Brasil e EUA discutem parceria em submarino-robô

Em um workshop promovido pelo Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), no Rio de Janeiro, que reuniu pesquisadores de instituições nacionais e dos EUA, foi debatido o estabelecimento de uma parceria estratégica entre os dois países para fazer avançar projetos nas áreas de geologia marinha e oceanografia. A parceria poderá levar ao desenvolvimento de tecnologia para a construção de um submersível não tripulado, projeto que prevê reunir diversos centros de pesquisas, como a próprio CPRM, a Universidade de Brasília, o Instituto Oceanográfico Woods Hole, a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) e outros.

Os participantes também debateram a criação de um ambiente tecnológico que proporcione o desenvolvimento de estudos em robótica, computação, engenharia, além de novas fontes de financiamento de projetos que visem ampliar as pesquisas sobre o fundo dos oceanos. Roberto Ventura, diretor de Geologia e Recursos Minerais da CPRM, destacou a importância do evento para a criação de um ambiente que favoreça o desenvolvimento tecnológico: “Queremos desenvolver equipamentos para reconhecimento remoto, geração de imagens em alta definição, e até a caracterização do fundo do mar por sinais acústicos (CPRM, 14/03/2014).”

O diretor da CPRM afirmou ainda acreditar que uma parceria entre as diversas instituições de ponta pode ajudar a desenvolver um parque tecnológico nacional de excelência: “Nesse momento só podemos falar em possibilidades. O encontro serviu para mostrar que o Brasil possui equipes em condições de não apenas propor projetos, mas desenvolver ferramentas e equipamentos, e uma futura parceria com os EUA nos permitirá partir de uma plataforma de conhecimento que pode ajudar a desenvolver novas tecnologias de acordo com nossas necessidades.”

No mesmo tom, Peter Hacksparcher, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), avalia que o País precisa desenvolver as pesquisas oceânicas, mas que tal objetivo só pode ser alcançado por meio de parceria com pesquisadores de outros países: “Esse encontro permite a aglutinação de conhecimentos e de potencialidades existentes no Brasil. Universidades e centros de pesquisa presentes nesse encontro podem dar uma contribuição importante para o desenvolvimento dessa área tão importante para a soberania nacional.”

Na avaliação de Robert Munier, vice-presidente do Instituto Oceanográfico Woods Hole, o encontro foi uma oportunidade para a colaboração entre Brasil e EUA na área de ciências, e para a troca de experiências: “Participar de encontros assim nos dá a oportunidade de aprender também. Vejo que há o interesse em algumas de nossas tecnologias, e nós estamos felizes de participar dessas conversas que poderão trazer bons resultados. Esperamos poder compartilhar o que nós estamos fazendo, e discutir a transferência de algumas tecnologias para ajudar o Brasil a desenvolver um novo veículo autônomo.”

Munier destacou que o Woods Hole é a maior instituição oceanográfica do mundo, e que tem ênfase na conexão entre engenharia e ciência: “Por isso nós temos a oportunidade de estar à frente dos principais desenvolvimentos e uso de submersíveis tripulados nos últimos 50 anos. Nós desenvolvemos os primeiros ROVs e AUVs [respectivamente, submarinos robôs de controle remoto e autônomos] científicos. Nossa história nos permite participar da próxima geração de inventos que serão usados no Brasil.”

Para Carl Kaiser, cientista do Woods Hole, o Brasil tem um grande potencial e muitas universidades produzindo trabalhos de excelência: “Nós temos conhecimento histórico, muita capacidade de desenvolver novas tecnologias também e provavelmente teremos muitos pontos em comum para que possamos fazer projetos juntos no futuro.”

De fato, o País necessita avançar rapidamente nesta área de pesquisas e, além do desenvolvimento de um submarino não tripulado, é conveniente providenciar o quanto antes um submarino de pesquisas tripulado. Para tanto, será preciso recorrer ao auxílio de países avançados na área – Rússia, China, EUA, França e Japão -, de preferência, em um esquema de compra do veículo com transferência de tecnologia.

x

Check Also

Embraer: hora de o Estado agir com inteligência e ousadia

Por Luís Felipe Giesteira, Thiago Caliari e Marcos José Barbieri Ferreira* É difícil superestimar a ...