Irradiação de alimentos legalizada no Brasil

Uma importante decisão do Ministério da Agricultura abre caminho para o desenvolvimento de uma das tecnologias mais promissoras para a conservação de alimentos: a irradiação. Com a publicação da Instrução Normativa N.° 9 do ministério, fica reconhecida a legalidade do desenvolvimento e aplicação da irradiação para o tratamento fitossanitário, de modo a prevenir pragas e a prolongar a validade de alimentos variados. A decisão abre boas perspectivas para o setor agropecuário nacional, que passa a ter mais um importante recurso para melhorar a qualidade da estocagem da produção, com impacto positivo nas exportações.

Segundo o professor Julio Marcos Melges Walder, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP), “a irradiação é uma alternativa eficiente aos métodos adotados hoje no pós-colheita para garantir a exportação de frutas livres de doenças. E com a vantagem de ser limpa, sem risco de deixar qualquer tipo de resíduos no alimento (O Estado de S. Paulo, 6/09/2011)”.

De fato, além de preservar a integridade de alimentos, ao reduzir as perdas naturais causadas por processos fisiológicos, a irradiação elimina microorganismos, parasitas e pragas, sendo eficiente também no tratamento de vegetais, carnes e lácteos.

A irradiação é um processo que causa menos impactos do que os processos tradicionais de tratamento de alimentos. Um exemplo é o caso das mangas, que são submetidas a um tratamento térmico para eliminar organismos presentes no fruto. Entretanto, tal processo faz com que a casca perca umidade, comprometendo a qualidade do fruto. Com a irradiação, isto não ocorre.

As pesquisas com irradiação no Cena tiveram início na década de 1970, primeiramente, com grãos armazenados e, depois, com frutas e vegetais. Mais recentemente, o Centro tem desenvolvido a aplicação do processo a carnes, laticínios e até pratos prontos. O princípio da irradiação de alimentos é similar ao dos raios-X. A tecnologia desenvolvida no Cena emprega radiação ionizante a partir de equipamentos que emitem raios gama de cobalto-60. Segundo Walder, a irradiação “impede a multiplicação de microorganismos pela alteração de sua estrutura molecular”. Cada alimento recebe uma determinada dose de irradiação, porém sempre mantendo as propriedades físicas, químicas, nutritivas e sensoriais do alimento, sem contaminar o ambiente.

Entretanto, de acordo com Walder, a tecnologia ainda não despertou grande interesse por parte dos investidores. “O Brasil não tem nenhum irradiador e está pelo menos cinco anos atrasado, porque a instalação de um irradiador, considerando o processo de licenciamento ambiental e a autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear, leva pelo menos três anos”, afirma. O especialista estima que seriam necessários pelo menos três irradiadores para atender à produção de frutas do Vale do São Francisco, Bahia e Espírito Santo.

A irradiação demanda investimentos consideráveis para o seu aproveitamento comercial. Segundo o professor do Cena, os preços de um irradiador podem variar de 5 a 12 milhões de dólares. Todavia, ele assinala que é plenamente viável que a iniciativa privada possa realizar tais investimentos, disponibilizando o serviço aos produtores rurais brasileiros.

Walder considera que a publicação da IN 9 é um passo importante para a estimular a exportação de frutas brasileiras. Segundo o especialista, “a próxima etapa é o Brasil fazer acordos bilaterais, sobretudo de exportação de mamão papaia irradiado para os Estados Unidos, que já importam manga da Índia e lichia e abacaxi da Tailândia, tudo irradiado”. O professor do Cena citou ainda o exemplo do México, principal exportador de frutas para o mercado estadunidense, que está investindo na construção de três irradiadores, de modo a expandir a sua capacidade de tratar os alimentos.

7 comments

  1. Grande notícia saber que o Ministério da Agricultura está tomando providências para que essa tecnologia possa ser aproveitada.

    A Acelétron Irradiação Industrial está instalada no Rio de Janeiro desde 2007 com a revolucionária tecnologia do FEIXE DE ELÉTRONS que é a última palavra em radiação ionizante para alimentos e outras aplicações.

    O Brasil pode se beneficiar nas exportações de frutas como MAMÃO PAPAYA e MANGA, que, em sendo irradiados tem seu tempo de prateleira aumentado.
    O reconhecimento como tratamento fitossanitário era o que faltava para o desenvolvimento dessa tecnologia.

    José Sirera
    21-3512-4000

  2. rsrs…A Elite global agora começa a ENVENENAR os alimentos, isso mesmo!! Basta fazer uma pesquisa sobre ‘CODEX ALIMENTARIUN” e verão que essa é mais uma desculpa pra despopulação do planeta, já não chegam as chuvas, tsunamis, terremotos, PRODUZIDOS PELA ELITE GLOBAL atravéz do seu H.A.A.R.P (Pesquise sobre ele!) agora vão irradiar os alimentos pra tirarem deles o máximo possível de nutrientes necessários para uma vida saudável. Mas o povo gado adora, e acha que estão fazendo o bem, pois acostumaram a comer toda a merda que a ultrapassada e suja Europa e os terroristas mundiais EUA cagam todo dia atravéz da mídia mundial e de suas instituições como: ONU, OMS, e tantas outras instituições de fachada usadas pela elite mundial na sua sede por um governo mundial único…Quem viver verá… ACORDEM!!!

  3. Você não sabe o que diz, pesquise antes de argumentar tamanha asneira!

  4. realmente nao eh uma boa esse metodo, e nem todos alimentos ficam gostosos apos passar pelo irradiador

  5. CHARLES, antes de sair fazendo alarme sobre uma coisa que você sequer estudou, procure saber mais.
    Isso é uma grande notícia SIM.

  6. Se a irradiação altera a estrutra molecular do microorganismo, não altera também a da fruta? Não precisa ser um expert, ou um estudado no assunto para ver que coisa boa não é. Para quem essa tecnologia é boa a não ser para os bolsos gordos de quem a propaga como vantajosa? Para mim, e para você cidadão é que não. Se quer ser saudável, coma alimentos orgânicos dos produtores locais, como a Mãe Natureza nos dá, sem agrotóxicos, sem estocagem, fresquinhos e cheios de nutrientes e vitaminas. Isso não parece bom?

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