{"id":935,"date":"2013-11-29T17:02:20","date_gmt":"2013-11-29T17:02:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=935"},"modified":"2013-11-29T17:02:20","modified_gmt":"2013-11-29T17:02:20","slug":"a-nova-fronteira-o-mar-profundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-nova-fronteira-o-mar-profundo\/","title":{"rendered":"A nova fronteira: o mar profundo"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">A import\u00e2ncia do Brasil se lan\u00e7ar \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos existentes em sua plataforma continental e \u00e1reas cont\u00edguas tem dimens\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas, estrat\u00e9gicas e geopol\u00edticas.<\/p>\n<p>O mar profundo \u00e9 uma nova fronteira, talvez a \u00faltima, que se abre como desafio \u00e0 humanidade. Uma fronteira do conhecimento e da economia que o Brasil tem todos os motivos e condi\u00e7\u00f5es para explorar.<\/p>\n<p>Entretanto, a atua\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a tecnologia brasileira nessa fronteira s\u00e3o ainda modestas em propor\u00e7\u00e3o ao tamanho do interesse econ\u00f4mico e estrat\u00e9gico para o Pa\u00eds. Por outro lado, o mar profundo \u00e9 uma prioridade econ\u00f4mica, na medida em que nosso petr\u00f3leo vem e vir\u00e1 de \u00e1guas cada vez mais profundas.<\/p>\n<p>Uma ferramenta fundamental para essa explora\u00e7\u00e3o \u00e9 o Ve\u00edculo de Imers\u00e3o Profunda (VIP) nacional, com capacidade para tr\u00eas ou quatro tripulantes, que realize pesquisas cient\u00edficas, bem como atividades de prospec\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o mineral e de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O VIP japon\u00eas\u00a0<em>Shinkai 6500<\/em>\u00a0operou recentemente ao largo de nosso litoral por for\u00e7a de um conv\u00eanio firmado entre o Brasil e o Jap\u00e3o. A expedi\u00e7\u00e3o conjunta denominou-se Iat\u00e1-Piuna (\u00abnavegando em \u00e1guas profundas\u00bb). Cientistas brasileiros participaram das atividades de coleta de amostras no fundo do mar a profundidades de cerca de 2.000 m.<\/p>\n<p>Na Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande foram encontradas claras evid\u00eancias de que essa regi\u00e3o \u00e9 parte submersa de nosso litoral, sendo chamada \u00abAtl\u00e2ntida Brasileira\u00bb. Tal fato poder\u00e1 assumir importantes implica\u00e7\u00f5es no que diz respeito \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o de nossa plataforma continental.<\/p>\n<p>Note-se que j\u00e1 existem primeiros resultados sobre ocorr\u00eancias de min\u00e9rios em nossa plataforma e em certas regi\u00f5es cont\u00edguas. O VIP nacional evitaria a depend\u00eancia de ve\u00edculos estrangeiros.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Pesquisas Oce\u00e2nicas e Hidrovi\u00e1rias (INPOH) e a constru\u00e7\u00e3o do navio Vital de Oliveira, iniciativas em andamento, somadas \u00e0 obten\u00e7\u00e3o do VIP nacional, constituem a infraestrutura necess\u00e1ria para avan\u00e7ar na fronteira do conhecimento do mar profundo, explorando nossa plataforma continental e \u00e1reas cont\u00edguas.<\/p>\n<p>Como uma janela para o futuro, a necessidade de calor e for\u00e7a motriz \u00e9 um dos grandes obst\u00e1culos na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo ou outros recursos minerais no fundo do mar. O uso da energia nuclear para essas aplica\u00e7\u00f5es pode trazer uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para a explora\u00e7\u00e3o dessa nova fronteira. A capacita\u00e7\u00e3o nuclear existente no Pa\u00eds, em especial o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro, nos proporcionam importante vantagem competitiva, tamb\u00e9m nesse caso.<\/p>\n<p>Como disse o presidente John Kennedy quando, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, engajou os EUA no projeto de levar o homem \u00e0 Lua, o mar profundo \u00ab\u00e9 um novo oceano que devemos navegar\u00bb. Na verdade, o Brasil j\u00e1 est\u00e1 nele navegando desde que se engajou na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo\u00a0offshore.<\/p>\n<p>Falta assumir esta tarefa como um verdadeiro desafio nacional e levar brasileiros aos mais remotos pontos do nosso mar profundo.<\/p>\n<p>Como nossos antepassados portugueses na conquista do Atl\u00e2ntico Sul e do Indico, temos vantagens comparativas importantes decorrentes do avan\u00e7o na conquista do petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas e do ambicioso programa na \u00e1rea de submarinos, incluindo o submarino nuclear nacional.<\/p>\n<p>Exemplos de VIP com mais de um tripulante s\u00e3o\u00a0<em>Alvin<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Trieste<\/em>\u00a0(EUA, 4.500 e 11.000 m),\u00a0<em>Konsul<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Mir\u00a0<\/em>(R\u00fassia, 6.500 e 6.000 m),\u00a0<em>Shinkai<\/em>\u00a0(Jap\u00e3o, 6.500 m),\u00a0<em>Jiaolong<\/em>\u00a0(China, 7.500 m) e\u00a0<em>Nautile<\/em>\u00a0(Fran\u00e7a. 6.000 m). Note-se que a tecnologia desses ve\u00edculos \u00e9 restrita a esses cinco pa\u00edses.<\/p>\n<p>A obten\u00e7\u00e3o do VIP nacional poderia ser objeto de uma extens\u00e3o do acordo estrat\u00e9gico j\u00e1 vigente entre o Brasil e a Fran\u00e7a para constru\u00e7\u00e3o de submarinos. O\u00a0<em>Nautile<\/em>\u00a0recentemente atuou com sucesso nas buscas dos restos da trag\u00e9dia do Voo AF 477 da Air France.<\/p>\n<p><em>O autor \u00e9 diretor t\u00e9cnico-comercial da Amaz\u00f4nia Azul Tecnologias S.A. (Amazul).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia do Brasil se lan\u00e7ar \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos existentes em sua plataforma continental e \u00e1reas cont\u00edguas tem dimens\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas, estrat\u00e9gicas e geopol\u00edticas. O mar profundo \u00e9 uma nova fronteira, talvez a \u00faltima, que se abre como desafio \u00e0 humanidade. 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