{"id":965,"date":"2014-01-28T15:45:06","date_gmt":"2014-01-28T15:45:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=965"},"modified":"2014-01-28T15:45:06","modified_gmt":"2014-01-28T15:45:06","slug":"politica-indigenista-e-limpeza-etnica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/politica-indigenista-e-limpeza-etnica\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica indigenista e \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">A express\u00e3o \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb traz \u00e0 mem\u00f3ria alguns dos momentos mais sombrios da hist\u00f3ria da humanidade, durante os quais povos inteiros foram perseguidos, deslocados e chacinados, em nome de ideais ut\u00f3picos baseados em um desorientado conceito de \u00abpureza racial\u00bb. Apesar de desacreditado pela ci\u00eancia, o conceito ainda \u00e9 utilizado e manipulado por ide\u00f3logos e lideran\u00e7as oportunistas, em favor das insidiosas agendas pol\u00edticas de certos grupos de interesses, como \u00e9 o caso do aparato indigenista internacional, cuja atua\u00e7\u00e3o no Brasil se aproxima de um paroxismo, com consequ\u00eancias potencialmente catastr\u00f3ficas para o Pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Por aqui, a ideia sempre acompanhou de perto as descri\u00e7\u00f5es sobre o processo de forma\u00e7\u00e3o da nacionalidade brasileira, principalmente, pelos estudiosos de orienta\u00e7\u00e3o marxista, que, quase invariavelmente, ressaltam o \u00abexterm\u00ednio\u00bb e o \u00abmassacre\u00bb das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas pelos colonizadores europeus &#8211; hoje utilizados para justificar os in\u00fameros excessos da esdr\u00faxula pol\u00edtica do governo federal para os povos ind\u00edgenas, adotada no processo constitucional de 1987-1988. Por outro lado, escassa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dada \u00e0 grande miscigena\u00e7\u00e3o ocorrida entre europeus, ind\u00edgenas e africanos, que resultou em um dos povos de maior diversidade gen\u00e9tica do mundo, com pelo menos um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o registrando uma ancestralidade ind\u00edgena.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ironicamente, o mesmo conceito usado pelos indigenistas para justificar a sua pol\u00edtica de segrega\u00e7\u00e3o desses povos e a sua ut\u00f3pica preserva\u00e7\u00e3o em um estado \u00abnatural\u00bb, com o m\u00ednimo de contatos com o restante da sociedade nacional, pode ser invocado para qualificar as flagrantes injusti\u00e7as que t\u00eam sido cometidas contra os assim chamados n\u00e3o \u00edndios obrigados a se retirar de \u00e1reas demarcadas para compor as terras ind\u00edgenas. Injusti\u00e7as que come\u00e7am pela pr\u00f3pria denomina\u00e7\u00e3o do processo &#8211; \u00abdesintrus\u00e3o\u00bb -, como se pessoas que, em muitos casos, detinham e det\u00eam t\u00edtulos legais de suas terras datados de d\u00e9cadas, fossem todas invasoras mal intencionadas de \u00e1reas tradicionalmente habitadas por ind\u00edgenas. Ao contr\u00e1rio, em numerosos casos, os invasores s\u00e3o os ind\u00edgenas, com frequ\u00eancia, manipulados pela milit\u00e2ncia indigenista encastelada na Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) e em ONGs como o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), Instituto Socioambiental (ISA) e outras.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Como demonstram com farta documenta\u00e7\u00e3o os jornalistas Lorenzo Carrasco e Silvia Palacios, no livro\u00a0<em>Quem manipula os povos ind\u00edgenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos por\u00f5es do Conselho Mundial de Igrejas\u00a0<\/em>(Capax Dei, 2013), por detr\u00e1s dessa estrat\u00e9gia est\u00e1 o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organiza\u00e7\u00e3o criada pelo <em>Establishment<\/em>\u00a0olig\u00e1rquico anglo-americano, logo ap\u00f3s a II Guerra Mundial, para instrumentalizar uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es intervencionistas em v\u00e1rios pa\u00edses, explorando causas de grande apelo popular.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ao implementar o que chamam \u00abretomada\u00bb das terras pelos ind\u00edgenas, os indigenistas se mostram imbu\u00eddos de um furor demarcat\u00f3rio monopolizado pela Funai, baseado em crit\u00e9rios mais ideol\u00f3gicos do que t\u00e9cnicos (como \u00abvis\u00f5es\u00bb motivadas por alucin\u00f3genos, como ocorreu em Cacique Doble, no Rio Grande do Sul), que tem ignorado totalmente os direitos mais elementares dos propriet\u00e1rios registrados das terras abarcadas pelas demarca\u00e7\u00f5es. Com desagrad\u00e1vel frequ\u00eancia, como ocorreu na Gleba Sui\u00e1 Missu, em Mato Grosso, os desalojados s\u00e3o pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios, a maioria dos quais com poucas condi\u00e7\u00f5es de transferir as suas atividades produtivas para outras \u00e1reas, principalmente, porque as autoridades federais n\u00e3o t\u00eam demonstrado qualquer preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria com este aspecto do problema, ao contr\u00e1rio do que acontece com as \u00abdesintrus\u00f5es\u00bb, para as quais t\u00eam mobilizado aut\u00eanticas for\u00e7as-tarefa policiais e militares.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O caso de Sui\u00e1 Missu \u00e9 emblem\u00e1tico. Em dezembro de 2012, a \u00e1rea, dividida entre os munic\u00edpios de Alto Boa Vista e S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia, foi alvo de uma violenta desocupa\u00e7\u00e3o das mais de 5 mil pessoas nela residentes, para a forma\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Mar\u00e3iwats\u00e9d\u00e9, com 165 mil hectares, entregue a 900 \u00edndios xavantes. Um ano depois, a situa\u00e7\u00e3o dos desalojados \u00e9 tr\u00e1gica. Sem ter para onde ir, eles se espalharam pelos quatro munic\u00edpios da regi\u00e3o e vivem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, acossados pelo alcoolismo, consumo de drogas e depress\u00e3o. Mulheres foram obrigadas a recorrer \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o para sobreviver e j\u00e1 foram registradas v\u00e1rias mortes causadas por infartos e suic\u00eddios.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00abDestru\u00edram as casas e propriedades da \u00e1rea, mas nenhum \u00edndio est\u00e1 vivendo l\u00e1. Pessoas est\u00e3o morrendo e assim vai continuar. At\u00e9 agora j\u00e1 registramos 25 mortes. Embora as poucas promessas de ajuda continuem na inten\u00e7\u00e3o, as pessoas que tiveram suas vidas arrancadas vivem em situa\u00e7\u00e3o de desespero\u00bb, desabafa o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores Rurais da \u00c1rea Sui\u00e1-Miss\u00fa (Aprossum), Sebasti\u00e3o Prado.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O caso de Nailza Bispo \u00e9 t\u00edpico. Ela herdou do pai uma propriedade de 240 hectares, onde criava gado e, hoje, vive de favor na casa de parentes em Alto Boa Vista. \u00ab\u00c9 dif\u00edcil traduzir nossa situa\u00e7\u00e3o em palavras. Vivemos uma verdadeira guerra. Ver tudo o que constru\u00edmos destru\u00eddo, estar vivendo de favor, passando fome, enquanto at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s produz\u00edamos o nosso alimento, \u00e9 muito triste. Olho para meus filhos e temo pelo futuro deles. Mas n\u00e3o vou perder a minha f\u00e9 e esperan\u00e7a\u00bb, lamenta (RDNews, 10\/12\/2013).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em agosto, uma audi\u00eancia p\u00fablica convocada pelo deputado federal Valtenir Pereira (PROS-MT), na C\u00e2mara dos Deputados, discutiu a ultrajante situa\u00e7\u00e3o dos antigos propriet\u00e1rios expulsos da \u00e1rea. Um resumo do encontro, divulgado pela C\u00e2mara, escancara o descaso do governo federal com o problema:<\/p>\n<blockquote><p>Os representantes do governo argumentaram que n\u00e3o poderiam fazer mais do que a lei os permite e relataram as provid\u00eancia tomadas, no \u00e2mbito de sua compet\u00eancia, em rela\u00e7\u00e3o aos desalojados da gleba Sui\u00e1 Miss\u00fa, como distribui\u00e7\u00e3o de filtros e cestas b\u00e1sicas (Secretaria de Direitos Humanos), inclus\u00e3o em projetos de assentamentos (Incra\/Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio) e cadastramento no Bolsa Fam\u00edlia (Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome). J\u00e1 os prefeitos Jos\u00e9 Antonio de Almeida [S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia], Emival Gomes de Freitas [Porto Alegre do Norte] e Leuzipe Domingues Gon\u00e7alves [Alto Boa Vista] enfatizaram as dificuldades dos munic\u00edpios para atender dignamente os desalojados, bem como o impacto financeiro negativo causado \u00e0 regi\u00e3o pela desintrus\u00e3o dos agricultores da gleba Sui\u00e1 Miss\u00fa, a\u00e7\u00e3o que consideraram truculenta e precipitada, j\u00e1 que a decis\u00e3o judicial favor\u00e1vel \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o da gleba como reserva ind\u00edgena dos Xavantes tem car\u00e1ter apenas liminar (C\u00e2mara dos Deputados, 21\/08\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"LEFT\">Por ironia, ap\u00f3s a entrega da \u00e1rea aos xavantes, entre junho e agosto de 2013, os ind\u00edgenas promoveram os maiores inc\u00eandios j\u00e1 registrados na regi\u00e3o, que atingiram 20% da \u00e1rea da reserva. Al\u00e9m recorrerem habitualmente \u00e0 pr\u00e1tica, para facilitar a ca\u00e7a, os ind\u00edgenas pretendiam tamb\u00e9m limpar os campos plantados com o capim Brachiaria, que servia como alimento para o gado criado pelos antigos propriet\u00e1rios (<a href=\"http:\/\/www.questaoindigena.org\/2013\/08\/fogo-na-suia-missu-sequencia-de-imagens.html#sthash.PDOqSXPh.dpuf\">Quest\u00e3o Ind\u00edgena, s\/d<\/a>). Para ocultar a sua responsabilidade, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) atribuiu os inc\u00eandios \u00e0 \u00aba\u00e7\u00e3o criminosa de v\u00e2ndalos\u00bb, enquanto caciques xavantes responsabilizavam os antigos ocupantes da \u00e1rea (Ag\u00eancia Brasil, 21\/08\/2013).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Neste in\u00edcio de 2014, a trag\u00e9dia de Sui\u00e1 Missu amea\u00e7a repetir-se no Maranh\u00e3o, onde a Justi\u00e7a Federal j\u00e1 determinou a \u00abdesintrus\u00e3o\u00bb de uma grande \u00e1rea do munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o do Caru, no noroeste do estado, para a sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Ind\u00edgena Aw\u00e1-Guaj\u00e1, de 116 mil hectares. A medida, para a qual j\u00e1 se encontra no local uma for\u00e7a-tarefa integrada pela For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a, Pol\u00edcia Federal, Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, Ex\u00e9rcito, Ibama e Funai, dever\u00e1 atingir cerca de 1.220 fam\u00edlias, que ter\u00e3o 40 dias para deixar as suas terras, ap\u00f3s serem notificados.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Assim como em Mato Grosso, a grande maioria dos residentes tem propriedades pequenas, entre 10 e 60 hectares, como confirma Arnaldo Lacerda, um dos raros donos de grandes propriedades na regi\u00e3o. Segundo ele, que tem cinco fazendas com cerca de 3 mil hectares cada uma, existem tamb\u00e9m de dez a 20 propriedades m\u00e9dias, cada uma com cerca de 600 hectares. \u00abQuem trabalha s\u00e3o os pr\u00f3prios donos, n\u00e3o temos m\u00e1quinas, \u00e9 trabalho manual\u00bb, enfatizou.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Lacerda lamenta que a desocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea tenha sido tomada sem considera\u00e7\u00e3o com o reassentamento das fam\u00edlias que ser\u00e3o expulsas: \u00abDevia ter sido levado em considera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha um plano pronto para retirar esse povo. Estamos aguardando a expuls\u00e3o para ser jogados no meio da rua.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ele ressalta que, como o processo de lit\u00edgio da terra remonta a 1992, as solu\u00e7\u00f5es para a reloca\u00e7\u00e3o j\u00e1 deveriam estar sendo apresentadas (Ag\u00eancia Brasil, 10\/01\/2014).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Apenas na semana passada, o\u00a0Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o\u00a0publicou um edital para a convoca\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias interessadas em participar do processo de sele\u00e7\u00e3o para o reassentamento, enquanto o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) tamb\u00e9m abriu um edital para a compra de terras destinadas \u00e0 finalidade. Por sua vez , a Funai informou que um conv\u00eanio com as prefeituras dos munic\u00edpios que receber\u00e3o as fam\u00edlias expulsas ir\u00e1 garantir a infraestrutura e a distribui\u00e7\u00e3o de moradias pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (Ag\u00eancia Brasil, 10\/01\/2014).<\/p>\n<p>Se a pol\u00edtica indigenista nacional tivesse um m\u00ednimo de compromisso com o Bem Comum da totalidade da na\u00e7\u00e3o brasileira, em vez de restringir-se a uma corrosiva agenda ideol\u00f3gica e antinacional, provid\u00eancias efetivas para minimizar as mazelas das fam\u00edlias expulsas j\u00e1 deveriam ter sido tomadas h\u00e1 tempos.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando a sociedade brasileira, em geral, tolerar\u00e1 semelhantes agress\u00f5es ao bom senso e aos sentidos de dec\u00eancia e justi\u00e7a, que deveriam nortear a formula\u00e7\u00e3o de todas as pol\u00edticas p\u00fablicas? At\u00e9 quando teremos que presenciar outras manifesta\u00e7\u00f5es dessa criminosa segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica que uma caterva de desorientados ideol\u00f3gicos e oportunistas pol\u00edticos tem imposto ao Pa\u00eds?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o \u00ablimpeza \u00e9tnica\u00bb traz \u00e0 mem\u00f3ria alguns dos momentos mais sombrios da hist\u00f3ria da humanidade, durante os quais povos inteiros foram perseguidos, deslocados e chacinados, em nome de ideais ut\u00f3picos baseados em um desorientado conceito de \u00abpureza racial\u00bb. 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