Rússia e China estreitam cooperação espacial, visando Lua e Marte

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Durante uma exposição conjunta russo-chinesa, em Harbin, China, o vice-primeiro-ministro russo Dmitri Rogozin afirmou que a Rússia está disposta a explorar Marte e a Lua em conjunto com a China. Segundo a agência Novosti (30/06/2014), ele destacou que o governo russo está levando a cabo uma profunda reforma do setor aeroespacial, com a intenção de reduzir o seu atraso tecnológico. Este processo, disse, está repleto de “contratempos”, mas as reformas terão o resultado desejado.

Rogozin destacou ainda que, no futuro, a Rússia e a China poderão construir conjuntamente aparatos especiais, bases de elementos radioativos completamente independentes e colaborar nas áreas de cartografia e comunicação. “Com respeito aos voos espaciais e à exploração do espaço profundo e do Sistema Solar, estamos dispostos a trabalhar ombro a ombro com os nossos amigos chineses”, afirmou.

De acordo com ele, o sistema de posicionamento russo Glonass e o chinês Beidou podem ser integrados com sucesso, tendo a Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos) firmado um memorando de entendimentos com o governo chinês, “sobre a colaboração em sistemas globais de navegação via satélite”. O presidente da Roscosmos, Oleg Ostapenko, informou que visitará a China em breve, para a assinatura de um acordo de instalação de estações terrestres do Glonass na China e do Beidou na Rússia (RT, 30/06/2014).

Rogozin não ocultou que a indústria espacial russa está em uma posição precária, após a ocorrência de uma série de embaraçosas falhas de lançamento, nos anos recentes, o que demonstra a necessidade de reformas importantes no setor. Todavia, ele assegurou que a Rússia está buscando consolidar a indústria aeroespacial, sob uma única entidade.

Enquanto os engenheiros russos trabalham para descobrir porque o lançamento do primeiro foguete russo desenvolvido na era pós-soviética, o Angara, falhou, em 27 de junho, Ostapenko assegurou que a Rússia está almejando um novo foguete superpesado para missões à Lua e a Marte. O chefe da Roscosmos ressaltou, entretanto, que não se trata simplesmente de uma versão pesada de foguetes existetes, mas de um projeto totalmente original: “Para voar à Marte, à Lua (…) o foguete [Angara] não é suficiente.”

O Angara, cujas razões da falha no lançamento mais recente ainda não foram levantadas, terá a capacidade de colocar 25 toneladas na órbita terrestre, enquanto o foguete estadunidense Saturno V, que levou os astronautas estadunidenses à Lua, em 1969-72, podia levar 130 toneladas. “Isso coloca a questão de criar uma nova classe de veículos superpesados”, destacou Ostapenko.

Nesse ínterim, a Rússia e a China estão buscando unir forças em projetos de curto prazo, como a criação de espaçonaves usando somente componentes feitos nos dois países, além de satélites de observação e comunicação.

A comunhão de esforços entre os dois parceiros do grupo BRICS deveria levar o governo brasileiro a rever o seu programa espacial, com vistas a contemplar uma ampliação da cooperação com ambos, como uma forma de recuperar o atraso que tem caracterizado os projetos nacionais no setor aeroespacial. Embora já haja uma cooperação com a China, no projeto da série de satélites CBERS, e o País já tenha recorrido à Rússia, para o treinamento de especialistas em combustíveis, o potencial das possibilidades oferecidas por uma maior aproximação com as duas potências espaciais justificaria uma iniciativa neste sentido.

Ambientalismo e política ambiental
Autor: Leandro Batista Pereira




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