{"id":933,"date":"2013-11-29T16:56:39","date_gmt":"2013-11-29T16:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=933"},"modified":"2013-11-29T16:56:39","modified_gmt":"2013-11-29T16:56:39","slug":"o-globo-defende-barragens-de-usos-multiplos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/o-globo-defende-barragens-de-usos-multiplos\/","title":{"rendered":"\u00abO Globo\u00bb defende barragens de usos m\u00faltiplos"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">As Organiza\u00e7\u00f5es Globo t\u00eam um comportamento um tanto bipolar em rela\u00e7\u00e3o aos assuntos ambientais. De um lado, os seus ve\u00edculos midi\u00e1ticos se alinham entre os principais divulgadores da ladainha do aquecimento global supostamente causado pelo homem. De outro, o jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0tem dado um importante apoio \u00e0 energia nuclear e \u00e0 necessidade de se retomarem os projetos hidrel\u00e9tricos com grandes reservat\u00f3rios, tema que tamb\u00e9m passou a receber a aten\u00e7\u00e3o da revista\u00a0<em>\u00c9poca<\/em>. Isto, enquanto a Rede Globo de Televis\u00e3o libera os seus artistas contratados para participar de virulentas campanhas contra a usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">No lado positivo, merece destaque um editorial do jornal publicado em 19 de novembro, intitulado \u00abBrasil precisa pensar em hidrel\u00e9tricas com m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es\u00bb. Al\u00e9m de destacar a sua condi\u00e7\u00e3o de fonte renov\u00e1vel, o texto afirma que as barragens das usinas hidrel\u00e9tricas t\u00eam fun\u00e7\u00f5es adicionais \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, como a regulariza\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o dos rios, a preven\u00e7\u00e3o de cheias e a viabiliza\u00e7\u00e3o da navega\u00e7\u00e3o fluvial para transporte de bens e pessoas (desde que as barragens tenham eclusas). Apesar disto, observa o texto, \u00abas hidrel\u00e9tricas passaram a ser estigmatizadas no Brasil, embora proporcionem mais impactos positivos, sejam econ\u00f4micos, sociais e ambientais, que negativos\u00bb.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em outro trecho, o editorial critica a virtual aboli\u00e7\u00e3o de novos projetos hidrel\u00e9tricos com grandes reservat\u00f3rios e a sua substitui\u00e7\u00e3o pelas usinas chamadas \u00aba fio d&#8217;\u00e1gua\u00bb, que operam com a vaz\u00e3o natural dos rios &#8211; e, portanto, n\u00e3o t\u00eam capacidade para armazenar \u00e1gua para per\u00edodos de estiagem.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O texto observa que os projetos hidrel\u00e9tricos t\u00eam proporcionado uma experi\u00eancia \u00abtransformadora\u00bb na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, com contrapartidas sociais que \u00abenvolvem amplia\u00e7\u00e3o e reforma de escolas, hospitais, estradas, edifica\u00e7\u00e3o de moradias e de redes de saneamento b\u00e1sico, al\u00e9m de cria\u00e7\u00e3o de empregos e treinamento de m\u00e3o de obra\u00bb. Para as popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o, concluem os autores, \u00abtanto melhor se essas barragens tamb\u00e9m fossem licenciadas de forma a multiplicar o n\u00famero de hidrovias e evitar danos causados por cheias e secas\u00bb.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Al\u00e9m de saudar o empenho dos editorialistas, esperemos que mostrem a mesma disposi\u00e7\u00e3o para defender a causa &#8211; at\u00e9 agora quase perdida &#8211; das eclusas. Em pleno s\u00e9culo XXI, \u00e9 inconceb\u00edvel que, no Brasil, ainda se permita a constru\u00e7\u00e3o de barragens sem eclusas nos rios naveg\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Sobre o mesmo tema, a revista\u00a0<em>\u00c9poca<\/em>\u00a0de 19 de novembro traz um extenso artigo criticando a impopularidade atual dos grandes projetos hidrel\u00e9tricos junto \u00e0s correntes principais do movimento ambientalista brasileiro. O artigo, do editor-executivo Carlos Rydlewski (\u00abA cal\u00fania que matou as hidrel\u00e9tricas\u00bb), destaca o contraste com a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre tais projetos no passado, quando eram motivos de orgulho nacional, com o que ocorre na atualidade, em que tais usinas s\u00e3o vistas tratadas, fundamentalmente, como amea\u00e7as ao meio ambiente. E destacou a causa de tal mudan\u00e7a de tratamento como sendo, \u00abno m\u00ednimo, obscura\u00bb.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O autor afirma que, apesar das acusa\u00e7\u00f5es mais comuns por parte dos ambientalistas, como o alagamento de extensas \u00e1reas, altera\u00e7\u00f5es provocadas em cursos de rios, emiss\u00e3o de grandes quantidades de metano e outras, os aspectos negativos das hidrel\u00e9tricas \u00absempre foram suplantados pelos positivos\u00bb. E criticou o fato de o lado negro da hidroeletricidade ser exacerbado, como se as ditas fontes \u00abverdes\u00bb, como a e\u00f3lica e a solar, fossem \u00abdonzelas ilibadas, com n\u00edvel zero de emiss\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ele tamb\u00e9m destaca, como exemplo dos problemas das fontes \u00abverdes\u00bb, a intermit\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o das usinas e\u00f3licas, que sofrem com o car\u00e1ter \u00abinst\u00e1vel e temperamental\u00bb dos ventos, fazendo com que s\u00f3 tenham chance na matriz energ\u00e9tica brasileira como fonte complementar. Destacando que n\u00e3o existe \u00abfonte perfeita\u00bb, Rydlewski afirma que as usinas hidrel\u00e9tricas t\u00eam sido \u00abjogadas sido jogadas no ostracismo sem direito de resposta\u00bb, e sem uma avalia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria de suas caracter\u00edsticas, bem como de suas vantagens e desvantagens frente \u00e0s demais op\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Sobre a ado\u00e7\u00e3o do modelo \u00aba fio d&#8217;\u00e1gua\u00bb, adotado nas usinas de Belo Monte, Jirau e Santo Ant\u00f4nio (estas \u00faltimas, no rio Madeira), ele d\u00e1 a palavra a especialistas como o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor El\u00e9trico (GESEL), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para quem o Pa\u00eds cometeu um erro estrat\u00e9gico ao optar por tal perfil de hidrel\u00e9tricas: \u00abOs cr\u00edticos das grandes usinas podem ter boas inten\u00e7\u00f5es, mas desconhecem como funciona o sistema el\u00e9trico&#8230; Os reservat\u00f3rios s\u00e3o fundamentais para garantir o abastecimento de energia nos per\u00edodos secos do ano.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Um estudo recente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revela a perda de capacidade de regula\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico brasileiro, em fun\u00e7\u00e3o da substitui\u00e7\u00e3o dos grandes reservat\u00f3rios pelas usinas a \u00abfio d&#8217;\u00e1gua\u00bb, em associa\u00e7\u00e3o com o crescimento do consumo de energia nos \u00faltimos anos. Segundo o documento, enquanto em 2001 a \u00e1gua armazenada nas usinas podia abastecer toda a rede do Pa\u00eds (Sistema Integrado Nacional) por 6,27 meses, tal capacidade encolheu para 4,91 meses em 2012. At\u00e9 2021, tal capacidade encolher\u00e1 para apenas 3,35 meses.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Diante de tais dados, o autor pergunta: \u00abQuem vai cobrir esse buraco? A e\u00f3lica, uma solu\u00e7\u00e3o complementar? A solar com pre\u00e7o elevado e tecnologia que n\u00e3o largou a mamadeira? O g\u00e1s de xisto, cuja explora\u00e7\u00e3o nem engatinha no Brasil? Com base no passado recente, \u00e9 f\u00e1cil cravar: a termel\u00e9trica.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O jornalista conclui com uma observa\u00e7\u00e3o precisa: \u00abSem as represas, as hidrel\u00e9tricas n\u00e3o perdem a efic\u00e1cia &#8211; perdem o sentido.\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Organiza\u00e7\u00f5es Globo t\u00eam um comportamento um tanto bipolar em rela\u00e7\u00e3o aos assuntos ambientais. De um lado, os seus ve\u00edculos midi\u00e1ticos se alinham entre os principais divulgadores da ladainha do aquecimento global supostamente causado pelo homem. De outro, o jornal\u00a0O Globo\u00a0tem dado um importante apoio \u00e0 energia nuclear e \u00e0 necessidade de se retomarem os &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-infraestrutura-e-integracao-regional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/933\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}