Acordo garante operação do navio de pesquisas da MB por três anos

E mais uma boa notícia, para variar.

Um acordo de governança assinado em 29 de agosto irá garantir pelos próximos três anos o custeio e manutenção do Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira da Marinha do Brasil (MB).

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a própria pasta, a Marinha do Brasil e a Petrobras vão investir no navio R$ 18,7 milhões cada uma, no período de três anos. A Vale vai repassar R$ 1,45 milhão e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), R$ 17,2 milhões no mesmo período.

A aquisição do navio, construído na China, foi proporcionada por uma parceria do governo federal com a Vale e a Petrobras, tendo começado a operar em 2015.

O navio custou o equivalente a R$ 162 milhões, sendo R$ 70 milhões da Petrobras, R$ 38 milhões da Vale, R$ 27 milhões do MCTI e R$ 27 milhões da MB.

A embarcação tem cinco laboratórios e capacidade para até 60 cientistas, permitindo pesquisas em todas as áreas referentes à oceanografia, geologia marinha, recursos pesqueiros e meteorologia. Entre os seus recursos tecnológicos, conta com um veículo de operação remota (ROV) para operar a até 4 mil metros de profundidade.

Segundo o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, o acordo possibilitará a ampliação da capacidade de pesquisa hidroceanográfica da Força, “em prol de toda a ciência brasileira”. “O Brasil guarda uma imensidão de riquezas minerais e biológicas nas suas águas e na plataforma continental. Vai ser por intermédio dessas pesquisas que nós vamos ter acesso a essas riquezas e, principalmente, a maneira mais sustentável de utilizar essas riquezas”, disse o oficial, na cerimônia de assinatura do acordo (Agência Brasil (29/08/2018).

Além dos parceiros iniciais, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) – Serviço Geológico do Brasil foi incorporada ao esforço. Segundo Leal Ferreira, o convênio marca uma “profunda guinada na maneira como fazemos ciência nos oceanos brasileiros”.

“A pesquisa científica não é só o investimento inicial. O custeio é muito caro. O investimento inicial foi feito com esses entes e agora a continuação da manutenção do navio será mantido por eles mais a CPRM, o que vai permitir que a gente opere o navio no seu limite”, afirmou.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, destacou a importância da pesquisa oceanográfica para a geração de empregos e alimentos para a população brasileira: “Mais do que regras, é o modelo de governança, um compartilhamento de uso, com isso trazendo mais eficiência nesse uso, reduzindo custo, permitindo avançarmos com mais rapidez em diversas áreas na pesquisa, na ciência, na inovação, naquela que é a nossa Amazônia Azul.”

O diretor da CPRM, Antônio Carlos Bacelar, disse que o acordo é um marco histórico para a ciência do nosso país: “É preciso avançar nos estudos do fundo do mar e esse navio hidroceanográfico vai, sem sombra de dúvida, trazer uma aproximação maior entre os Entes Federativos que estudam a geociência, a biologia e a biota do fundo do mar, que tem tantas surpresas para se tornar realidade para o povo brasileiro. Nosso país vai continuar na vanguarda para preservar os recursos do mar.”

O representante da Petrobras, Gustavo de Castro, informou que a empresa investiu no projeto desde o começo e tem interesse nas áreas de meio ambiente, geotecnia, sedimentologia, estratigrafia e oceanografia.

Segundo o almirante Leal Ferreira o navio é usado em benefício das instituições parceiras, cada qual com as suas necessidades e os seus interesses de pesquisa: “Nós vamos fazer, ao longo do ano, uma divisão de tempo para atender a todas as necessidades desses parceiros. E a própria Marinha tem as suas necessidades de pesquisa.”

Um dos projetos de pesquisa em andamento é sobre a Elevação do Rio Grande, localizada em águas internacionais no Atlântico Sul, a mais de 1.100 quilômetros da costa brasileira. “É uma região em frente ao Rio Grande, um pouco afastada da costa brasileira, que é muito rica em minerais. Tem uma crosta cobáltica e tem a possibilidade de ter terras raras, tem outros países inclusive que já pediram áreas ali para pesquisar e depois explorar economicamente. Tem um potencial muito grande”, disse o comandante da MB.

O navio também foi usado para um estudo sobre o impacto da lama dos rejeitos da barragem da mineradora Samarco, que rompeu em 2015, no município de Mariana (MG), provocando poluição ambiental na bacia do Rio Doce e no litoral norte do Espírito Santo.

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