{"id":998,"date":"2014-03-21T18:35:34","date_gmt":"2014-03-21T18:35:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=998"},"modified":"2014-03-21T18:35:34","modified_gmt":"2014-03-21T18:35:34","slug":"putin-aula-de-estadismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/putin-aula-de-estadismo\/","title":{"rendered":"Putin: aula de estadismo"},"content":{"rendered":"<p>O discurso do presidente russo Vladimir Putin, proferido no Kremlin, em 18 de mar\u00e7o, diante dos membros do Parlamento e representantes das regi\u00f5es e da sociedade russas, com a presen\u00e7a dos l\u00edderes da rec\u00e9m-independente Crimeia, \u00e9 uma pe\u00e7a que j\u00e1 pode ser considerada hist\u00f3rica. No cen\u00e1rio mundial p\u00f3s-Guerra Fria, n\u00e3o \u00e9 todo dia que um l\u00edder nacional se atreve a contestar ostensivamente a ordem global estabelecida e, mais ainda, descrever a realidade internacional como ela \u00e9, sem os floreios ret\u00f3ricos que costumam marcar os discursos dos invertebrados chefes de Estado e de governo dos pa\u00edses que se submetem ao hegemon de plant\u00e3o &#8211; no caso, os Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, as lideran\u00e7as pol\u00edticas e a grande m\u00eddia da maior parte do Ocidente est\u00e3o se esmerando em apresentar Putin como a nova grande amea\u00e7a \u00e0 estabilidade mundial, um saudosista que, supostamente, quer reconstruir a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, como demonstraria a sua \u00abanexa\u00e7\u00e3o\u00bb da Crimeia. Como sugeriu o renomado historiador brit\u00e2nico Timothy Garton Ash, um dos favoritos do <em>Establishment<\/em> anglo-americano: \u00abCom uma ret\u00f3rica mais t\u00edpica de 1914 do que de 2014, a R\u00fassia de Putin \u00e9 hoje uma pot\u00eancia revanchista (<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, 19\/03\/2014).\u00bb<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, para qualquer observador minimamente atento e objetivo, a histeria contra o l\u00edder do Kremlin tem origem, precisamente, no fato de que ele consolidou a \u00ablinha vermelha\u00bb esbo\u00e7ada em agosto de 2008, por ocasi\u00e3o da curta guerra contra a Ge\u00f3rgia, para delimitar um per\u00edmetro de seguran\u00e7a, al\u00e9m do qual n\u00e3o permitiria mais o avan\u00e7o da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) sobre a \u00e1rea de influ\u00eancia da extinta URSS. Como observou, com muita propriedade, a jornalista Vivian Oswald, em um artigo publicado no jornal <em>O Globo<\/em> de 19 de mar\u00e7o:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Os avan\u00e7os da OTAN rumo ao Leste jamais levaram em conta as suscetibilidades russas. E a Ucr\u00e2nia, com sua conhecida fratura identit\u00e1ria, foi transformada em cabo de guerra. A Uni\u00e3o Europeia nunca hesitou em tomar partido nas disputas internas &#8211; e apressou-se, junto com os EUA, em reconhecer um novo \u00abgoverno\u00bb, apesar das credenciais democr\u00e1ticas mais que duvidosas de seus integrantes. O presidente deposto, Viktor Yanukovich, embora sabidamente corrupto, fora eleito democraticamente &#8211; \u00e0 maneira que faz gosto ao Ocidente. Ou nem tanto, a depender do caso.<\/p><\/blockquote>\n<p>Oswald, que foi correspondente do jornal em Moscou, \u00e9 um raro caso de comentarista que escreve com os imprescind\u00edveis conhecimento de causa, objetividade e honestidade intelectual, ao descrever acontecimentos com um potencial de impactos de enorme gravidade no cen\u00e1rio internacional, ao contr\u00e1rio da esmagadora maioria dos seus colegas da m\u00eddia ocidental, que pouco v\u00e3o al\u00e9m de repetir os chav\u00f5es emanados das sedes de governo e chancelarias, em Washington e nas capitais europeias.<\/p>\n<p>Em seu discurso, Putin colocou o dedo na ferida:<\/p>\n<blockquote><p>Como um espelho, a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia reflete o que est\u00e1 acontecendo e o que tem acontecido no mundo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da bipolaridade no planeta, n\u00e3o temos mais estabilidade. Institui\u00e7\u00f5es internacionais chaves n\u00e3o est\u00e3o se fortalecendo; ao contr\u00e1rio, em muitos casos, est\u00e3o se degradando. Os nossos parceiros ocidentais, liderados pelos EUA, preferem n\u00e3o guiar-se pelo direito internacional em suas pr\u00e1ticas pol\u00edticas, mas pela lei das armas. Eles acreditam na sua exclusividade e excepcionalismo, que podem decidir os destinos do mundo, que apenas eles podem estar sempre certos. Eles agem ao seu bel prazer: aqui e acol\u00e1, eles usam a for\u00e7a contra Estados soberanos, construindo coaliz\u00f5es baseadas no princ\u00edpio de \u00abse voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o conosco, est\u00e3o contra n\u00f3s\u00bb. Para fazer tais agress\u00f5es parecerem leg\u00edtimas, for\u00e7am as necess\u00e1rias resolu\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es internacionais e, se por algum motivo, isto n\u00e3o funcionar, simplesmente, ignoram o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e a pr\u00f3pria ONU.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sem meias palavras, ele apontou o objetivo \u00faltimo da agenda anglo-americana:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s entendemos o que est\u00e1 acontecendo; n\u00f3s entendemos que essas a\u00e7\u00f5es foram dirigidas contra a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia, e contra a integra\u00e7\u00e3o eurasi\u00e1tica. E tudo isto enquanto a R\u00fassia se empenhava em engajar-se num di\u00e1logo com os nossos colegas no Ocidente. N\u00f3s estamos, constantemente, propondo a coopera\u00e7\u00e3o em todos os assuntos chave; n\u00f3s queremos fortalecer o nosso n\u00edvel de confian\u00e7a, para que as nossas rela\u00e7\u00f5es sejam iguais, abertas e justas. Mas n\u00e3o vimos quaisquer passos de reciprocidade. Ao contr\u00e1rio, eles nos mentiram muitas vezes, tomaram decis\u00f5es por tr\u00e1s das nossas costas e nos apresentaram um fato consumado. Isto ocorreu com a expans\u00e3o da OTAN para o Leste, assim como a mobiliza\u00e7\u00e3o de infraestrutura militar nas nossas fronteiras. Eles continuam nos dizendo a mesma coisa: \u00abIsto n\u00e3o diz respeito a voc\u00eas.\u00bb \u00c9 f\u00e1cil dizer.<\/p><\/blockquote>\n<p>Como temos reiterado em v\u00e1rios artigos publicados neste s\u00edtio,\u00a0desde 2009, Putin e seu grupo t\u00eam feito propostas de coopera\u00e7\u00e3o com as pot\u00eancias ocidentais, tanto para o estabelecimento de uma \u00e1rea de seguran\u00e7a comum, \u00abde Vladivostok a Vancouver\u00bb, como de uma \u00e1rea de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica eurasi\u00e1tica, \u00abde Vladivostok a Lisboa\u00bb, as quais, se plenamente implementadas, poderiam representar um ponto de inflex\u00e3o verdadeiramente hist\u00f3rico para a reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica mundiais. Desafortunadamente, para todo o mundo, a coopera\u00e7\u00e3o para um progresso compartilhado \u00e9 um conceito inexistente na agenda dos setores hegem\u00f4nicos do Establishment olig\u00e1rquico anglo-americano, que veem o mundo sob a \u00f3tica simplista dos jogos de \u00absoma zero\u00bb e da subordina\u00e7\u00e3o aos seus interesses restritos.<\/p>\n<p>Um ponto crucial do discurso foi a justificativa do referendo de 16 de mar\u00e7o, comparado aos precedentes do Kosovo, em 2010, e da pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia, em 1992:<\/p>\n<blockquote><p>Quando declarou a independ\u00eancia e decidiu realizar um referendo, o Supremo Conselho da Crimeia se referiu \u00e0 Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que fala do direito das na\u00e7\u00f5es \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Incidentalmente, eu gostaria de recordar-lhes que, quando a Ucr\u00e2nia se separou da URSS, ela fez exatamente a mesma coisa, quase literalmente. A Ucr\u00e2nia utilizou este direito, mas ele \u00e9 negado aos residentes da Crimeia . Por que isto?<\/p>\n<p>Ademais, as autoridades da Crimeia se referiram ao bem conhecido precedente do Kosovo &#8211; precedente que os nossos colegas ocidentais criaram com as suas pr\u00f3prias m\u00e3os, em uma situa\u00e7\u00e3o bastante similar, quando concordaram em que a separa\u00e7\u00e3o unilateral do Kosovo da S\u00e9rvia, exatamente o que a Crimeia est\u00e1 fazendo agora, era leg\u00edtima e n\u00e3o requeriria qualquer permiss\u00e3o das autoridades centrais do pa\u00eds. (&#8230;) Por alguma raz\u00e3o, coisas que os albaneses de Kosovo (e temos total respeito por eles) tiveram permiss\u00e3o para fazer, os russos, ucranianos e t\u00e1rtaros da Crimeia n\u00e3o tiveram. Outra vez, perguntamo-nos por que.<\/p>\n<p>N\u00f3s continuamos ouvindo os EUA e a Europa Ocidental dizerem que o Kosovo \u00e9 algum tipo de caso especial. O que o faz t\u00e3o especial aos olhos dos nossos colegas? Ocorre que \u00e9 o fato de que o conflito no Kosovo resultou em muitas perdas humanas. Isto \u00e9 um argumento legal? O Tribunal Internacional n\u00e3o diz nada sobre isto. Isto n\u00e3o \u00e9 nem mesmo um caso de dois pesos e duas medidas &#8211; \u00e9 de um cinismo impressionante, primitivo e tosco. N\u00e3o se deveria tentar fazer tudo de acordo com os seus interesses, de uma forma t\u00e3o crua, dizendo que a mesma coisa \u00e9 branca hoje e preta amanh\u00e3. Segundo esta l\u00f3gica, temos que assegurar-nos de que todo conflito produza perdas humanas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com um toque de ironia, Putin recordou aos europeus, em especial, aos alem\u00e3es, alguns fatos que, talvez, procurem esquecer:<\/p>\n<blockquote><p>Eu acredito que os europeus, principalmente, os alem\u00e3es, tamb\u00e9m me entender\u00e3o. Deixem-me recordar-lhes de que, no decorrer das consultas pol\u00edticas sobre a unifica\u00e7\u00e3o da Alemanha Oriental com a Ocidental, nos n\u00edveis mais altos, algumas na\u00e7\u00f5es que eram e s\u00e3o aliadas da Alemanha n\u00e3o apoiavam a ideia da unifica\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a nossa na\u00e7\u00e3o apoiou, de forma inequ\u00edvoca, o desejo sincero e incontorn\u00e1vel dos alem\u00e3es pela unidade nacional. Eu estou confiante de que voc\u00eas n\u00e3o se esqueceram disto e espero que os cidad\u00e3os da Alemanha, tamb\u00e9m, ap\u00f3iem a aspira\u00e7\u00e3o dos russos, da R\u00fassia hist\u00f3rica, por restaurar a sua unidade.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao contr\u00e1rio do governo interino em Kiev, que tratou, prontamente, de reprimir a situa\u00e7\u00e3o oficial das l\u00ednguas minorit\u00e1rias na Ucr\u00e2nia, incluindo o russo e o t\u00e1rtaro, Putin enfatizou que a Crimeia independente respeitar\u00e1 todos os direitos de suas minorias ucranianas e t\u00e1rtaras: \u00abN\u00f3s temos um grande respeito pelas pessoas de todos os grupos \u00e9tnicos que vivem na Crimeia. Este \u00e9 o seu lar comum, a sua p\u00e1tria, e seria justo &#8211; e eu sei que a popula\u00e7\u00e3o local ap\u00f3ia isto &#8211; que a Crimeia tenha tr\u00eas l\u00ednguas nacionais iguais: russo, ucraniano e t\u00e1rtaro.\u00bb<\/p>\n<p>Em outro trecho, o presidente russo explicitou o cen\u00e1rio externo no qual as pot\u00eancias ocidentais querem enquadrar o pa\u00eds, sem deixar de demonstrar que est\u00e1 longe de \u00abisolado internacionalmente\u00bb, como alguns l\u00edderes ocidentais insistem em afirmar:<\/p>\n<blockquote><p>Hoje, estamos sendo amea\u00e7ados com san\u00e7\u00f5es, mas j\u00e1 experimentamos muitas limita\u00e7\u00f5es que s\u00e3o bastante significativas para n\u00f3s, para a nossa economia e a nossa na\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Em resumo, temos todas as raz\u00f5es para presumir que a famigerada pol\u00edtica de conten\u00e7\u00e3o [da R\u00fassia], praticada nos s\u00e9culos XVIII, XIX e XX, ainda continua. Eles est\u00e3o constantemente tentando nos colocar em um canto, porque temos uma posi\u00e7\u00e3o independente, porque a sustentamos e porque damos \u00e0s coisas os seus verdadeiros nomes, sem recorrer \u00e0 hipocrisia. Mas h\u00e1 um limite para tudo. E, com a Ucr\u00e2nia, os nossos parceiros ocidentais cruzaram a linha, brincando de ursos e agindo com irresponsabilidade e falta de profissionalismo.<\/p>\n<p>Afinal de contas, eles tinham plena consci\u00eancia de que existem milh\u00f5es de russos vivendo na Ucr\u00e2nia e na Crimeia. Realmente, devem ter-lhes os instintos pol\u00edticos e o senso comum, para n\u00e3o prever todas as conseq\u00fc\u00eancias das suas a\u00e7\u00f5es. A R\u00fassia se viu em uma posi\u00e7\u00e3o da qual n\u00e3o podia recuar. Se comprimimos uma mola at\u00e9 o seu limite, ela se descomprime com for\u00e7a. Voc\u00eas devem sempre se lembrar disto.<\/p>\n<p>Hoje, \u00e9 imperativo acabar com essa histeria, refutar a ret\u00f3rica da Guerra Fria e aceitar o fato \u00f3bvio: a R\u00fassia \u00e9 um participante independente e ativo nos assuntos internacionais; como quaisquer outros pa\u00edses, ela tem os seus pr\u00f3prios interesses nacionais, que precisam ser levados em conta e respeitados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, estamos gratos a todos aqueles que entendem as nossas a\u00e7\u00f5es na Crimeia; estamos gratos ao povo da China, cujos l\u00edderes sempre consideraram a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia e na Crimeia, levando em conta todo o seu contexto hist\u00f3rico e pol\u00edtico, e apreciamos bastante a reserva e a objetividade da \u00cdndia.<\/p><\/blockquote>\n<p>As men\u00e7\u00f5es \u00e0 China e \u00e0 \u00cdndia sugerem que as duas parceiras da R\u00fassia no grupo BRICS n\u00e3o v\u00eaem a reincorpora\u00e7\u00e3o da Crimeia \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Russa &#8211; que s\u00f3 depende de uma praticamente certa aprova\u00e7\u00e3o do Parlamento russo &#8211; como um evento que sinalize uma \u00abnova Guerra Fria\u00bb, como alguns l\u00edderes ocidentais apopl\u00e9ticos e comentaristas mais afoitos se apressam em antecipar.<\/p>\n<p>Neste momento hist\u00f3rico, marcado pela escassez de grandes estadistas de vis\u00e3o ampla, Vladimir Putin se destaca como um raro representante da estirpe, cercado por meros pol\u00edticos de vis\u00e3o curta, atrelados aos esquemas favorecidos pelo <em>status quo<\/em> e sem qualquer disposi\u00e7\u00e3o para confrontar as causas \u00faltimas da crise civilizat\u00f3ria em curso.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Putin-Kremlin-18-mar\u00e7o-14-Pres-Russia.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1019\" title=\"Putin-Kremlin-18-mar\u00e7o-14-Pres-Russia\" src=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Putin-Kremlin-18-mar\u00e7o-14-Pres-Russia.png\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Putin-Kremlin-18-mar\u00e7o-14-Pres-Russia.png 960w, https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Putin-Kremlin-18-mar\u00e7o-14-Pres-Russia-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p><!-- C\u00f3digo do Google para tag de remarketing --><br \/>\n<!--------------------------------------------------\nAs tags de remarketing n\u00e3o podem ser associadas a informa\u00e7\u00f5es pessoais de identifica\u00e7\u00e3o nem inseridas em p\u00e1ginas relacionadas a categorias de confidencialidade. 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