Mundo real contraria discurso “aquecimentista” – outra vez

A despeito da popularidade do discurso sensacionalista sobre as questões climáticas, que atribui às atividades humanas o aumento das temperaturas atmosféricas observado desde o século XIX, a cada momento o mundo real se encarrega de contestar as afirmativas alarmistas dos porta-vozes do “aquecimentismo” – tendência convertida numa virtual indústria autossustentável. Vale a pena rever algumas delas.

Em 27 de abril último, a Universidade Duke (EUA) divulgou um boletim de imprensa sobre os resultados de uma expedição realizada por uma equipe de cientistas da universidade ao litoral da Península Antártica, no outono de 2009. Na expedição, que durou seis semanas, os pesquisadores observaram a maior concentração de baleias corcundas e de krill em mais de duas décadas de estudos na região.

“Uma agregação de baleias e de krill tão incrivelmente densa como essa nunca havia sido vista antes nessa área, nesta época do ano”, disse o biólogo marinho Douglas Nowacek.

Nowacek e seus colegas observaram, apenas na baía Guilhermina, uma concentração superior a cinco baleias por quilômetro quadrado, a mais alta já registrada, o mesmo ocorrendo com a concentração de krill (pequenos crustáceos que se alimentam basicamente do fitoplâncton e, por sua vez, constituem a base alimentícia de baleias, pinguins, focas e aves marinhas). A equipe de Duke retornou no ano seguinte e observou números similares.

A fauna marinha da Antártica tem sido frequentemente citada nos relatos alarmistas, como sendo bastante ameaçada pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem. E, em uma clara evidência de que não é “politicamente correto” fazer tais observações sem citar o problema (assim como, na era soviética, qualquer obra científica tinha que fazer pelo menos uma citação de Marx, Engels, Lênin ou Stálin), o boletim de imprensa de Duke paga o seu tributo ao “aquecimentismo”, nas palavras do outro coordenador do projeto, Ari S. Friedlaender:

A ausência de gelo marinho é uma boa notícia para as baleias, a curto prazo, proporcionando a elas um verdadeiro festim, na medida em que, toda noite, o krill migra verticalmente para a superfície da baía. Mas também é má notícia a longo prazo, para ambas as espécies e tudo mais que vive no Oceano Sul e depende do krill.

Apesar de que, possivelmente, o Dr. Friedlaender não esteja disponível nesse longo prazo, para ser cobrado pelo seu prognóstico, as baleias e os demais comensais que se alimentam dos pequenos crustáceos antárticos deverão se beneficiar das ligeiras elevações das temperaturas atmosféricas e oceânicas, como têm feito há milhões de anos, nos períodos anteriormente chamados “ótimos climáticos” – antes que a Climatologia fosse convertida num instrumento político.

Cadê o “fitopânico”?

Em 29 de julho de 2010, jornais do mundo inteiro estamparam em suas seções de ciências manchetes sobre a mais recente “ameaça” atribuída ao aquecimento global: a diminuição das concentrações do fitoplâncton marinho. No Brasil, O Globo reproduziu em quase meia página um artigo do inglês The Independent intitulado “A tragédia invisível dos mares”, que esta grave advertência:

As plantas microscópicas que alimentam toda a vida marinha estão morrendo em ritmo drástico, segundo um estudo inédito conduzido pela Universidade de Dalhousie, no Canadá, e publicado esta semana na revista Nature. A população oceânica de fitoplânctons, como estes seres são conhecidos, caiu cerca de 40% durante o século passado. Para os pesquisadores, a mudança está relacionada com o aquecimento global e as crescentes temperaturas da superfície do mar… Se este índice for confirmado por outros estudos, poderá representar, de acordo com cientistas, um impacto maior do que a destruição de florestas tropicais e recifes de coral.

Na edição de 3 de agosto seguinte do boletim eletrônico Alerta Científico e Ambiental fizemos o seguinte comentário a respeito:

(…) O que denota a própria publicação do estudo é exatamente a grande distorção do processo científico que tem marcado o AGA [aquecimento global antropogênico]. Para começar, trata-se de parte de uma tese de doutorado que ainda não foi sequer defendida e, portanto, precisaria ser devidamente avaliado antes de ser trombeteado ao mundo da maneira como foi, por um boletim de imprensa da universidade… Ademais, não é preciso ser biólogo marinho ou oceanógrafo para se intuir que uma redução tão drástica em um período tão reduzido – que ainda precisa ser confirmada por outros estudos – não poderia ser atribuída a uma única causa, menos ainda aos poucos décimos de grau centígrado em que as temperaturas oceânicas variaram no século passado. Por conseguinte, será preciso aguardar para ver se o estudo representará uma contribuição legítima para a ciência ou se se trata de mais uma tentativa de pegar carona no comboio do AGA.

Pois bem. No seu recém publicado volume 472, publicado em 14 de abril, a mesma Nature traz uma comunicação dos biólogos Ryan R. Rykaczewski e John P. Dunne, do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da Organização Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA, que simplesmente coloca por terra os relatos alarmistas do estudo anterior. Vejamos a constatação dos cientistas estadunidenses (para facilitar a compreensão dos leitores, dividimos o parágrafo do texto original”):

“Comunicação breve (abril de 2011), em resposta a D.G. Boyce, M.R. Lewis e B. Worm”, Nature 466, 591-596 (2010):

O fitoplâncton representa aproximadamente 50% da produção primária global, formam a base trófica [alimentícia – n.e.] de quase todos os ecossistemas marinhos, é fundamental para a transferência de energia trófica e tem um papel chave na regulagem do clima, sequestro de carbono e produção de oxigênio. Boyce et al. compilaram um índice de clorofila, combinando medições de clorofila in situ e medições em profundidade com discos de Secchi [instrumento utilizado desde a segunda metade do século XIX, para medições indiretas da densidade da massa de fitoplâncton, a partir da transparência da água – n.e.], abrangendo um período superior a 100 anos, e mostraram um decréscimo na biomassa de fitoplâncton marinho, de aproximadamente 1% da mediana global por ano, ao longo do século passado.

Entretanto, oito décadas de coletas de biomassa de fitoplâncton no Atlântico Norte, efetuadas pela pesquisa Registro Contínuo de Plâncton (CPR, na sigla em inglês), mostram um aumento em um índice de clorofila (Índice de Cor de Fitoplâncton), tanto na bacia Nordeste como na Noroeste do Atlântico, e outras séries de longo prazo… também indicam um aumento da biomassa de fitoplâncton, nos últimos 20-50 anos. Estas observações, que não foram discutidas por Boyce et al., não estão de acordo com as suas conclusões e ilustram a importância de se usarem observações consistentes nas estimativas de tendências de longo prazo.

Em outro trecho, os autores afirmam:

(…) Um exame mais detalhado mostra que mudanças na metodologia de amostragem influenciadas pela passagem do tempo, combinadas com uma tendência consistente na relação entre as medições in situ e as derivadas dos índices de transparência [feitas com o disco de Secchi – n.e.], geram uma tendência espúria [“a spurious trend”, no original] nas estimativas de síntese do fitoplâncton usadas por Boyce et al. Os nossos resultados indicam que muito do declínio secular descrito por Boyce et al., se não todo ele, pode ser atribuído a essa tendência temporal do método de amostragem, e não a um decréscimo global da biomassa de fitoplâncton.

Nestes dois pequenos trechos da comunicação, uma aula de ciência real, demonstrando a importância e a superioridade das observações do mundo real sobre formulações teóricas induzidas pela ânsia de se tirar proveito das vantagens oferecidas pelo alarmismo climático inconsequente. Desta feita, porém, não houve manchetes garrafais na imprensa mundial e a notícia ficou restrita aos meios científicos e aos blogs que se dedicam aos assuntos climáticos.

E cadê os “refugiados climáticos”?

Em 2005, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou um prognóstico alarmista, afirmando que, até 2010, as mudanças climáticas provocariam uma tsunami de “refugiados climáticos”, estimada em até 50 milhões de pessoas. Na ocasião, um estudo realizado em conjunto com a Universidade das Nações Unidas informou ao mundo:

Em meio a previsões de que, em 2010, o mundo precisará lidar com até 50 milhões de pessoas fugindo aos efeitos de uma arrastada deterioração ambiental, especialistas da Universidade das Nações Unidas dizem que a comunidade internacional precisa, com urgência, definir, reconhecer e estender apoio a essa nova categoria de “refugiados”… Problemas tais como a elevação do nível do mar, expansão dos desertos e inundações catastróficas induzidas pelo tempo, já têm contribuído para grandes migrações permanentes e, eventualmente, poderão deslocar centenas de milhões de pessoas (Spiegel Online, 18/04/2011).

Pois 2010 chegou e passou, e ninguém soube de qualquer onda de refugiados deslocados de suas terras por motivos climáticos. Da mesma forma, ninguém se preocupou em cobrar do PNUMA mais um prognóstico alarmista desfeito, até que, em 11 de abril último, o escritor e blogueiro australiano Gavin Atkins, no blog Asian Correspondent.com, resolveu bancar o inconveninente. Embora não seja cientista, Atkins utilizou o fundamento do método científico, a convergência de hipóteses e fatos, para avaliar a validade do prognóstico, nos países citados como ameaçados pelo PNUMA. Vejamos os resultados da sua pesquisa, baseada nos censos populacionais dos referidos países:

– Bahamas: segundo o censo de 2010, registrou um aumento populacional de 50.047 pessoas desde 2000;

– Santa Lúcia: aumento de 5% na população, entre 2001 e 2010;

– Seychelles: a população passou de 81.755, em 2002, para 88.311, em 2010;

– Ilhas Salomão: a população aumentou em 100 mil pessoas ao longo da década, ultrapassando a marca de meio milhão de habitantes.

Diante da rápida repercussão do artigo de Atkins, um constrangido PNUMA foi obrigado a renegar o prognóstico anterior e retirou de seu sítio o “mapa de refugiados” que o acompanhava. Um embaraçado porta-voz do órgão limitou-se a responder ao jornalista Axel Bojanowski, da Spiegel Online (18/04/2011): “Não é uma previsão do PNUMA.” Segundo ele, o mapa havia sido elaborado para um jornal, “baseado em diversas fontes”, e foi retirado do sítio, “porque estava causando confusão e fazendo alguns jornalistas pensarem que o PNUMA era a fonte desses prognósticos”.

Mais um mito climático recebe o destino merecido: a cesta de lixo. Esses fatos recorrentes reforçam a expectativa de que, num futuro próximo, todo o edifício de interesses erigido em torno do catastrofismo climático não resista ao embate da realidade; então, seus escombros poderão ser encaminhados ao destino conveniente, o depósito de entulho dos modismos pseudocientíficos.

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