Enquanto outros países se apressam em avaliar as possibilidades da exploração dos hidrocarbonetos de folhelhos por meio da técnica de fraturamento hidráulico (fracking, em inglês), nos EUA, onde a tecnologia foi desenvolvida, aumentam as preocupações com os seus impactos ambientais, inclusive, a possível indução de terremotos.
Em Massachusetts, o comitê ambiental da Assembleia Legislativa estadual aprovou um projeto de lei que impõe uma moratória de dez anos ao emprego do «fracking» na exploração de gás natural. A medida se justifica como um meio de proteger os lençóis freáticos da contaminação que usualmente acompanha a técnica, baseada no fraturamento das rochas com jatos de alta pressão de água e uma mistura de produtos químicos. A água misturada ao gás ou petróleo liberados das rochas fraturadas é recolhida e os hidrocarbonetos são separados, sendo o líquido novamente injetado nas rochas.
O projeto de lei será, agora, submetido ao plenário do Legislativo estadual e, se aprovado, ainda precisará ser sancionado pelo governador Deval Patrick (AP, 29/11/2013).
O projeto foi aprovado um dia depois que a cidade de Azle, no norte do Texas, foi abalada por um terremoto de magnitude 3,6 na Escala Richter, o mais forte de uma série de abalos ocorridos nas últimas semanas, em uma área de sismicidade notoriamente insignificante. Geólogos da Universidade do Texas em Austin estão estudando a possibilidade de uma correlação entre a atividade sísmica e a injeção de líquidos em poços de disposição, prática comum nos EUA. Como os líquidos utilizados no «fracking» também são reinjetados nos poços, as suspeitas estão recaindo sobre a prática, que tem proliferado no país. Apenas no Texas, já foram perfurados quase 6 mil poços em formações geológicas de folhelhos (CBS, 26/11/2013).
Na Europa, países como a França e a Bulgária, simplesmente, proibiram a utilização do «fracking», embora outros, como a Polônia e a Ucrânia, tenham grandes expectativas com as possibilidades da tecnologia para a exploração dos seus folhelhos portadores de hidrocarbonetos.
No Brasil, onde a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já licitou as primeiras áreas abertas à exploração dos folhelhos, é de todo conveniente que não haja precipitação na introdução da técnica do «fracking», e que os seus impactos ambientais sejam rigorosamente apurados, com base na experiência estadunidense. Sem falar na sua real viabilidade econômica a médio e longo prazos, que, como já observamos neste sítio, também tem sido seriamente questionada por um número crescente de especialistas.

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