Aldo Rebelo: “Não podemos ser uma colônia tecnológica.”

Em uma aula inaugural para uma turma de calouros de engenharia do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), em São Paulo (SP), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, fez uma séria advertências sobre o processo de desindustrialização da economia brasileira e a falta de investimentos e tecnologia. Para o ministro, o encolhimento progressivo das exportações de bens de alto valor agregado, o crescente déficit na balança comercial e a falta de uma política sólida de promoção da educação podem aprofundar o atraso do País. Ademais, disse, tais fatos têm um grande potencial para provocar um processo de disrupção social e política.

Rebelo destacou que, enquanto a Europa perdeu 60 milhões de empregos entre 2003 e 2013, o Brasil gerou 20 milhões de empregos no mesmo período, mas com salários de até dois salários mínimos – enquanto perdia 4 milhões de empregos com remuneração superior a esse patamar. “A classe média urbana é um fenômeno da industrialização. Como estamos em processo de perda de substância de nossa capacidade industrial, a sociedade percebe isso e demonstra sua insatisfação. Não há como deixar de reconhecer o problema e enfrentá-lo”, disse ele (Valor Econômico, 24/02/2015).

O ministro abordou também o déficit recorde em transações correntes, que incluem a balança comercial, serviços e transferências para o exterior, para ilustrar o ritmo do desinvestimento em tecnologia no Brasil: “É a chave de nossa tragédia”. De fato, o País tem sido afetado pela queda nos preços de commodities como o minério de ferro, e o déficit foi ampliado pela alta na importação de serviços de alta tecnologia. Rebelo advertiu: “Não tenhamos ilusão, os Estados nacionais permanecem. O mundo não tem complacência com os fracos, precisamos de inovação para ter soberania, não podemos ser uma colônia tecnológica.”

Para ilustrar os danos que o atraso científico, tecnológico e educacional podem impor a uma nação, ele citou o caso histórico da China: sendo a maior potência do século XVIII, sendo seguida de perto pelo Reino Unido, a nação asiática dispensou a oferta de empresários ingleses para a venda de maquinário a vapor recém-inventado pelo país europeu. Pouco tempo depois, os ingleses “voltaram e ocuparam os portos chineses. O último deles só foi devolvido em 1997 (Hong Kong). Foi a inovação que levou os chineses a perder aquela batalha”.

O ministro também teceu duras críticas contra os fracos resultados do Brasil em exames internacionais de educação, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), sendo totalmente inadequados para um país que é a sétima economia mundial. Ocupando apenas a 61ª posição no Índice Global de Inovação, Rebelo destacou que uma evolução efetiva do País na área da ciência e tecnologia está condicionada a uma melhora sensível em exames internacionais de aferição de conhecimento, com melhor desempenho dos nossos alunos em disciplinas como matemática e ciências e uma maior valorização da leitura.

Para o titular do MCTI, a alegação de que o País não consegue melhorar o seu desempenho nesses exames internacionais por ter que promover uma inclusão em massa de estudantes no ensino fundamental não é mais válida. “Como é que se explica que a China ocupe a liderança do índice?”, questionou.

Finalmente, falando sobre os escândalos envolvendo a Petrobras e grandes empreiteiras, o ministro afirmou que a punição de corruptos e corruptores não pode ser usada para acabar com as grandes indústrias brasileiras: “Queremos que toda corrupção seja investigada e punida, mas também queremos que a história da Petrobras e de grandes empresas não sejam confundidas com os crimes de seus executivos.”

 

One comment

  1. Aldo, a servico do agronegocio, quer tonar nossos rios – todos sem excessao – para ser barrados e usados pela agricultura e geracao de energia. Isso esta clato em sua fala.

    O exemplo do Egito foi muito mel colocado, pois os Egipcios eram escravocratas, e todas as obras que ocorrem no Brasil sao nesse sentido, pensa-se no fim, mas como fazer, sacrificam trabalhadores, recursos naturais e habitats de populacoes tradicionais.

    Um home atras de seu tempo.

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