Brasil terá navio oceanográfico de ponta

Em 23 de julho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Marinha do Brasil anunciaram a compra de um navio de pesquisas hidroceanográficas, que visa a expandir a presença da comunidade científica brasileira no Atlântico Sul e Tropical. A aquisição se dá no âmbito do projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (Inpoh), que prevê uma série de iniciativas em áreas como bioprospecção, estudos sobre vias fluviais, formação de recursos humanos na área de hidroceanografia, hidráulica fluvial e portuária, dentre outros.

“Estamos concretizando uma demanda antiga da comunidade científica, que culminará em um grande avanço para as pesquisas oceanográficas e para o uso sustentável dos nossos recursos marítimos e fluviais”, disse o ministro Marco Antonio Raupp. O navio terá um custo de R$ 162 milhões, compartilhados entre o MCTI, o Ministério da Defesa, a Vale e a Petrobras (MCTI, 23/07/2013).

O anúncio da aquisição foi realizado durante a 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na semana passada, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, almirante Wilson Guerra, o navio será construído na China, que possui expertise em embarcações offshore, devendo ser entregue no segundo semestre de 2014 (o que o almirante não explicou é que o Brasil também dispõe de escritórios de projetos e estaleiros capazes de projetar e construir um navio do gênero, mas, devido às peculiaridades nacionais, o seu custo, provavelmente, seria bem maior).

Segundo a coordenadora para Mar e Antártica do MCTI, Janice Trotte, a embarcação terá capacidade para 146 tripulantes, incluindo 60 pesquisadores, e servirá para pesquisas nas áreas de química, geologia, biologia e física marinha. Além disto, com esta aquisição, o Brasil entrará para o restrito clube de países que possuem navios deste tipo com equipamentos de alta tecnologia, ao lado de nações como a China, Rússia, França e Japão. “Certamente, essa aquisição poderá alçar o Brasil ao nível das pesquisas realizadas nesses lugares”, disse ela.

Com a nova embarcação científica, será possível ainda a retirada de amostras e a realização de experimentos, de modo a possibilitar pesquisas mais rigorosas. Como afirmou o almirante Guerra: “Quando pensamos nos recursos que podemos extrair do mar, temos em mente apenas o petróleo. Mas há uma riqueza marítima imensa, como metais, minas e polimetálicos, que têm muito valor e diversas aplicabilidades (…) Além disso, há milhares de seres vivos dos quais podemos extrair enzimas que podem usadas, por exemplo, na produção de fármacos. Estamos falando de uma riqueza imensa, de uma serie de produtos que podem ser revertidos em benefício da sociedade”.

Dentre os equipamentos de ponta do navio, destaca-se um minissubmarino não tripulado de operação remota (ROV, na sigla inglesa), com capacidade de operação de até 4 mil metros de profundidade.

Ao lado da nova aquisição, a própria criação do Inpoh é uma iniciativa de grande importância para a promoção de pesquisas científicas no Brasil. O ministro Raupp destacou que o Instituto é resultado de uma intensa articulação entre o MCTI, a Marinha do Brasil, a Secretaria de Portos da Presidência da República e o Ministério da Pesca e Aquicultura e, “além de contar com previsão orçamentária para entrar em operação, o instituto tem total apoio da comunidade científica e das universidades brasileiras”.

Por sua vez, Trotte acrescentou que a criação do instituto reforçará a capacidade de o Brasil coparticipar das tomadas de decisão em fóruns globais sobre as questões oceânicas, dando subsídios aos representantes brasileiros nessas instâncias internacionais. A nova entidade vai operar como organização social e terá como diretor interino o atual diretor de Tecnologia e Inovação do Instituto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Serge Estefen.

Em síntese, este é exatamente o tipo de parceria de que o País necessita para avançar em outras áreas de pesquisa científica e tecnológica de fronteira do conhecimento, que deveria ser replicada em outras áreas, como a aeroespacial, dentre outras.

One comment

  1. japão tem é baleeiros e não navios de pesquisa. são os maiores assassinos da via marinha ( baleia e golfinhos)

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