Telhados brancos, benefícios obscuros

Um grupo de cientistas e pesquisadores paulistas está encabeçando uma reação à chamada “Lei dos Telhados Brancos”, a qual determina que todos os tetos e telhados da cidade sejam pintados de branco, para ajudar a combater o aquecimento global. A lei já foi aprovada em primeira votação pela Câmara Municipal de São Paulo, em dezembro de 2010, e se aprovada em definitivo e sancionada pela Prefeitura, obrigará todos os proprietários de imóveis a cumprir as suas determinações em até 180 dias após a sua data de efetivação.

Coordenado pelo Dr. Ricardo Augusto Felício, professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), e pelo Dr. Antonio Jaschke Machado, professor de Climatologia da Universidade Estadual Paulista (UNESP), o grupo está divulgando uma carta aberta intitulada “Telhados brancos, benefícios obscuros”, na qual demonstram a total falta de fundamentação científica para a iniciativa e alertam a população paulistana para a necessidade de uma mobilização contra o projeto de lei.

Já publicado em vários sítios, o documento afirma que a implementação do projeto de lei, de autoria do vereador Antonio Goulart (PMDB), “não proporcionará qualquer vantagem para a sociedade em geral, apenas ônus para a quase totalidade dela – e lucros e receitas questionáveis para uns poucos”.

“O problema principal é que tais justificativas não têm qualquer base científica e a forma como o projeto foi discutido e aprovado em primeira instância, sem uma ampla discussão envolvendo a comunidade científica e técnica, que poderia aportar subsídios relevantes a ela, denota a forma superficial com que as questões ambientais têm sido apresentadas à sociedade em geral, criando um contexto em que poucos questionam as reais motivações de tais medidas”, afirma o texto.

Os autores ressaltam que um único fato elementar já seria suficiente para inviabilizar a proposta, caso a sua motivação tivesse realmente uma base científica:

(…) Os telhados constituem apenas uma fração reduzida das construções. Em uma cidade altamente verticalizada como São Paulo, as superfícies combinadas de todas as paredes externas, muros, calçadas etc. superam em muito as áreas dos telhados. Como o Sol “passeia” pelo céu durante todo o dia, todas essas superfícies são atingidas pelos seus raios, em ângulos que variam com as horas do dia e as estações do ano; desta maneira, todas elas permanecem durante todo o período de insolação transformando as ondas curtas da luz do Sol em ondas longas que geram calor. (…)

Para os autores, “os únicos beneficiários de uma lei tão esdrúxula seriam os fabricantes de tintas e, eventualmente, a Prefeitura, caso se decidissem aplicar multas aos proprietários que não pintassem seus telhados no prazo estabelecido ou, posteriormente, deixassem de manter devidamente limpos os seus telhados”.

Por isso, concluem, “a população de São Paulo precisa estar atenta e se mobilizar para impedir a sua aprovação – inclusive, para evitar que iniciativas semelhantes sejam adotadas em outras cidades e estados do País”.

O texto completo do documento pode ser consultado, entre outros, no sítio Fake Climate.com.

One comment

  1. Isso só pode ser uma piada gerada pelos vereadores de São Paulo. Alguém já explicou para esses indivíduos que a energia dos condicionadores de ar, lâmpadas, computadores utilizados na sessão da Câmara para a discussão e aprovação deste projeto pode ter gerado mais CO2 do que queria ter economizado na pintura dos telhados?

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