Usinas solares: matando pássaros para “salvar o planeta”

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Quando observadores próximos à usina solar instalada no deserto de Mojave, na Califórnia, veem algo caindo do céu, deixando um rastro de fumaça e chamas, pode não ser um meteorito queimando enquanto entra na atmosfera – provavelmente, trata-se de um pássaro incinerado pela usina “ecologicamente correta”. 

O Sistema de Geração Elétrica Solar de Ivanpah, inaugurado em fevereiro, parece ser o projeto “verde” ideal: um conjunto de 300 mil espelhos, que cobrem uma área de 3.500 hectares e concentram os raios do Sol em três torres de 460 metros de altura cada uma. As torres contêm um líquido que, quando aquecido, movimenta turbinas a vapor, as quais produzem eletricidade suficiente para abastecer cerca de 140 mil casas, sem gerar gases de efeito estufa ou outras emissões consideradas nocivas ao meio ambiente.

Segundo uma reportagem da agência Bloomberg (30/04/2014), o que parece não ter sido devidamente considerado no projeto da usina, desenvolvida pela empresa BrightSource Energy, são os seus efetivos impactos ambientais – ela atrai os pássaros e os incinera em pleno voo. Após diversos estudos para avaliar as causas do problema, feitos pelo National Fish and Wildlife Forensics Laboratory, concluiu-se que insetos estão sendo atraídos pelo brilho da luz dos espelhos refletores, da mesma forma como são atraídos pelo brilho de lâmpadas domésticas. Por conseguinte, pequenos pássaros insetívoros se aproximam da usina, em busca de alimento. Por sua vez, predadores destes pássaros de pequeno porte, como águias e falcões, também se aproximam perigosamente da usina solar. Ao entrar na área de foco dos espelhos, entretanto, as aves ingressam no chamado “fluxo solar”, sendo feridos ou mortos em poucos segundos. Neste espaço, a luz refletida pelos espelhos atinge temperaturas de 427°C a 538°C, calor suficiente para incinerar os animais em pleno vôo, abatê-los ou feri-los a ponto de deixá-los vulneráveis ao ataque de predadores no solo.

Observadores vizinhos à usina de Ivanpah afirmam ver um pássaro cair em chamas a cada dois minutos, o que dá uma dimensão do impacto ambiental do empreendimento dito “verde”. Ainda segundo o National Fish and Wildlife Forensics Laboratory, a morte de pássaros também é observada em outras usinas solares na Califórnia.

E outras usinas consideradas “verdes” também têm se provado letais para pássaros. No ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA ordenou a Duke Energy Corporation a pagar uma multa de 1 milhão de dólares, pela morte de inúmeros pássaros em fazendas eólicas. Estas usinas podem parecer inócuas, mas, para as aves, funcionam mais ou menos como liquidificadores gigantes, sendo também letais para morcegos. Entre os mais vulneráveis estão as águias e outros predadores, que tendem a voar de cabeça baixa, enquanto vasculham o solo em busca de presas.

Em todos os casos, as soluções parecem inadequadas à tarefa de minimizar as mortes de pássaros: não operar tais usinas durante os períodos de pico migratório das aves, usar dispositivos sônicos que afugentem os animais ou limpar grandes áreas ao redor das usinas, para remover os habitats dos pássaros.

Tais dilemas destacam uma realidade do setor energético: todas as formas de geração de energia têm os seus prós e contras e nenhuma delas é isenta de impactos ambientais. Assim sendo, a escolha das fontes energéticas deveria obedecer, sobretudo, a critérios técnicos e econômicos, descartando-se de vez os conceitos ideológicos tão prezados pelos ambientalistas radicais – que, como se percebe nos casos citados, nem servem para “salvar o planeta” e nem são tão “ambientalmente amigáveis” assim.




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