Brasil terá ligações de fibra ótica com África e Europa

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Em meio à grave crise que o País atravessa atualmente, parte do governo brasileiro dá demonstrações de que consegue olhar para o futuro, com o intuito de melhorar a infraestrutura de telecomunicações internacionais do país e dificultar a bisbilhotice de agências de inteligência estrangeiras.

A mais nova ação nesse sentido foi a reunião do ministro das Comunicações, André Figueiredo, com o embaixador de Angola no Brasil, Nelson Cosme, e o CEO da Angola Cables, António Nunes, no dia 29 de fevereiro, para debater o projeto de instalação de um cabo submarino que deverá conectar o Brasil ao continente africano.

O projeto inclui dois cabos de fibras óticas: o South Atlantic Cable System (SACS), que irá de Fortaleza (CE) até Luanda, Angola; e o Monet, que conectará Santos (SP) a Miami, EUA, que também passará pela capital cearense, onde deverá ser construído um centro de dados (datacenter). O governo brasileiro aprovou ainda a criação de fundo de apoio ao desenvolvimento de projetos de telecomunicações, estimado em R$ 600 milhões. “O Brasil se configura como esse ponto de comunicação do continente sul-americano, e com a ligação com o continente africano, podemos diminuir a demora na transmissão de informações e aumentar a segurança dos dados”, afirma o ministro (ITForum365, 1/03/2016).

Segundo a Agência Angola Press (2/03/2016), o SACS terá uma extensão de 6.600 quilômetros e permitirá que as comunicações entre a África e a América do Sul sejam intensificadas, além de abrir a possibilidade uma posterior conexão direta do continente africano com a América do Norte, por meio do futuro hub em Fortaleza. A iniciativa, que pretende estabelecer Luanda como o principal hub de conexão da África com as Américas, e pôr fim à dependência deste continente em relação às rotas europeias, conta com ainda com a colaboração das empresas Algar Telecom, Google e Antel (do Uruguai).

Na reunião em Brasília, António Nunes destacou que o centro de dados da Angola Cables em Fortaleza terá um forte impacto socioeconômico na cidade, impulsionando os setores de serviços e produtivos da região. Ele estimou que o projeto poderá contribuir com cerca de R$ 30 bilhões para o PIB da cidade brasileira, até o ano de 2055.

O projeto de um terceiro cabo submarino também está sendo desenvolvido pela Telebrás, em parceria com a empresa espanhola InstaLink, e permitirá o tráfego de dados entre o Brasil e a Europa de forma direta, dispensando a atual passagem por Miami. A previsão é que o projeto, que proporcionará maior velocidade e economia na conexão entre os servidores brasileiros e europeus, deverá ser iniciado já no próximo mês, com investimentos de 250 milhões de dólares. Com 5.900 km de extensão, o cabo deverá partir de Santos, com hub em Fortaleza, e chegará a Sines, em Portugal.

Segundo o presidente da Telebrás, Jorge Bittar, “a nossa expectativa é que possamos iniciar essa etapa entre março ou abril do ano que vem”. Ele afirmou ainda que a empresa está finalizado as especificações técnicas para abrir um processo seletivo, de modo a receber propostas de potenciais fornecedores, e eleger a empresa que implantará o novo cabo submarino (ITForum365, 3/12/2016).

 

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