peças, provém de SP/SE, e a quase totalidade dos MILHÕES de automóveis, ônibus e caminhões.
    Sem esse mercado consumidor as empresas de SP teriam que diminuir quase 1/3 da produção e da mão de obra.

    Então, quem é mesmo, que leva quem nas costas? Quem sustenta o Shopping, são os CLIENTES ou os fornecedores? Ambos? NÃO. Resposta: os clientes sustentam o shopping, porque fornecedores tem em qualquer lugar do mundo, e ” tá assim” de países querendo vender de tudo; sem São Paulo o Nordeste substituiria as importações por produção local e teria um BOOM de superdesenvolvimento.
    Clientes não é fácil de achar, mas fornecedores estrangeiros e brasileiros, vivem em brigando para nos vender.

    ………………

    GOOGLE COPIE E COLE: Renda per capita no Nordeste teve 2° maior crescimento real entre regiões.
    O Nordeste apresentou o segundo maior crescimento no rendimento real per capita entre as regiões brasileiras, no período de 2003 a 2008, atrás apenas da região Centro-Oeste, segundo levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), ligado ao Banco do Nordeste. O escritório estima que o Produto Interno Bruto (PIB) continuará evoluindo e deve alcançar, a preços de 2010, cerca de R$ 629 bilhões dentro de quatro anos.
    O crescimento implicaria uma renda per capita da ordem de R$ 11.240 na região. Os especialistas do Etene destacam os ganhos na qualidade de vida das populações locais, como demonstra a evolução do Índice de Desenvolvimento Social apurado para os estados nordestinos.
    Segundo os autores, alguns fatores conjunturais contribuíram para alavancar a economia do Nordeste, como a política de crédito, mais expansionista do que no resto do País; a valorização do salário mínimo, determinante para a estrutura salarial da região; evolução regional do emprego formal e da qualidade do trabalho; ampliação do mercado consumidor, e investimentos nas áreas de comércio e serviços.
    Fonte: Banco do Nordeste.

    http://www.radiojuazeiro.com.br De 5:00 h ás 19:00 h WEB TV ao vivo – imagens panorâmicas – Juazeiro/BA – Petrolina/PE – Coloque em tela cheia.

    NORDESTE ESPOLIADO – ROUBADO.

    UM exemplo de como o Nordeste é espoliado: O petróleo foi descoberto e explorado na Bahia, MAS A SEDE DA PETROBRÁS e todas as estatais, FORAM PARA O RIO DE JANEIRO por ter sido a Capital Federal, gerando renda e emprego no RJ, agora veja o quanto essa estatal incha o PIB do RJ e do Sudeste.

    GOOGLE; Nordeste perde recursos para regiões ricas.

    Estudo realizado pelo BNB-ETENE confirma que recursos
    do Nordeste continuam sendo drenados para financiar
    atividades em áreas mais ricas do país, estimando-se em
    R$ 24 bilhões anuais (6,2% do PIB regional) a média das
    transferências entre dez./07 e dez./09. Considerada a relação
    depósito/operação de crédito, a média nesse período ficou
    em 1,37 no Nordeste, ou seja: de 137 reais captados, apenas
    100 são aplicados internamente. O restante segue para outras
    áreas, comprovando que o sistema financeiro nacional ajuda
    a concentrar renda em termos espaciais. A exceção é o BNB
    que aplica mais do que capta na região.

    http://www.agenciaprodetec.com.br/estudos-e-pesquisas/273-nordeste-perde-recursos-para-regioes-ricas-.html

    ISSO SIGNIFICA QUE PARTE DOS DEPÓSITOS AOS BANCOS, FEITOS NO NORDESTE SÃO APLICADOS NO SUDESTE.
    CAPTAM DINHEIRO NO NORDESTE E APLICAM NO SUDESTE

    VEJAM SÓ: 28 bilhões de vendas pela internet p/ o NE, MAIS 24 bilhões dos depósitos efetuados no Nordeste desviado para o S/SE, .MAIS grandes lucros pelas vendas de produtos de São Paulo e Sudeste o para Nordeste, ESTÃO “enchendo o rabo”, esses filhos da puta e ficam dizendo que sustentam o Nordeste.

    Mas nós despertamos a lebre, e devemos divulgar a realidade que sem as compras do Nordeste (1/3 do PIB de São Paulo) a economia deles iria pro brejo e haveria fechamento de fábricas e demissões.
    Mostrar menos

    ………….

    SANGRIA DO STF – VEIAS ABERTAS DO NORDESTE – SÃO PAULO/SE COMPETINDO NO COMÉRCIO VAREJISTA NO NORDESTE.
    O comércio varejista do Nordeste sofre uma sangria de 28 bilhões de reais por causa de compras pela internet, porque sede das lojas virtuais em sua maioria estão no Sudeste. Os governos dos Estados do Nordeste quiseram taxar as compras no destino, para encarecer os produtos e evitar prejuízos no comércio local, mas o RICO SÃO PAULO entrou na justiça, e o caso foi parar no STF que deu ganho de causa a São Paulo, proibindo os Estados do Nordeste taxarem no destino, as compras feitas pela internet em lojas virtuais de São Paulo e do Sudeste. Mais uma vez o “RICO” São Paulo, prejudicando o Nordeste.

    O consumidor no Nordeste, compra na loja virtual em São Paulo, que chega mais barato por causa de custos menores, os Estados dos Nordeste perdem vendas, e deixam de receber impostos, demitem por causa da diminuição do movimento nas lojas que pagam aluguel, impostos e toda sorte de contribuições.

    A interpretação do STF foi tendenciosa para SP e Sudeste.

    http://www.radiojuazeiro.com.br De 5:00 h ás 19:00 h WEB TV ao vivo – imagens panorâmicas – Juazeiro/BA – Petrolina/PE – Coloque em tela cheia.
    ……………….

    SUL, CENTRO-OESTE E SUDESTE dependem da energia elétrica da Região Norte.

    GOOGLE: Governo identifica falha no sistema elétrico do Sul e Sudeste.

    PROBLEMAS NO ENVIO DE ENERGIA DA REGIÃO NORTE (Usina hidrelétrica de Tucuruí) causa apagão no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Essa regiõess dependem da energia da região Norte e Nordeste.
    “Uma falha no sistema elétrico interrompeu parte da transmissão de energia entre o Norte e o Sudeste e Centro-Oeste do país na tarde desta terça-feira (4), causando falhas no abastecimento de diversas cidades. Mais de um milhão de consumidores ficaram sem energia.
    04/02/2014”

  2. Interessante como o mundo caminha cada vez mais rápido para conflitos crônicos e covardes. Estive vendo cenas do episódio de Odessa na Ucrânia, não deixa nada a desejar com relação a cenas da II Guerra. EUA e Rússia já vinham medindo forças na Síria e Iraque. A estratégia dos EUA e seus poodles é promover o inferno no oriente médio para impedir a existência de estados nacionais não alinhados. O mundo já vive a III Guerra. Quando fui a Europa chamou-me a atenção a quantidade de aviões da OTAN no aeroporto de Lisboa, de navios de guerra no mediterrâneo, o estado de alerta histérico em aeroportos, lojas grandes e médias, do controle policial ostensivo e desproporcional nas ruas de Paris. A África sofre espremida entre o ocidente moralmente decadente e a ásia pujante e insinuante. Todos querem um pedaço da África. Parece que vivemos algo parecido com a luta por recursos naturais e posições estratégicas do século XIX que levou a Grande Guerra. A Geografia ajuda e atrapalha o Brasil, ao mesmo tempo que estamos longe do cenário de guerra (Eurásia) estamos perto do predador número um, os EUA.

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