Bulgária: o alto preço da entrada na UE

A perspectiva de ingressar na União Europeia (UE) foi o estopim das manifestações que deflagraram a crise na Ucrânia, no final de 2013, depois que o então presidente Viktor Yanukovich recusou o acordo comercial oferecido pelo bloco (o atual presidente, Petro Poroshenko, acaba de assiná-lo). Não obstante, o entusiasmo dos ucranianos pelo bloco europeu, talvez, se arrefecesse um pouco, diante de um breve exame do alto preço pago pela Bulgária para a sua entrada.

Um artigo publicado no sítio da rede russa RT, em 15 de junho, apresenta números que só podem ser descritos como assustadores. O mais impressionante é a redução da população búlgara, que diminuiu em 582 mil pessoas nos últimos dez anos (e 1,5 milhão desde 1985), um recorde mundial, em relação ao tamanho da população. Segundo o Ministério da Saúde, em 2013, o país registrou a taxa de natalidade mais baixa desde 1945, último ano da II Guerra Mundial. “A Bulgária se derrete mais rapidamente que todos os outros países europeus. Só a Estônia demonstra um resultado pior. Ao longo dos nossos 1.300 anos de história, o país nunca esteve tão perto da desintegração”, disse o jornalista Ivo Khristov.

Como a Bulgária entrou na UE apenas em 2007, não se pode, estritamente, atribuir tais números ao ingresso no bloco, mas, sem dúvida, após quase sete anos, não houve qualquer reversão da tendência declinante; ao contrário, a “europeização” acarretou outros problemas sérios. O sentimento geral é de que não se cumpriram as promessas de que, na UE, os búlgaros viveriam melhor que no bloco soviético do século XX.

“Sim, nos unimos à UE, mas a UE não entrou em nós. Temos o mesmo governo corrupto, os mesmos funcionários corruptos, junto com normas, regras e procedimentos estritos da UE. Fomos destruídos, esmagados pela UE”, afirma o jornalista Andrei Kravets, acrescentando que a Ucrânia poderia vislumbrar o seu futuro, contemplando a Bulgária. Ele lamenta que os jovens estejam abandonando o país, em busca de melhores oportunidades de vida, mas, ainda assim, o desemprego, no Norte, atinge impressionantes 60% da população.

Para muitos, a Bulgária se converteu em uma “colônia política da UE”, como acusa Kravets. “A melhor ‘república tomateira’ do mundo deixou de produzir, inclusive, os tomates”, lamenta ele.

Kravets recorda que até mesmo um símbolo cultural do país, a célebre salada Shopska, se tornou um produto de luxo para a maioria dos búlgaros, devido aos preços dos alimentos importados: “A famosa receita Shopska, agora, inclui tomates turcos ou jordanianos, pimentão da Holanda e da Macedônia, cebola da China e queijo francês. O mercado local carece de tomates búlgaros, mas há um monte de tomates holandeses. Oitenta por cento de todas as frutas e verduras são importados.”

O vice-líder do partido Movimento Nacional Búlgaro (VMRO), Angel Dzhambazki, engrossa o coro dos descontentes. “Os checos, os austríacos e os alemães se apoderaram das redes búlgaras de distribuição de eletricidade; os franceses ganharam o sistema de água e esgoto, enquanto os belgas tomaram o cobre. Estas foram as condições secretas da adesão da Bulgária à UE”, acusa.

Como a economia da Ucrânia, definitivamente, não desfruta de uma situação melhor que da Bulgária pré-UE, Poroshenko e seus correligionários deveriam prestar bastante atenção em tais resultados, antes de submeter plenamente o seu país ao jugo de Bruxelas. Problemas, eles já têm suficientes, com o irredentismo das regiões separatistas do Leste e do Sul do país.

Semelhante cenário é bastante consistente, entre outros motivos, pelo entusiasmo com que os europeus têm promovido a ideologia do gênero.

MÁFIA VERDE





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