Fiasco global da “energia limpa”

A derrocada das ilusões com as fontes energéticas ditas “renováveis” se espalha por todo o mundo. Além da União Européia (UE), o bloco que mais investiu na geração de eletricidade com fontes eólicas e solares, também a China, apontada como futura líder do setor, confronta a realidade dos altos custos e da inadequação técnica de tais alternativas. Enquanto isso, um dos grandes investimentos anunciados pela União Européia nas energias “verdes”, o projeto Desertec, também enfrenta um estrondoso fracasso, diante da fuga de investidores.

Segundo analistas do mercado de energias “renováveis”, cerca de um quarto das fazendas eólicas construídas na China não estão conectadas ao sistema elétrico do país asiático, como reflexo de planejamento deficiente, insuficiências de linhas de transmissão e, sobretudo, das preocupações técnicas com a intermitência deste tipo de geração, uma vez que a produtividade destas usinas varia conforme as mudanças no regime de ventos. Conforme relatos da imprensa local, os problemas nos aerogeradores têm causado blecautes em três províncias, enquanto explosões nos equipamentos já resultaram em dezenas de mortes de trabalhadores (Alfin2300.blogspot.co.uk, 22/11/2012).

Em meio a tal cenário, as fabricantes chinesas de turbinas eólicas e painéis solares estão sofrendo crescentes prejuízos, devido à queda na demanda dentro e fora da China. Segundo analistas do setor, nos últimos anos, foram investidos cerca de 30 bilhões de dólares no desenvolvimento da indústria de energia renovável do país, que agora se encontra profundamente endividada.

Diante da crise, as indústrias do setor estão cortando gastos, em um esforço desesperado para garantir a sua sobrevivência. Este é o caso da Suntech Power Holdings (STP), que anunciou, em setembro, a demissão de 1.500 trabalhadores da sua fábrica de células fotovoltaicas, na província de Wuxi, tendo recebido mais de 32 milhões de dólares em empréstimos do governo, com a finalidade de evitar novos cortes de postos de trabalho. Já a LDK Solar, a segunda maior fabricante de painéis solares do país, foi forçada a vender 20% de suas ações, em meio aos preparativos para publicar um relatório informando um prejuízo de 987 milhões de dólares, apenas este ano.

Os prejuízos também são altos na indústria de energia eólica, responsável por 40% de toda a capacidade instalada deste tipo de fonte energética no mundo. Um caso típico é o da estatal China Datang Coportarion Renewable Power, uma das principais indústrias de eólicas do país, que sofreu uma queda de 76% nos lucros no ano corrente. Já a Sinovel Wind Group, a maior fabricante de turbinas do mundo (em valor de mercado), registrou um prejuízo de 45 milhões de dólares desde o início deste ano, como consequência de uma queda de 82% nas suas vendas.

Ou seja, apesar dos generosos subsídios e socorros do governo, as indústrias de “energia limpa” chinesas, assim como muitas de suas contrapartes ocidentais, vão muito mal das pernas. Segundo Pavel Molchanov, analista da companhia de investimentos estadunidense Raymond James & Associates, os balanços da indústria chinesa de usinas solares encontram-se numa situação tão deplorável, que elas “seriam candidatas à bancarrota iminente, caso fossem companhias americanas ou europeias”. Outro analista do mercado de energia “verde”, Aaron Chew, do Maxim Group (sediado em Nova York), afirmou que “os planos de subsídio do governo [chinês] são melhores do que nada, mas eu não acho que isso irá salvar tais indústrias do fato de serem pouco lucrativas”.

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