{"id":926,"date":"2013-11-29T16:30:33","date_gmt":"2013-11-29T16:30:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=926"},"modified":"2013-11-29T16:30:33","modified_gmt":"2013-11-29T16:30:33","slug":"haiyanyolanda-como-nao-se-deve-explorar-uma-tragedia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/haiyanyolanda-como-nao-se-deve-explorar-uma-tragedia\/","title":{"rendered":"Haiyan\/Yolanda: como (n\u00e3o se deve) explorar uma trag\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Era mais que previs\u00edvel que os integrantes da \u00abind\u00fastria do aquecimento global\u00bb n\u00e3o perdessem tempo em manipular as informa\u00e7\u00f5es sobre a tr\u00e1gica passagem do tuf\u00e3o Haiyan pelas Filipinas (onde recebeu o nome Yolanda), para promover os cen\u00e1rios catastrofistas com os quais alimentam a sua cruzada contra o carbono, que passou a constituir um meio de vida.<\/p>\n<p align=\"left\">Como de h\u00e1bito, o sensacionalismo intr\u00ednseco que costuma orientar as coberturas midi\u00e1ticas de tais fen\u00f4menos se manifestou com plena for\u00e7a, na avalia\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia do tuf\u00e3o. Na sexta-feira 8 de novembro, muitas manchetes e coment\u00e1rios j\u00e1 propalavam que se tratava do \u00abtuf\u00e3o mais forte a tocar a terra j\u00e1 registrado\u00bb (vide, entre muitos outros, o\u00a0<em>Jornal Nacional<\/em>\u00a0da Rede Globo de Televis\u00e3o). Evidentemente, tais avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram feitas pelos jornalistas que se dedicam \u00e0s colunas meteorol\u00f3gicas, mas extra\u00eddas de informa\u00e7\u00f5es divulgadas por \u00f3rg\u00e3os especializados e reproduzidas pelas ag\u00eancias noticiosas. Mas os exageros foram em propor\u00e7\u00f5es e quantidades que desafiam o mero bom senso.<\/p>\n<p align=\"left\">No Brasil, o jornal<em>\u00a0O Globo<\/em>\u00a0se superou. Na edi\u00e7\u00e3o do domingo 10 de novembro, uma cobertura bastante detalhada sobre a devasta\u00e7\u00e3o causada pelo tuf\u00e3o foi arranhada por informa\u00e7\u00f5es sobre ondas de\u00a040 metros\u00a0(sic) e ventos de 379 km\/h. E os exageros se repetiram na edi\u00e7\u00e3o da segunda-feira 11, sendo corrigidos apenas na do dia seguinte, que falava em ventos de \u00abquase 300 km\/h\u00bb e ondas de seis metros.<\/p>\n<p align=\"left\">Com exce\u00e7\u00e3o das ondas de 40 metros (possivelmente, mal traduzidas de notas da CNN e da BBC, que falavam em alturas de 40 p\u00e9s), os equ\u00edvocos do jornal estiveram longe de ser exclusivos. N\u00e3o obstante, uma simples consulta aos s\u00edtios dos \u00f3rg\u00e3os competentes filipinos proporcionaria informa\u00e7\u00f5es mais precisas. Por exemplo, um boletim meteorol\u00f3gico divulgado \u00e0s 17h de sexta-feira (hora local, 7h de Bras\u00edlia), pelo servi\u00e7o meteorol\u00f3gico das Filipinas (PAGASA), falava em<\/p>\n<blockquote><p>ventos m\u00e1ximos sustentados de 215 km\/h pr\u00f3ximos ao centro [do tuf\u00e3o] e rajadas de at\u00e9 250 km\/h.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Sobre as ondas esperadas, um boletim da Avalia\u00e7\u00e3o Operacional Nacional de Desastres (NOAH), mencionava ondas de mar\u00e9s de at\u00e9 5,3 m, sendo de 4,5 m na regi\u00e3o de Tacloban, que se revelou a mais seriamente atingida pelo tuf\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">Embora se possa entender que as velocidades de quase 400 km\/h tenham resultado de uma convers\u00e3o desatenta de quil\u00f4metros por hora para milhas por hora (250 mph = 400 km\/h), desconhece-se onde os jornalistas da CNN, BBC, <em>O Globo<\/em> e outros \u00f3rg\u00e3os foram buscar as suas ondas gigantes.<\/p>\n<p align=\"left\">Um fator que contribuiu para exacerbar a explora\u00e7\u00e3o do impacto humano do tuf\u00e3o foi a coincid\u00eancia com a realiza\u00e7\u00e3o da 19\u00aa. Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP-19), em Vars\u00f3via. Na sess\u00e3o de abertura, na segunda-feira 11, a secret\u00e1ria-executiva da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC), Christiana Figueres, abriu os trabalhos com um apelo melodram\u00e1tico:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s nos reunimos hoje com o peso sobre nossos ombros de muitas realidades que nos devem fazer refletir&#8230; [como] o impacto devastador do tuf\u00e3o Haiyan&#8230; As pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es travar\u00e3o uma batalha imensa e o que est\u00e1 em jogo aqui, neste est\u00e1dio, n\u00e3o \u00e9 um jogo&#8230; N\u00e3o h\u00e1 duas equipes, mas toda a humanidade. N\u00e3o h\u00e1 vencedores ou perdedores. Ou todos ganhamos ou todos perdemos (AFP, 11\/11\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Ainda mais incisivo foi (at\u00e9 certo ponto, compreensivelmente) o delegado filipino Saderev Sano:<\/p>\n<blockquote><p>H\u00e1 apenas 11 meses, eu estive em Doha [sede da COP-18] com minha delega\u00e7\u00e3o e pedimos que o mundo abrisse seus olhos e encarasse a realidade. Naquela \u00e9poca, a Rep\u00fablica das Filipinas tinha sido atingida por uma tempestade catastr\u00f3fica. Menos de um ano depois, n\u00e3o podia imaginar que um desastre muito maior viria&#8230; O que meu pa\u00eds est\u00e1 experimentando, como resultado deste evento clim\u00e1tico extremo, \u00e9 uma loucura. A crise clim\u00e1tica \u00e9 uma loucura&#8230; n\u00f3s podemos interromper esta loucura, aqui em Vars\u00f3via. (&#8230;)<\/p>\n<p>(&#8230;) Para aqueles que continuam negando e ignorando a realidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticos, eu os desafio a sair de suas poltronas confort\u00e1veis. Eles devem ir para as ilhas do Pac\u00edfico, do Oceano \u00cdndico e do Caribe, para ver os impactos do aumento do n\u00edvel do mar, devem ir at\u00e9 o \u00c1rtico, onde as comunidades locais est\u00e3o tendo que lidar com camadas de gelo que derretem cada vez mais rapidamente (Reuters, 11\/11\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Mais tarde, Sano se declarou em greve de fome durante os 12 dias da confer\u00eancia, em solidariedade aos seus compatriotas atingidos pela cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p align=\"left\">R\u00e1pido no gatilho, como de h\u00e1bito, o Greenpeace divulgou em seu s\u00edtio brasileiro uma nota intitulada \u00abHaiyan: destrui\u00e7\u00e3o e necessidade de a\u00e7\u00e3o\u00bb, a qual afirma:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c0 primeira vista, as Filipinas e o \u00c1rtico podem parecer realidades distintas, no entanto, o que acontece em ambos lugares \u00e9 a prova de que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 s\u00e3o realidade. Os tuf\u00f5es que atingem o Pac\u00edfico e a perda de gelo em extens\u00e3o e volume no \u00c1rtico demandam a\u00e7\u00e3o imediata. Foi para chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para a urg\u00eancia do aquecimento global que 28 ativistas do Greenpeace protestaram pacificamente contra a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no \u00c1rtico no dia 18 de setembro. Desde ent\u00e3o, os ativistas e dois jornalistas foram presos pela Guarda Costeira Russa, est\u00e3o detidos na R\u00fassia e s\u00e3o sendo acusados de pirataria e de vandalismo. Se voc\u00ea tamb\u00e9m quer defender o fr\u00e1gil ecossistema \u00c1rtico e apoia a atitude dos nossos ativistas, clique no bot\u00e3o abaixo e envie uma mensagem \u00e0 embaixada russa para que libertem nossos ativistas.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Na Pol\u00f4nia, como parte de sua campanha de propaganda para a COP-19, a ONG projetou mensagens como \u00abas tempestades come\u00e7am aqui\u00bb, nas chamin\u00e9s de algumas usinas termel\u00e9tricas (que fornecem mais de 80% da eletricidade do pa\u00eds).<\/p>\n<p align=\"left\">Refor\u00e7ando o coro, o climatologista alem\u00e3o Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impactos Clim\u00e1ticos (PIK), disparou:<\/p>\n<blockquote><p>Como podem aqueles que fazem tudo o que podem para combater as medidas de prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1ticas (sic) dormir, diante das imagens que est\u00e3o vindo das Filipinas (<em>Spiegel Online<\/em>, 13\/11\/213)?<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">O Instituto Potsdam \u00e9 um dos principais centros acad\u00eamicos \u00abaquecimentistas\u00bb da Europa. At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, seu diretor Hans-Joachim Schellnhuber era o principal assessor cient\u00edfico do governo federal alem\u00e3o, tendo sido tamb\u00e9m o inventor do famigerado \u00abteto\u00bb de dois graus cent\u00edgrados, o qual, supostamente, as temperaturas globais n\u00e3o poderiam superar, sob pena de provocar um descontrole geral na din\u00e2mica clim\u00e1tica. Tal n\u00famero, que o pr\u00f3prio autor admite ser uma cria\u00e7\u00e3o \u00abpol\u00edtica\u00bb, tem sido usado como base para todas as negocia\u00e7\u00f5es internacionais sobre as quest\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p align=\"left\">Por outro lado, felizmente, vozes mais sensatas tamb\u00e9m se fizeram ouvir, proporcionando avalia\u00e7\u00f5es mais realistas do fen\u00f4meno e da trag\u00e9dia por ele provocada, refor\u00e7ando o que \u00e9 senso comum entre especialistas e observadores n\u00e3o engajados na \u00abind\u00fastria aquecimentista\u00bb: a dimens\u00e3o dos impactos dos desastres naturais costuma ser inversamente proporcional aos n\u00edveis de desenvolvimento socioecon\u00f4mico das popula\u00e7\u00f5es atingidas. Por\u00e9m, at\u00e9 mesmo pa\u00edses mais pobres, como Bangladesh, \u00cdndia e outros, t\u00eam aumentado a sua capacidade para enfrentar tais fen\u00f4menos, com \u00eanfase em sistemas de previs\u00e3o e na prepara\u00e7\u00e3o de esquemas de evacua\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de maior risco.<\/p>\n<p align=\"left\">H\u00e1 dois meses, o ciclone Phailin atingiu a costa leste da \u00cdndia, deixando cerca de 500 mil pessoas desabrigadas e causando 25 mortes. Em 1999, um ciclone de pot\u00eancia similar causou mais de 10 mil mortes na mesma regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">Em 2011, o ciclone Yasi atingiu a Austr\u00e1lia com ventos de at\u00e9 285 km\/h, mas os planos de evacua\u00e7\u00e3o funcionaram a contento e, apesar da grande destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, n\u00e3o se registrou nenhuma morte como consequ\u00eancia direta da sua passagem.<\/p>\n<p align=\"left\">Quanto aos alegados efeitos do aquecimento global sobre o aumento da intensidade e da frequ\u00eancia dos furac\u00f5es e ciclones tropicais, uma das principais bandeiras dos \u00abaquecimentistas\u00bb, o Dr. Benny Peiser, presidente da Funda\u00e7\u00e3o para Pol\u00edticas de Aquecimento Global (GWPF) brit\u00e2nica, um dos mais combativos opositores do catastrofismo clim\u00e1tico, sintetiza:<\/p>\n<blockquote><p>No que diz respeito aos ciclones e tempestades tropicais, algo bastante not\u00e1vel ocorreu este ano. A temporada de furac\u00f5es de 2013, no Atl\u00e2ntico, a qual se previa que seria mais ativa que o normal, se revelou ser um fiasco completo. Pela primeira vez em 45 anos, nenhum grande furac\u00e3o atingiu a terra. Este ano tamb\u00e9m foi marcado pelo menor n\u00famero de furac\u00f5es desde 1982, e foi o primeiro desde 1994 em que nenhum grande furac\u00e3o se formou. De fato, tem sido uma das temporadas de furac\u00f5es mais fracas desde que come\u00e7aram os registros modernos, h\u00e1 cerca de meio s\u00e9culo, como explicam meteorologistas estadunidenses (GWPF, 12\/11\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">No caso das Filipinas, os relatos d\u00e3o conta de que, embora a chegada do tuf\u00e3o tenha sido prognosticada com a devida anteced\u00eancia e parte das popula\u00e7\u00f5es das \u00e1reas mais cr\u00edticas tenha sido evacuada, muitos dos abrigos anteriormente preparados n\u00e3o resistiram \u00e0 for\u00e7a dos ventos. Ademais, o resgate e a assist\u00eancia \u00e0s v\u00edtimas est\u00e3o sendo consideravelmente prejudicados pela desorganiza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os governamentais envolvidos, o que tem dificultado, inclusive, as iniciativas de ajuda externa.<\/p>\n<p align=\"left\">Em s\u00edntese, \u00e0 parte a sua explora\u00e7\u00e3o abjeta pelos catastrofistas, a trag\u00e9dia filipina \u00e9 mais uma de uma longa lista de outras decorrentes do subdesenvolvimento, e n\u00e3o de um suposto efeito das a\u00e7\u00f5es humanas sobre a din\u00e2mica clim\u00e1tica. Como j\u00e1 afirmou a respeito o engenheiro estadunidense Ingur Goklany, um respeitado especialista na avalia\u00e7\u00e3o de desastres:<\/p>\n<blockquote><p>Atualmente, muitos defendem que se gastem trilh\u00f5es de d\u00f3lares para reduzir os gases de efeito estufa antropog\u00eanicos, em parte, para reduzir hipot\u00e9ticos aumentos futuros de mortalidade, induzidos pelo aumento de eventos meteorol\u00f3gicos extremos. O gasto de uma fra\u00e7\u00e3o de tais somas com as numerosas prioridades maiores, em termos dos problemas de sa\u00fade e seguran\u00e7a que afligem a humanidade, proporcionaria retornos bem maiores para o bem-estar humano (GWPF, 15\/08\/2010).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">S\u00f3 podemos assinar embaixo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era mais que previs\u00edvel que os integrantes da \u00abind\u00fastria do aquecimento global\u00bb n\u00e3o perdessem tempo em manipular as informa\u00e7\u00f5es sobre a tr\u00e1gica passagem do tuf\u00e3o Haiyan pelas Filipinas (onde recebeu o nome Yolanda), para promover os cen\u00e1rios catastrofistas com os quais alimentam a sua cruzada contra o carbono, que passou a constituir um meio de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/926\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}