“Aquecimentistas” marcam datas para caos climático

Um novo estudo, produzido por uma equipe de cientistas da Universidade do Havaí, reforça a ofensiva dos defensores da infundada hipótese da influência humana no clima global. Com base nas habituais simulações e projeções de modelos computadorizados, o estudo afirma que o ano de 2047 marcará o início do apocalipse climático e defende o corte de emissões dos setores produtivos mundiais.

Publicado na prestigiada revista científica britânica Nature, o estudo aponta que em 2047 a maior parte do planeta terá temperaturas médias superiores às registradas em qualquer outro período entre 1860 e 2005. “Pense no evento mais quente e traumático que você já experimentou. Ele, no futuro, será um fenômeno normal… Vemos, hoje, cada vez mais notícias sobre pessoas que morrem devido a ondas de calor. Não tenho dúvidas de que este número vai crescer”, afirmou o autor principal do estudo, Camilo Mora, em entrevista ao jornal O Globo (10/10/2013).

Para Mora, o aumento dos ditos eventos extremos seria inevitável: “Quando deixamos um ecossistema, como a floresta tropical, exposto às mudanças climáticas, haverá uma menor oferta da comida e da água que precisamos. A redução da produção agrícola e da pesca são exemplos de como a sociedade não pode fazer vista grossa para os eventos climáticos.”

O tom catastrofista, no entanto, alcança o ápice quando diz: “A realidade é: não importa o que façamos, vamos sofrer com os eventos extremos, como o aumento da temperatura… Teremos que passar por um teste, a adaptação a um novo ambiente.”

Para chegar a tais conclusões alarmistas, Mora explica que a sua equipe dividiu o planeta em mais de dez mil regiões e projetou um total de sete variáveis climáticas, entre eles índices de precipitação, evaporação, transpiração e temperatura do mar, além de 39 modelos climáticos desenvolvidos por 21 grupos de 12 países. Estes modelos projetaram quando cada uma dessas regiões começaria a ficar, constantemente, acima dos limites elaborados pelo levantamento das séries históricas de temperaturas, definidas pela observação dos mínimos e máximos de cada região, entre 1860 e 2005. Os pesquisadores batizaram o ano em que isso ocorreria como um “climate departure” (algo como “desvio de clima”).

Com base em tal metodologia, o estudo afirma que os trópicos serão a primeira região do planeta a ser afetada pelo aquecimento global antropogênico (AGA). Nesse sentido, o documento aponta que, no Rio de Janeiro, onde a temperatura média anual na atualidade é de 23,5°C, passaria a ser de 26°C, enquanto que, em São Paulo, a média passaria dos atuais 22°C para 24,5°C. No cenário dos pesquisadores estadunidenses, Havana (Cuba) e a Cidade do México ultrapassariam esse ponto de “desvio” no ano de 2031, enquanto que Acra (Gana) e Porto Príncipe (Haiti) ultrapassariam a marca em 2027 e 2025, respectivamente.

Além disso, os autores aplicaram o mesmo método de “prognóstico” (que está mais para premonição) de variações climáticas na avaliação do pH dos oceanos, afirmando que o “desvio” para o pH oceânico já aconteceu. Segundo o estudo, desde 2008, o pH estaria abaixo de qualquer registro desde 1850 e tal fenômeno deverá continuar se aprofundando – o que, segundo eles, resultará na morte de grande parte dos recifes de corais essenciais para os ecossistemas marinhos. “Nossos resultados sugerem que os países a serem primeiro impactados por um clima sem precedentes são justamente os que possuem menos capacidade para se adaptar. Ironicamente, esses também são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas”, afirmou o coautor do estudo, Ryan Longman (Carbono Brasil, 10/10/2013).

No entanto, em meio ao alarmismo e pessimismo de tais números, o Dr. Mora fez uma notável ressalva: o calendário do caos pode ainda ser alterado e as temperaturas recordes podem ser atrasadas em 20 ou 25 anos, caso haja um esforço global para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2). Segundo o cientista, “vale a pena discutir como podemos ganhar tempo até desenvolvermos um meio para que esta transformação seja menos traumática”. Ou seja, as décadas extras obtidas pelo rígido controle das emissões proporcionariam o tempo necessário para que a humanidade possa desenvolver tecnologias que auxiliem na sua adaptação às mudanças.

No âmbito de tamanha propaganda “aquecimentista”, o Dr. Mora foi honesto ao menos em um momento: quando, na entrevista ao Globo, afirmou que os estudos climáticos efetuados por ele e seus colegas adeptos do AGA são como uma “junção entre a ciência, o público e a economia. Por isso, não é de se estranhar que qualquer nova descoberta provoque grande interesse do público, mas também seja altamente politizada”. Na sequência, como se poderia esperar, fez um ataque aos críticos do catastrofismo climático, ao afirmar que “o grau em que essas descobertas podem gerar mudanças positivas é frequentemente afetado por ataques à credibilidade da ciência”.

O preocupado cientista seria ainda mais honesto se reconhecesse que o seu trabalho se soma ao incansável esforço das hostes “aquecimentistas” para preservarem as suas rentáveis atividades, de modo a seguir sendo um fator de influência na definição das políticas públicas da maioria dos países.

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