{"id":971,"date":"2014-02-07T17:27:44","date_gmt":"2014-02-07T17:27:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=971"},"modified":"2014-02-07T17:27:44","modified_gmt":"2014-02-07T17:27:44","slug":"rafael-correa-indigenismo-infantil-ve-a-pobreza-como-parte-do-folclore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/rafael-correa-indigenismo-infantil-ve-a-pobreza-como-parte-do-folclore\/","title":{"rendered":"Rafael Correa: \u00abindigenismo infantil v\u00ea a pobreza como parte do folclore\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Apontado como um representante da esquerda bolivariana sul-americana, seguidora das ideias do falecido presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez, o presidente do Equador, Rafael Correa, tem surpreendido ao investir contra alguns temas caros \u00e0 agenda daquelas for\u00e7as pol\u00edticas, como as ideologias de g\u00eanero e indigenista.<\/p>\n<p>Uma das brigas s\u00e9rias que comprou com os aparatos internacionais que manipulam as causas ambientais e ind\u00edgenas foi a decis\u00e3o de abrir espa\u00e7o para a expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em terras ocupadas por povos ind\u00edgenas, na Amaz\u00f4nia equatoriana.<\/p>\n<p>De forma significativa, em um pa\u00eds em que 7% da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o ind\u00edgenas (proporcionalmente, 17 vezes mais que o Brasil), em diversas ocasi\u00f5es, Correa tem feito contundentes observa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 retr\u00f3grada agenda indigenista na Am\u00e9rica Latina. Em uma destas, na C\u00fapula Ibero-americana de C\u00e1diz, em novembro de 2012, ele afirmou: \u00abSempre disse que o mais perigoso \u00e9 o esquerdismo do tudo ou nada e o indigenismo infantil, que v\u00ea a pobreza como parte do folclore, que aceita as pessoas vivendo na mis\u00e9ria como parte de uma bela paisagem (IzquierdaHispanica.org, 16\/11\/2012).\u00bb<\/p>\n<p>Correa, que ocupa a presid\u00eancia desde janeiro de 2007, \u00e9 formado em Economia e estudou nos Estados Unidos e na Europa. Filiado \u00e0 esquerdista Alianza PAIS (Patria Ativa Soberana), se define como um \u00abhumanista crist\u00e3o de esquerda\u00bb e sua orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 inspirada pela Doutrina Social da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Uma recente avalia\u00e7\u00e3o dos seus sete anos como presidente enfatizou o seu embate com o indigenismo no pa\u00eds, reproduzindo a seguinte declara\u00e7\u00e3o do presidente: \u00ab(Os indigenistas dizem) n\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aos recursos naturais e (a qualquer atividade) de onde se possam extrair recursos para tirar rapidamente o nosso povo da pobreza. (&#8230;) Isto n\u00e3o \u00e9 ser de esquerda, isto \u00e9 asneira, infantilismo, \u00e9 uma irresponsabilidade que faz fracassar qualquer projeto de esquerda (EstrategiayNegocios.net, 15\/01\/2014).\u00bb<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revista estadunidense <em>New Left Review<\/em> de setembro-outubro de 2012, Correa relatou a sua experi\u00eancia de tratar com os movimentos ind\u00edgenas do pa\u00eds durante a sua presid\u00eancia. Segundo o presidente equatoriano, ap\u00f3s a reforma constitucional de 2007-2008, ocorreu um intenso debate sobre a quest\u00e3o ind\u00edgena no pa\u00eds, que resultou na declara\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter plurinacional e pluricultural do Equador.<\/p>\n<p>\u00abIsso n\u00e3o significava, entretanto, apostar na fragmenta\u00e7\u00e3o do Estado ou p\u00f4r fim \u00e0 unidade nacional. A ideia de sempre foi a de reconhecer a diversidade e a diferen\u00e7a, para torn\u00e1-los (os \u00edndios) mais integrados e coesos enquanto na\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o para gerar qualquer autonomia territorial que enfraque\u00e7a o Estado nacional. No mesmo sentido, reconheceram-se os direitos da natureza, a possibilidade de formar \u00e1reas ind\u00edgenas, o direito \u00e0 \u00e1gua como um bem p\u00fablico, e a mesma ideia da democracia comunit\u00e1ria\u00bb, observou Correa.<\/p>\n<p>Na mesma entrevista, ele revelou os duros debates travados na Assembleia Constituinte de 2007-2008 sobre diversos aspectos da agenda indigenista:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o aceitamos o consentimento pr\u00e9vio (dos \u00edndios), um mecanismo pelo qual as comunidades deveriam autorizar o Estado caso este quisesse usar os recursos estrat\u00e9gicos do pa\u00eds, e isso gerou muito descontentamento em setores pr\u00f3ximos ao movimento indigenista. Os recursos naturais s\u00e3o de propriedade p\u00fablica, s\u00e3o bens comuns, e n\u00e3o ped\u00edamos permitir que comunidades pequenas, por maior que seja a sua legitimidade hist\u00f3rica nesses territ\u00f3rios, tivessem a \u00faltima palavra sobre o seu uso. (&#8230;) N\u00f3s governamos para todos os equatorianos e equatorianas, e n\u00e3o podemos ceder \u00e0s press\u00f5es de minorias, por mais justificadas que as suas demandas possam parecer.<\/p>\n<p>(Os indigenistas) estavam acostumados a ditar \u00abordens\u00bb, que, acreditavam, deviam ser aceitas pelo governo, pelo simples fato de vir deles. N\u00e3o aceitam o debate democr\u00e1tico e n\u00e3o aceitam que quando o povo elege um partido para governar o pa\u00eds, o faz em fun\u00e7\u00e3o de um programa pol\u00edtico. Eles acreditam que as suas ordem s\u00e3o leg\u00edtimas, pelo simples fato de terem sido v\u00edtimas. Mas n\u00e3o pode ser assim. (&#8230;) A sua vis\u00e3o \u00e9 fundamentalista e est\u00e1 muito influenciada por ONGs estrangeiras, com um discurso ecol\u00f3gico que n\u00e3o consegue entender as grandes necessidades do povo equatoriano.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na oportunidade, ele ainda citou o fato de que \u00abo vice-presidente boliviano [\u00c1lvaro Garc\u00eda Linera] havia acabado de publicar um livro sobre como as ONGs s\u00e3o correspons\u00e1veis da perda de soberania estatal em extensas \u00e1reas da Amaz\u00f4nia\u00bb. O livro de Linera \u00e9 intitulado <em>Geopol\u00edtica de la Amazon\u00eda. Poder hacendal-patrimonial y acumulaci\u00f3n capitalista<\/em> (Geopol\u00edtica da Amaz\u00f4nia: poder fazend\u00e1rio-patrimonial e acumula\u00e7\u00e3o capitalista).<\/p>\n<p>Correa acrescentou ainda ter vivido durante muito tempo, durante a sua juventude, em um dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas mais pobres do pa\u00eds, e que sempre tratou as lideran\u00e7as ind\u00edgenas equatorianas de igual para igual, \u00absem infantilizar os atores ind\u00edgenas, nem vitimiz\u00e1-los, tal como as ONGs e uma certa esquerda paternalista t\u00eam feito; e isto significa que, \u00e0s vezes, posso ser duro com eles, da mesma forma que sou com qualquer outro ator.<\/p>\n<p>Correa conclui a entrevista afirmando:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o compartilhamos a vis\u00e3o do problema ind\u00edgena como sendo um problema somente dos \u00edndios, que deva ser tratado por institui\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Este \u00e9 o enfoque do multiculturalismo neoliberal que proliferou durante a d\u00e9cada de 1990 na Am\u00e9rica Latina. O problema ind\u00edgena \u00e9 de todo o Estado equatoriano e todas as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas devem contribuir para resolv\u00ea-lo, independentemente de serem ou n\u00e3o dirigidas por ind\u00edgenas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Definitivamente, os indigenistas &#8211; e o governo &#8211; brasileiros t\u00eam muito que aprender com o presidente do Equador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apontado como um representante da esquerda bolivariana sul-americana, seguidora das ideias do falecido presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez, o presidente do Equador, Rafael Correa, tem surpreendido ao investir contra alguns temas caros \u00e0 agenda daquelas for\u00e7as pol\u00edticas, como as ideologias de g\u00eanero e indigenista. 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