A agenda de Davos: o que Dilma ouvirá nos Alpes suíços

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A presidente Dilma Rousseff confirmou a sua presença na 45ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial, mais conhecido como Fórum de Davos, em 21-24 de janeiro, no resort suíço de Davos-Klosters. Segundo um assessor presidencial, a viagem tem como objetivo dar visibilidade ao esforço do governo para promover ajustes nas contas públicas, atrair investimentos, fazer acenos ao mercado financeiro e reafirmar os fundamentos da política econômica (Agência Estado, 4/01/2015).

De forma característica, como se a presidente tivesse uma obrigação de bater ponto anualmente no evento, a Agência Estado observa que, em seu quinto ano de governo, esta será apenas a segunda vez que a presidente irá a Davos (a primeira foi no ano passado), “depois de esnobar por três anos o fórum, que reúne um público altamente qualificado, formado pela elite do empresariado mundial, profissionais e políticos”.

Nos Alpes suíços, Dilma deverá estar na companhia de 2.500 personalidades globais, incluindo uma participação recorde de 300 chefes de Estado e governo, ministros e altos funcionários de 140 países e 14 agraciados com o Prêmio Nobel (RFI, 6/01/2014).

O tema geral do conclave será “O Novo Contexto Global”, cujo escopo

avaliará as implicações imediatas e de longo prazo de tendências críticas, incluindo a escalada de tensões geopolíticas, a esperada normalização da política monetária e as repercussões econômicas e sociais das mudanças climáticas incessantes, do desemprego dos jovens e das desigualdades de rendas (WEF, 4/12/2014).

No resumo executivo do roteiro dos trabalhos, podemos ter uma ideia de como esses representantes da nata das oligarquias dirigentes do planeta estão contemplando o futuro imediato:

A complexidade, a fragilidade e as incertezas estão desafiando o progresso nos níveis global, regional e nacional, com potencial para encerrar uma era de integração econômica e parcerias internacionais que começou em 1989. O que está claro é que nos confrontamos com profundas transformações políticas, econômicas, sociais e, acima de tudo, tecnológicas. Elas estão alterando pressupostos há muito estabelecidos sobre as nossas perspectivas, resultando em um inteiramente ‘novo contexto global’ para os futuros processos de tomada de decisões. Este novo contexto requer uma maior percepção das implicações de curto e longo prazos das seguintes tendências e desdobramentos:

– O impacto sistêmico das linhas de falha geopolíticas que se ampliam, reduzindo a cooperação multilateral e aumentando a competição estratégica.

– A esperada normalização da política monetária, pela redução da facilitação quantitativa e uma futura elevação nas taxas de juros.

– A contínua erosão da confiança nas instituições públicas e do setor privado e a deterioração do diálogo entre governos e negócios, em âmbito global.

– A extensão e velocidade dos avanços científicos e tecnológicos, que são considerados inspiradores e empoderadores, assim como perturbadores e ameaçadores.

– A incapacidade de se melhorar significativamente a administração e a governança de espaços comuns globais, em especial, os recursos naturais e o ciberespaço.

– As repercussões ecológicas, societárias e empresariais das incessantes mudanças climáticas, do desemprego jovem e da desigualdade de rendas.

– A transformação geracional, de sociedades que compartilham valores comuns, para outras movidas primariamente por interesses, e o aumento correlato do sectarismo, populismo, nacionalismo e estatismo.”

Apesar de os debates realizados nos amplos salões da superprotegida estação de esqui alpina (graças à colaboração da Polícia e das Forças Armadas suíças) não se destinarem a proporcionar soluções efetivas para tais problemas, pelo menos, no tocante aos interesses da maioria das sociedades nacionais, é sempre relevante observar as discussões ali travadas, pois elas sugerem os rumos que deverão ser tomados pelos potentados da elite globalista internacional. Por isso, fiquemos ligados.

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