China planeja ferrovia intercontinental Ásia-América do Norte

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A China está considerando a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade ligando o seu território à América do Norte. O trajeto da linha deverá ter início no Nordeste da China, estendendo-se pela Sibéria, atravessando o Estreito de Bering por meio de um túnel e, do Alasca, terá conexões com as redes ferroviárias do Canadá e dos EUA.

O maior desafio de engenharia do projeto é o túnel sob o Estreito de Bering, com uma extensão prevista de 200 km, cerca de quatro vezes o tamanho do Eurotúnel (que se estende sob o Canal da Mancha, unindo a França ao Reino Unido). O jornal China Daily (8/05/2014) assegura que a tecnologia necessária já existe e deverá ser empregada em outro projeto visionário: a construção de uma ferrovia de alta velocidade ligando a região chinesa de Fujian a Taiwan. O periódico informou, ainda, que os detalhes das obras, que serão custeadas e executadas por chineses, ainda estão sendo definidos.

No conjunto, a ferrovia, batizada como China-Rússia-Canadá-América, terá uma extensão de 13.000 km, sendo aproximadamente 3 mil quilômetros maior que a Transiberiana russa, que liga Moscou a Vladivostok. Os especialistas preveem que a viagem total levará cerca de dois dias, com os trens movendo-se a uma velocidade média de 350 km/h. “Neste exato momento, estamos discutindo. A Rússia já tem pensado sobre isso há muitos anos”, afirmou Wang Mengshu, da Academia Chinesa de Engenharia (RT, 9/05/2014).

Por outro lado, o jornal inglês The Guardian (8/05/2014) demonstrou ceticismo diante da informação, destacando que nenhum outro especialista em ferrovias declarou apoio à viabilidade do projeto, além de apontar as incertezas sobre se os governos da Rússia, EUA e Canadá teriam sido consultados.

Segundo as fontes chinesas, a linha China-Rússia-Canadá-América é apenas um de quatro grandes projetos ferroviários que integrarão fisicamente o país asiático a regiões importantes do globo. O primeiro deverá ser o que o conecta a Londres, via Paris, Berlim, Varsóvia, Kiev e Moscou, de onde se subdividirá em duas rotas, uma com destino à China via Cazaquistão, e a outra com destino à Sibéria Oriental. A segunda linha terá início em Urumqi (Extremo Oeste da China) e se estenderá através do Cazaquistão, Usbequistão, Turcomenistão, Irã e Turquia, até a Alemanha. A terceira terá início em Kumming, no Sul do país, e terminará em Cingapura, via Vietnã, Camboja, Tailândia e Malásia.

Projetos para a África Oriental

Outro grande projeto ferroviário anunciado pela China é a construção de uma linha que unirá o porto de Mombaça (Quênia) a Uganda, Ruanda, Burundi e Sudão do Sul. O acordo para a execução das obras foi firmado na segunda-feira 12 de maio, pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e os presidentes dos países africanos. O projeto está orçado em 3,8 bilhões de dólares.

Segundo a rede Al Jazira (12/05/2014), a primeira etapa das obras será a construção da linha que ligará o porto de Mombaça a Nairóbi, para, em um segundo momento, ser ampliada aos países vizinhos. Segundo os termos do acordo assinado esta semana, o Exim Bank of China, banco financiador de exportações do país, será responsável por 90% dos custos do projeto, ficando o restante por conta do governo queniano.

A linha deverá substituir a via de 609 km existente, construída ainda no período colonial britânico.

A empresa Chin Communication Construction será a principal responsável pelas obras, que terão início em outubro, com um prazo de conclusão de três anos e meio. Na cerimônia de assinatura do convênio entre os dois países, Li Keqiang declarou que o projeto “mostra que a cooperação entre a China e a África Oriental está dando benefícios mútuos, e a ferrovia é uma parte muito importante do desenvolvimento do transporte”. O presidente queniano, Uhuru Kenyatta, saudou a cooperação com a China, e afirmou que ela “está baseada na confiança mútua” (RT, 12/05/2014).

Enquanto a China pensa em projetos de tais dimensões, um certo país ao sul do equador, igualmente de dimensões continentais, não consegue superar a inércia histórica que tem relegado o transporte ferroviário a um plano inferior ao secundário. Se a tendência prosseguir, talvez, num futuro próximo, os candidatos a engenheiros ferroviários terão que aprender mandarim, se quiserem seguir carreiras na área.





2 comments

  1. COMO E IMPORTANTE VER O DESENVOLVIMENTO ACOMPANHADO DE LISURA NAS CONCORRÊNCIAS EM NOSSO PAIS O FAMOSO CUSTO BRASIL VEM FACE A CERTEZA DA IMPUNIDADE COMO JÁ FOI AVENTADO VARIAS VEZES SOBRE O TREM BALA CHINES E O BRASILEIRO, A UNICA DIFERENÇA E QUE NA CHINA TEM O TREM BALA E A BALA AO PASSO QUE NO BRASIL TEM APENAS O TREM….

  2. Fico feliz em ler uma notícia dessa e ao mesmo tempo frustrado por não ler, ouvir ou ver algo de parecido em nosso país. Por que será? Enquanto os outros avançam para o progresso de seus países, nós, só vemos roubalheira, desvios, intrigas, nessa nojeira toda de escandalos que envolvem a nossa nação. Até quando isso?

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