Tecnologia de plasma chilena pode revolucionar tratamento de água

Uma inovadora invenção de uma empresa chilena poderá representar uma revolução nos métodos de tratamento de água para consumo humano, contribuindo de forma decisiva para superar um problema que atinge mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo (40 milhões no Brasil).

A tecnologia, denominada PWSS (Plasma Water Sanitation System), foi desenvolvida por uma equipe da empresa Advanced Innovation Center (AIC Chile), dirigida pelo desenhista industrial Alfredo Zolezzi, e nos testes realizados conseguiu eliminar 100% dos vírus e bactérias presentes na água.

Em um entusiasmado artigo publicado no sítio inglês Wired.co.uk (6/01/2014), o jornalista Daniel Cossins descreve a técnica:

Com o Plasma Water Sanitation System (PWSS), a água contaminada é pressurizada e bombeada em um tubo de 32 cm de comprimento. Ali, é acelerada a 320 m/s, para se obter uma queda de pressão, que transforma a água em um vapor líquido-gás. Um campo elétrico de 5.000 volts a ioniza, transformando-a brevemente em plasma – estado em que as estruturas externas e o material genético dos microorganismos são destruídos. Finalmente, o plasma é desacelerado e se reconverte e água. “Todo o processo leva apenas alguns milissegundos”, diz Zolezzi. O método tem sido usado desde agosto de 2011, na favela de San José de Cerrillos, em Santiago do Chile, onde Zolezzi diz que ele reduziu a incidência de doenças transmitidas pela água. Em testes realizados pela Fundação Nacional de Saneamento dos EUA, o PWSS matou todos os vírus e bactérias em água fortemente contaminada.

Cada equipamento PWSS, que inclui uma bomba e um tanque de água em um contêiner, pode limpar 2.500 litros de água por dia, suficiente para 125 pessoas. Zolezzi diz que, quando for produzida em série, cada unidade completa custará o equivalente a 320 libras esterlinas [cerca de R$ 1.300,00]. “Mas eu não sou um filantropo”, diz ele. Em vez disso, desenvolvendo versões compactas do PWSS, para serem vendidas como equipamentos de cozinha, Zolezzi planeja criar um negócio que gere lucros, ao mesmo tempo em que ajuda a solucionar um dos problemas mais difíceis da humanidade.

Apesar de reiterar a sua condição de homem de negócios, Zolezzi idealizou o projeto do purificador de água em 2009, depois de trabalhar durante anos na indústria petrolífera, para a qual inventou técnicas de melhoramento do refino de petróleo. Em 2010, ele fundou a AIC, em Viña del Mar. “A ciência e a tecnologia estão avançando rapidamente, mas as nossas inovações nem sempre estão ajudando os pobres”, diz ele (Wired.com, 6/01/2014).

Plasma-Water-Sanitation-SystemAlfrezo Zolezzi e PWSS
Protótipo do PWSS (AIC)

No final de dezembro último, a AIC, em convênio com a Fundación Avina e o Ministério de Desenvolvimento Social do Chile, que aportou o equivalente a 276 mil dólares, lançaram um projeto para testar a tecnologia em cinco comunidades da região central do Chile, abastecidas por água contaminada. Em cada local, serão instalados dois equipamentos PWSS, cada um com capacidade para purificar 1.920 litros de água por dia. A importância da iniciativa pode ser avaliada pela presença da presidente chilena Michelle Bachelet na cerimônia simbólica realizada em Peñaflor, uma localidade semi-rural nos arredores de Santiago.

“Até o dia 29 de dezembro, fervíamos 50 litros de água de poço por dia para o consumo das 83 crianças que vivem aqui”, disse Mónica Hernández, diretora-executiva da Fundación Koinomadelfia. Além dos riscos para a saúde, gastava-se muito dinheiro com gás e água engarrafada, ressaltou ela.

Segundo Zolezzi, este ano, o equipamento será testado em projetos pilotos na Bolívia, Haiti, Tanzânia, Nigéria e Gana. “Esperamos comparar aspectos técnicos sob condições ambientais distintas, fazer as adaptações necessárias e monitorar o impacto social e sobre a saúde das pessoas”, afirma.

Por se tratar de um equipamento que funciona de forma autônoma e sem a necessidade de infraestrutura de apoio, o PWSS representa uma oportuna solução para populações pobres ou comunidades pequenas, onde não é viável a instalação de equipamentos de maior porte, aí incluídas campos de refugiados, zonas de catástrofe ou assentamentos urbanos emergenciais (Neomundo.com.ar, 20/01/2015).

O Brasil não deveria ficar alheio a tais planos. Como Zolezzi anda em busca de parceiros para a produção em série do equipamento, não faltam no País instituições e empresas que poderiam se associar à AIC, inclusive, para participar do desenvolvimento da tecnologia, pois o potencial de desenvolvimento do PWSS pode contribuir bastante para o enfrentamento de um problema crônico que ainda afeta a quinta parte da população e para o qual não há uma perspectiva de solução a curto e médio prazos.

x

Check Also

Embraer: hora de o Estado agir com inteligência e ousadia

Por Luís Felipe Giesteira, Thiago Caliari e Marcos José Barbieri Ferreira* É difícil superestimar a ...