BRICS miram cooperação científico-tecnológica

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Um memorando de entendimento para institucionalizar a cooperação dos países membros do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia China e África do Sul) foi assinado no último dia 18 de março, em Brasília. Na ocasião, estiveram reunidos os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) das citadas nações, quando também firmaram a Declaração de Brasília, com as prioridades estabelecidas no 1º Encontro Ministerial de CT&I do BRICS, em fevereiro do ano passado, registradas na Declaração da Cidade do Cabo.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, afirmou que os documentos assinados “constituem sinais claros da vitalidade e do dinamismo dos BRICS, que estão assentados sobre bases muito firmes, seguras e sólidas, porque a iniciativa reúne as esperanças dos nossos povos e das nossas sociedades e tem o respaldo e o apoio dos nossos parlamentos, dos nossos poderes executivos”. Segundoe ele, essa “reunião coloca um importante tijolo na construção desse edifício que nós iniciamos há tão pouco tempo, mas que tem progredido como se fosse muito antigo (MCTI, 18/03/2015)”.

Rebelo afirmou aos colegas que o governo está comprometido com a construção e o aprofundamento dos compromissos firmados no âmbito dos BRICS:

Estamos convictos de que os BRICS surgiram e caminham juntos porque correspondem a necessidades importantes das nossas populações e também do mundo (…). Somos experiências civilizatórias que não ambicionam o exercício de hegemonias. Não buscamos a superação dos nossos desafios com base na superação dos nossos vizinhos e amigos. Lutamos pelo equilíbrio necessário, como pressuposto da convivência pacífica entre os povos e as nações.

Uma das prioridades brasileiras, disse ele, é a promoção de projetos relativos à prevenção e mitigação de desastres naturais, além de uma grande preocupação com temas como a produção de alimentos e aprimorar o acesso à saúde nos países em desenvolvimento.

De acordo com o subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, a intenção do memorando é a de criar uma estrutura institucional para canalizar a cooperação entre os países do bloco, com a finalidade de que os resultados almejados “possam efetivamente ser alcançados, a partir dessa estrutura e de outros canais, como um fórum de jovens cientistas sugerido pela Índia”.

Para o embaixador, os debates que tiveram lugar na 4ª Reunião de Altas Autoridades de Ciência, Tecnologia e Inovação dos BRICS destacaram a necessidade de clareza nos objetivos do bloco nessa área, e uma avaliação dos meios disponíveis para alcançá-los. A Declaração de Brasília, em sua opinião, atesta a importância estratégica que os cinco países atribuíram à CT&I no ano passado, durante o encontro na Cidade do Cabo: “O documento assinala os desenvolvimentos ocorridos no ano que se encerrou, registra a assinatura do memorando de entendimento e manifesta a disposição e o engajamento das nações para trabalharmos no plano de ação 2015-2018, a ser concluído na Rússia.”

Por sua vez, a vice-ministra russa da Educação e Ciência, Ludmila Ogorodova, confirmou que a 7ª Cúpula dos BRICS e o 3º Encontros de Ministros de CT&I do bloco estão marcados para o segundo semestre de 2015, na cidade russa de Ufa. Segundo ela, a Rússia tem como objetivos gerais lançar o banco de desenvolvimento dos BRICS e coordenar a estratégia de parceria econômica.

Na área de CT&I, o governo russo propõe uma serie de conferências, workshops e fóruns para estabelecer entendimentos de cooperação mútua em cinco áreas temáticas: mudanças climáticas e prevenção de desastres naturais, sob a responsabilidade do Brasil; recursos hídricos e ecologia, a cargo da Rússia; tecnologia geoespacial e suas aplicações, a ser realizado pela Índia; energias alternativas e renováveis, coordenada pela China; e astronomia, pela África do Sul.

Segundo Ogorodova, a “a presidência russa dos BRICS sugere uma integração cada vez maior em CT&I, com grande potencial para os países continuarem a aumentar suas produções científicas por meio de mecanismos específicos e instrumentos de cooperação multilateral. (…) Hoje, os cinco países desenvolvem parcerias de forma bilateral, mas a direção ideal seria o multilateralismo. Esse conceito deverá envolver ministérios e institutos de pesquisa”.

O vice-ministro chinês de Ciência e Tecnologia, Cao Jianlin, ressaltou o “grande esforço” dos BRICS para valorizar o papel da CT&I no progresso “das economias, dos desenvolvimentos e do bem-estar social” dos países membro, além de “melhorar a eficiência e a qualidade do crescimento”.

Harsh Vardhan, o ministro indiano da Ciência, Tecnologia e Ciências da Terra, declarou que os BRICS encabeçam uma nova dinâmica de “cooperação transcontinental” em CT&I no século XXI, com foco na abordagem de desafios comuns e na busca de “um crescimento rápido e sustentável que atenda às aspirações dos nossos povos”. Ele falou sublinhou também a necessidade de os países do bloco estabelecerem uma rede de centros de pesquisa e de consolidar o intercâmbio de cientistas e conhecimentos entre si.

Por fim, Naledi Pandor, ministra de Ciência e Tecnologia da África do Sul, definiu o bloco como uma plataforma de desenvolvimento para as nações: “Existem muitas oportunidades estratégicas na família BRICS que trarão imenso benefício para as nossas parcerias no continente africano, e temos o forte compromisso de avançar nessas iniciativas”. Neste sentido, ela destacou o papel de liderança da África do Sul na área de CT&I de todo o continente africano: “Nossos parceiros do BRICS têm cooperação substancial com diversas nações africanas, mas estamos prontos a contribuir, por meio de nossas extensas relações e experiência na região, na cooperação do bloco com o restante da África”.

O diálogo direto entre os setores de CT&I dos países membros do BRICS é uma iniciativa das mais promissoras, principalmente, em função das expectativas despertadas pelo grupo como um dos protagonistas da construção de uma nova ordem mundial mais justa e equilibrada. Por isso, tal articulação é uma necessidade imperativa – esperemos que se consolide.

One comment

  1. Só falta agora o Brasil seguir o exemplo de outros países e direcionar o dinheiro público para pesquisas que efetivamente alavanquem o país. Para começar com isto, o Brasil precisa parar de gastar dinheiro público com a inutilidade das “mudanças climáticas” e “aquecimento global”. Só com isto já economizaremos 1 bilhão de reais ao ano. Além disto, efetivar pesquisas em energia, e balancear melhor estas questões falaciosas de meio ambiente. China e Índia, por exemplo, já disseram não para a nova substituição de gases de refrigeração, desta que será a terceira substituição falaciosa!

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