A estagnação da “energia verde” no mundo

Diversos países têm investido colossais somas de recursos no desenvolvimento de fontes energéticas “verdes”, com o objetivo de reduzir as emissões de carbono, pelo seu suposto papel em causar um aquecimento global. Entretanto, após mais de três décadas de esforços, não se verificou um avanço apreciável na participação destas fontes na matriz energética global, a despeito da retórica sobre a promoção da chamada “economia de baixo carbono”.

Os dados sobre o consumo de energia no mundo mostram que a participação das fontes que não emitem carbono (incluindo a hidroeletricidade e a geração nuclear) mais que dobrou, entre 1965 e 1999, atingindo mais de 13% de participação no quadro do consumo global de energia. A elevação observada no período coincidiu, em especial, com a grande ampliação da geração nuclear (que cresceu em um fator de 100) e da hidroeletricidade (que se expandiu em um fator de 6) (The Breakthrough Institute, 9/07/2013).

Porém, desde o início da década passada, muito pouco progresso foi observado, já que a participação das fontes não emissoras de carbono não avançou e, em vez disto, teve uma leve retração. Segundo dados do estudo Statistical Review of World Energy 2013, publicado pela empresa British Petroleum, o ano de 1999 foi o pico das fontes não-emissoras de carbono na geração mundial. O documento demonstra ainda que, entre 1999 e 2012, embora a participação da energia solar tenha se ampliado por um fator de 100 e a eólica por um fator de 25, tais tipos de geração continuam representando apenas 1% do total de energia consumida anualmente pela economia global.

Igualmente, o estudo revela que o ressurgimento do carvão como fonte energética deu uma contribuição crucial, no sentido de manter as fontes não-emissoras de carbono no mesmo patamar de participação na matriz global. Entre 2002 e 2012, o mundo ampliou o consumo anual de energia no equivalente a 2,5 bilhões de toneladas métricas de óleo. Entretanto, em 2012, somente 14% de toda a energia nova que entrou para a matriz global naquele ano era proveniente de fontes não-emissoras de carbono – contra 19%, em 2002.

Ainda que fossem, realmente, necessárias para reduzir o hipotético impacto humano no clima global, a estagnação das fontes não-emissoras de carbono na matriz energético global explicita, de forma inequívoca, a ineficiência dos caros programas de “descarbonização” implementados por diversos países, inclusive o Brasil. Concentrando a maior parte desses investimentos na construção de usinas solares e eólicas, que aliam um custo elevado a uma produtividade muito baixa, tais programas têm, no entanto, fracassado no intento de reduzir as fontes emissoras de carbono, principalmente, o carvão mineral e o gás natural.

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