Fatores “extraterrestres” apontam para resfriamento global

No mundo real, em lugar do imaginário aquecimento global, várias tendências sugerem que o planeta pode estar a caminho de algumas décadas de resfriamento, com consequências potencialmente bem mais sérias que um aquecimento. É o que afirmam, entre muitos outros, os canadenses Ray Garnett, Madhav Khandekar e Rupinder Kaur, veteranos pesquisadores das implicações climáticas para a agricultura.

Segundo eles, há evidências de uma queda de até 2oC nas temperaturas das Pradarias (Prairies) canadenses, nas últimas três décadas. O trabalho, discutido neste sítio (06/11/2020), apresenta fatos incomparavelmente mais preocupantes do que as elucubrações teóricas dos adeptos da linha “aquecimentista”:

Durante os meses de cultivo de grãos de maio-julho, a temperatura média das Pradarias canadenses diminuiu em 2oC nos últimos 30 anos. O resfriamento parece ser, muito provavelmente, ligado à diminuição da atividade solar, na medida em que o Sol se aproxima de um Grande Mínimo Solar, na próxima década ou em torno dela. Este resfriamento tem levado a uma redução nos Graus-Dia de Desenvolvimento (GDD) e também tem impactado os padrões de precipitação. Os GDDs, em conjunto com as médias de temperatura e precipitação, são parâmetros importantes para o crescimento de vários tipos de grãos (trigo, cevada, canola etc.), nas Pradarias.

Neste estudo, nós investigamos o impacto dos GDDs declinantes e dos padrões associados de temperaturas e precipitações sobre os rendimentos e a qualidade dos grãos nas Pradarias. A nossa análise mostra que houve uma perda de cerca de 100 GDDs no período 1985-2019. A perda de GDDs também está ligada a alguns dos parâmetros atmosfera-oceanos de grande escala, como a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) Índice do Pacífico Norte (IPN) e Oscilação Ártica (AO). A nossa análise sugere que os rendimentos e a qualidade dos grãos poderão ser significativamente impactados nos próximos anos, na medida em que a atividade solar continua a diminuir. [Grau-dia é a diferença entre a temperatura média diária e a temperatura base exigida por uma determinada espécie vegetal cultivada; temperatura base é a temperatura abaixo da qual a planta tem o seu crescimento interrompido. – n.e.]

Os autores apontam, inequivocamente, para a influência da atividade solar como o fator crucial da variabilidade climática: “Muitos cientistas solares são, agora, de opinião que o Sol é o fator primário do clima da Terra.”

As conclusões são diretas:

(…) Na medida em que o Sol se aproxima de um Grande Mínimo Solar, há o risco de que as Pradarias canadenses se tornem mais frias, o que é prejudicial ao crescimento e à qualidade dos grãos. Este estudo também levanta questões sobre perdas de GDD em outras áreas agrícolas de latitudes altas do Norte da Europa, Sibéria e áreas ao Sul da Argentina e do Chile.

Como se vê, não há qualquer menção às concentrações crescentes de COe outros dos temidos “gases de efeito estufa”, como fatores relevantes para o clima da principal área de cultivos agrícolas do Canadá.

Outro crítico ferrenho do “cenário CO2” é o brasileiro Luiz Carlos Molion, pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Em um artigo publicado no sítio MSIa Informa (“Aquecimento global antropogênico: fatos e mitos”, 03/03/2021), ele expõe argumentos convergentes com os dos pesquisadores canadenses e também antecipa um resfriamento no futuro próximo, destacando também a importância dos fatores astrofísicos para o clima terrestre:

Aqui, exploraram-se os principais controladores do clima global de prazo relativamente curto, décadas, razoavelmente “bem-comportados”, que são o fluxo de radiação solar que é absorvido pelo planeta, a cobertura de nuvens global e a temperatura da superfície dos oceanos. Contrariamente às previsões do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], esses controladores estão indicando que a tendência do clima nos próximos 10-12 anos – e há quem diga, para os próximos 22-24 anos – é de ligeiro resfriamento global, e não de aquecimento, um resfriamento semelhante ao do período 1946-1975, resultante de uma frequência maior de invernos mais rigorosos.

A intensidade da atividade solar apresenta ciclos de intervalos de tempo variados, dos quais nos interessa particularmente o Ciclo de Manchas Solares – que dura cerca de 11 anos e cuja numeração teve início em 1749 (Ciclo 1) – e o Ciclo de Gleissberg, da ordem de 100 anos. No Ciclo de 11 anos, o número de manchas – n° de Wolf, que é uma medida da atividade solar – começa praticamente com zero mancha, atinge um máximo em cerca de quatro anos e decresce novamente para zero nos sete anos subsequentes.

Tanto no início quanto no final de um Ciclo de Gleissberg (100 anos), ocorrem dois a três Ciclos de Manchas de 11 anos com média mensal máxima de manchas relativamente baixa. Entre 1796 e 1820 (mínimo do Ciclo de Gleissberg), os Ciclos 5 e 6 de manchas apresentaram média mensal máxima muito baixa e igual a 79 manchas, em 1804, e 78 manchas, em 1816. Esse período foi chamado de “Mínimo de Dalton” e foi um período frio. No início do século XX, ocorreu outro mínimo do Ciclo de Gleissberg, também um período frio, e seu máximo ocorreu no Ciclo 18 de manchas (1957), com média mensal máxima de 269 manchas. A partir de 1957, os máximos de manchas em cada Ciclo de 11 anos começaram a diminuir, indicando que a atividade solar estava se reduzindo (ver figura abaixo).

Prosseguindo, diz Molion:

Em 2020, começou o Ciclo 25 de manchas, que inaugura um novo mínimo do Ciclo de Gleissberg, e os físicos solares preveem que o Ciclo 25 (2020 a 2030), e possivelmente o Ciclo 26 (2031 a 2041), apresentarão atividade inferior ao Mínimo de Dalton, ocorrido há 200 anos. Sabe-se que a baixa atividade solar enfraquece o campo magnético solar que protege os planetas da “chuva” de raios cósmicos galácticos (RCG) provenientes de explosões de estrelas supernovas. O campo magnético solar enfraquecido permite o aumento do fluxo de RCG que entra na atmosfera terrestre que, por sua vez, provoca um aumento da cobertura de nuvens globalmente, de acordo com a teoria do físico dinamarquês Henrik Svensmark. Esse aumento resultará em uma redução da entrada do fluxo de radiação solar no Planeta que resfriará os oceanos e, estes, o clima global. Ou seja, os principais controladores do clima global na escala temporal de décadas estão apontando para um resfriamento global entre 2020 e 2040, e não um aquecimento como prevê o IPCC.

Pode-se imaginar que a perspectiva de que o planeta esteja se encaminhando para mais um período frio será uma surpresa para os que preferem privilegiar os modelos teóricos, em detrimento das observações do mundo real. Não se trata de um novo período glacial, mas de algumas décadas de temperaturas bem mais baixas do que as mais recentes.

Os registros históricos sugerem que os períodos frios sempre criaram muito mais problemas para a humanidade do que os quentes. Assim, as consequências da presente histeria global com uma elevação de temperaturas, que não difere em nada dos ciclos climáticos observados nos últimos milênios, poderão ser desastrosas, se se confirmarem os prognósticos de estudos como esse e numerosos outros, baseados em evidências reais.

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