Ambientalismo transforma Roraima em “zona de exclusão” econômica

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Em reportagem publicada em 28 de maio, o jornal Valor Econômico proporcionou aos leitores um panorama da lamentável situação econômica do estado de Roraima, destacando que a maior parte do seu território (mais de 60%) é destinada atualmente para áreas protegidas, incluindo a emblemática reserva indígena Raposa Serra do Sol, que ganhou destaque internacional pelo conflito entre indígenas e produtores rurais. O conflito teve o seu desfecho com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) favorável aos indígenas no ano de 2009, e que implicou na expulsão dos produtores das terras que haviam adquirido desde a década de 1970. 

A presente situação econômica do estado reflete bem o impacto das vitórias do ambientalismo/indigenismo, que inviabilizam quaisquer atividades econômicas modernas na maior parte do seu território. “Ninguém investe em um Estado que não garante o abastecimento de energia”, destacou Ivo Galindo, coordenador técnico da Federação das Indústrias de Roraima (Fierr), que ressaltou os graves problemas de infraestrutura do estado.

Mesmo sendo vizinho ao Pará, que conta com diversas usinas hidrelétricas, a eletricidade fornecida aos 400 mil residentes do estado é fornecida pela usina venezuelana de Guri. Galindo destacou que uma solução para este problema é a entrada em operação do chamado Linhão de Tucuruí, prevista para 2016, que deverá transmitir eletricidade de Manaus a todo o estado de Roraima, acabando assim com a dependência em relação à Venezuela.

Um reflexo dessa falta de investimentos em infraestrutura é o tímido desenvolvimento do Distrito Industrial de Boa Vista, situado numa área de 1.161 hectares, às margens da rodovia BR-174, que liga a capital roraimense a Manaus (AM), o qual abriga apenas 82 empresas. “Roraima recebe muitas visitas de pessoas interessadas em investir na região, mas as atividades consolidadas são as de empresários que já atuam no Estado”, lamenta Galindo.

De fato, Roraima tem uma localização estratégica, pois é o estado mais setentrional do país, possui 1.922 quilômetros de fronteiras com a Venezuela e a Guiana, o que facilitaria o seu acesso aos mercados do Caribe e Atlântico Norte. Além disso, o estado conta com jazidas de ouro, manganês, níquel, minérios radioativos e outros recursos naturais de importância, mas a maior parte deles está situada nas áreas protegidas, incluindo a Raposa.

Com isso, apesar do seu grande potencial de recursos naturais, Roraima é o estado mais pobre da federação, com um PIB anual de R$ 6,3 bilhões e uma pequena balança comercial positiva, que atingiu pouco mais de 1 milhão de dólares em 2013, devido, principalmente, às exportações de madeira, soja e couro. Segundo Galindo, a política ambiental é a raiz dos maiores entraves para o desenvolvimento do setor produtivo, incluindo o “ambiente de insegurança jurídica quanto à posse da terra e uma enorme burocracia quanto ao licenciamento ambiental, que demora até três anos e desestimula os investimentos”.

Assim sendo, não é nenhum exagero afirmar que Roraima foi convertido numa autêntica “zona de exclusão econômica”, no que, talvez, seja a maior vitória do aparato ambientalista-indigenista no Brasil.





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