UE ameaça “guerra aérea” por mercado de carbono

Diante da visível estagnação do mercado de créditos de carbono, o pilar central de sua controvertida política ambiental, a União Europeia (UE) decidiu a adoção de drástica medidas para mantê-lo no ar – no caso, literalmente -, recorrendo à imposição de cotas de emissões de carbono às empresas aéreas que operam no continente, mesmo de países de fora dele. Oficialmente em vigor desde o início do ano, a resolução obrigará as empresas a participar do Emission Trading Scheme (ETS), nome oficial do seu mercado de créditos de carbono, que tem movimentado valores da ordem de 140 bilhões de dólares anuais, mas não se expandiu como esperado, em função da crise econômico-financeira global e, em menor escala, do crescente descrédito do alarmismo climático, no qual se baseia o mercado de carbono.

Embora as empresas só tenham que começar a pagar pelas emissões no próximo ano, estimativas da própria UE dão conta de que a medida deverá representar um aumento médio de 24 euros no valor das passagens, nos voos de longo curso sobre os países membros. Perspectiva que não agrada nem um pouco às empresas, já bastante afetadas pela crise.

Porém, a UE se defronta agora com a perspectiva de uma “guerra aérea”, pois os governos da China, Índia, Rússia, EUA e outros países estão se opondo de forma determinada à medida. Em retaliação, o governo chinês proibiu as suas empresas aéreas de aderir ao esquema e ordenou-lhes que suspendessem as encomendas de novos aviões à Airbus europeia, e a Índia dá sinais de que poderá fazer o mesmo (AFP, 12/03/2012).

Outras duas dúzias de países estão se opondo com firmeza à medida, afirmando que ela viola o Direito Internacional.

Um sinal de que tais pressões estão começando a surtir efeito é a carta assinada pela Airbus e as aéreas europeias British Airways, Virgin Atlantic, Lufthansa, Air France, Air Berlin e Iberia, exigindo que Bruxelas cancele a medida. Segundo o documento, a insistência com ela poderá provocar a perda de milhares de empregos, além de acarretar prejuízos bilhões de dólares.

Segundo uma fonte citada pela AFP, as gigantes europeias questionam “a natureza unilateral de tal medida” e defendem que a questão do ETS deve ser negociada por meio do diálogo com todas as nações relevantes, com a participação da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês).

Todavia, a Dinamarca, que atualmente ocupa a presidência rotativa da UE, parece disposta a insistir no erro. Segundo o ministro do Clima, Energia e Construções, Martin Lidegaard, o bloco europeu deverá manter a medida, enquanto uma solução internacional não for encontrada. Semelhante inflexibilidade e falta de visão, que aumenta ainda mais as pressões sobre a já fragilizada economia europeia, em nome de uma ideologia sem qualquer vínculo com a realidade, denota que, mais que uma crise econômica, a crise europeia é uma crise de visão do mundo.

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