{"id":918,"date":"2013-11-08T13:44:53","date_gmt":"2013-11-08T13:44:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=918"},"modified":"2013-11-08T13:44:53","modified_gmt":"2013-11-08T13:44:53","slug":"general-villas-boas-pais-trata-a-amazonia-como-colonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/general-villas-boas-pais-trata-a-amazonia-como-colonia\/","title":{"rendered":"General Villas B\u00f4as: \u00abPa\u00eds trata a Amaz\u00f4nia como col\u00f4nia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O Brasil trata a Amaz\u00f4nia como uma col\u00f4nia, sem integr\u00e1-la ao Pa\u00eds e desconhecendo a sua realidade e os seus enormes potenciais. Para o general-de-divis\u00e3o Eduardo Villas B\u00f4as, titular do Comando Militar da Amaz\u00f4nia (CMA), esta \u00e9 uma das principais causas da desorienta\u00e7\u00e3o que prevalece no restante do Pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">Em entrevista \u00e0\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>\u00a0de 19 de outubro, Villas B\u00f4as, que ocupa o posto desde 2011, fez cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica indigenista do governo federal e \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das ONGs ambientalistas e indigenistas na regi\u00e3o, embora tenha evitado se contrapor \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o oficial. A seguir, apresentamos as principais considera\u00e7\u00f5es do oficial:<\/p>\n<p align=\"left\">FSP &#8211; Bras\u00edlia sabe o que acontece na Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p align=\"left\">EVB\u00a0&#8211; Na parte da defesa at\u00e9 sabe. O que ocorre \u00e9 que, em pleno s\u00e9culo XXI, o pa\u00eds n\u00e3o completou sua expans\u00e3o interna. Temos metade do nosso territ\u00f3rio a ser ocupado, integrado \u00e0 din\u00e2mica da sociedade. A Amaz\u00f4nia, como n\u00e3o est\u00e1 integrada ao pa\u00eds, n\u00e3o h\u00e1 conhecimento no sul da sua realidade, seu potencial. \u00c9 como se fosse uma col\u00f4nia do Brasil. Ela n\u00e3o \u00e9 analisada, interpretada, estudada e compreendida numa vis\u00e3o centrada da pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia. Isso nos coloca numa posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>FSP &#8211; Quais s\u00e3o as principais necessidades da popula\u00e7\u00e3o local?<\/p>\n<p>EVB\u00a0&#8211; As reais necessidades da popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia chegam ao Centro-Sul de maneira distorcida. Com isso, monta-se uma base de conhecimento desfocada, com solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o apropriadas. A popula\u00e7\u00e3o, principalmente no interior, n\u00e3o tem necessidades b\u00e1sicas atingidas. Em grande parte, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma presen\u00e7a do governo do Estado. Em algumas \u00e1reas as For\u00e7as Armadas s\u00e3o essa \u00fanica presen\u00e7a.<\/p>\n<p>FSP &#8211; O material humano e financeiro atual do comando militar \u00e9 suficiente para monitor\u00e1-la?<\/p>\n<p>EVB\u00a0&#8211; N\u00e3o \u00e9 suficiente. A partir da Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa, em 2008, a Amaz\u00f4nia virou prioridade. Mas s\u00f3 de fronteira temos 11 mil km. E nossa capacidade de vigil\u00e2ncia est\u00e1 basicamente restrita ao fator humano. Monitorar toda essa \u00e1rea s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com tecnologia incorporada, cujo sistema de monitoramento est\u00e1 em desenvolvimento e custar\u00e1 R$ 10 bilh\u00f5es at\u00e9 2020. Desde 1999, o Ex\u00e9rcito tem poder de pol\u00edcia na faixa de fronteira [150 km de largura], isso estabeleceu nova responsabilidade. Outro aspecto \u00e9 a grande vulnerabilidade que o pa\u00eds todo tem. Estamos no s\u00e9culo 21 e um pa\u00eds da nossa dimens\u00e3o n\u00e3o tem um sat\u00e9lite. N\u00e3o vamos ter autonomia total enquanto n\u00e3o tivermos nossos sat\u00e9lites. Por isso este projeto est\u00e1 no Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p>FSP &#8211; Concorda com a demarca\u00e7\u00e3o de novas terras ind\u00edgenas?<\/p>\n<p>EVB\u00a0&#8211; A discuss\u00e3o \u00e9 importante. Veja o que aconteceu na Raposa\/Serra do Sol [cujos n\u00e3o ind\u00edgenas foram retirados]. Foi feita demarca\u00e7\u00e3o, e as estruturas econ\u00f4micas tiveram que sair. Hoje os \u00edndios t\u00eam dificuldades para encontrar alternativas vi\u00e1veis. O que a iniciativa privada proporcionava ali, o governo tem dificuldade de proporcionar. A participa\u00e7\u00e3o do Congresso \u00e9 importante, pois viabiliza a participa\u00e7\u00e3o de outros setores. Eu acho positivo, sim. Os \u00edndios, coitados, ficam prisioneiros de duas vertentes: o interesse econ\u00f4mico e a fundamentalismo ambientalista.<\/p>\n<p>FSP &#8211; Como o sr. avalia a pol\u00edtica indigenista brasileira?<\/p>\n<p>EVB\u00a0&#8211; H\u00e1 dois problemas. E n\u00e3o estou fazendo cr\u00edticas ao governo. Somos n\u00f3s, Brasil. Primeiro, os \u00f3rg\u00e3os que atuam na Amaz\u00f4nia, nessas quest\u00f5es t\u00edpicas, ambiental e ind\u00edgena, t\u00eam estrutura deficiente. O governo trabalha para ampliar, mas ainda \u00e9 carente. O segundo aspecto \u00e9 que a pol\u00edtica indigenista \u00e9 muito geopol\u00edtica. Ela se resume praticamente a delimitar as terras e os \u00edndios ficam confinados nelas. Seria interessante que a delimita\u00e7\u00e3o fosse seguida de outro tipo de programa que desse sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 vida dos \u00edndios. Por maior que seja a terra, a vida do \u00edndio n\u00e3o se viabiliza. Os recursos naturais v\u00e3o se esgotando. Nossa pol\u00edtica est\u00e1 muito homog\u00eanea do ponto de vista de n\u00e3o reconhecer diferentes n\u00edveis de acultura\u00e7\u00e3o das comunidades.<\/p>\n<p>FSP &#8211; Qual \u00e9 o papel das ONGs estrangeiras na Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p>EVB\u00a0&#8211; Al\u00e9m de tudo que representa, a Amaz\u00f4nia tem um papel muito grande na integra\u00e7\u00e3o sul-americana. Ela abriga a solu\u00e7\u00e3o para alguns dos grandes problemas que afligem a humanidade, como \u00e1gua, energia renov\u00e1vel, biodiversidade, mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Isso justifica toda essa press\u00e3o em torno da Amaz\u00f4nia que faz a opini\u00e3o p\u00fablica internacional. Nesta semana, o governo est\u00e1 passando leis no Congresso estabelecendo mecanismos de controle mais r\u00edgidos sobre as ONGs do ponto de vista da movimenta\u00e7\u00e3o financeira. N\u00e3o \u00e9 o caso de estigmatizar as ONGs, elas vieram preencher espa\u00e7os e atender necessidades da popula\u00e7\u00e3o que nem o primeiro nem o segundo setores t\u00eam capacidade de atender. Mas h\u00e1 coisas fora de controle, e a gente fica numa inseguran\u00e7a, n\u00e3o sabe quem s\u00e3o, quais os objetivos. E muitas vezes [elas] atuam no sentido contr\u00e1rio aos interesses do governo brasileiro.<\/p>\n<p>FSP &#8211; Pode citar um exemplo?<\/p>\n<p>EVB\u00a0&#8211; Veja a dificuldade para asfaltar a BR-319 [Manaus-Porto Velho]. \u00c9 uma rodovia que j\u00e1 existiu, n\u00e3o gerou desflorestamento, n\u00e3o houve preju\u00edzo ambiental. Mas o governo n\u00e3o consegue fazer\u2026 \u00e9 um absurdo. Manaus est\u00e1 conectada \u00e0 Venezuela, mas n\u00e3o ao restante do Brasil. \u00c9 extremamente dif\u00edcil viabilizar a recupera\u00e7\u00e3o dessa rodovia, s\u00e3o for\u00e7as que realmente t\u00eam capacidade de intervir e inibir isso. E muito por causa do fundamentalismo ecol\u00f3gico. N\u00e3o se faz omelete sem quebrar o ovo, se vou lan\u00e7ar um gasoduto, alguma \u00e1rvore vou derrubar. \u00c9 uma vis\u00e3o pragm\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em outra entrevista, ao s\u00edtio amazonense D24am.com (21\/\/10\/2013), o comandante da 2\u00aa. Brigada de Infantaria de Selva, general-de-brigada S\u00e9rgio Luiz Duarte, contestou a frequente acusa\u00e7\u00e3o dos indigenistas de que as rela\u00e7\u00f5es dos militares com os ind\u00edgenas s\u00e3o conflituosas. Segundo ele, na regi\u00e3o da Cabe\u00e7a do Cachorro, em torno de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM), sede da brigada, tal rela\u00e7\u00e3o<\/p>\n<blockquote><p>\u00e9 a melhor poss\u00edvel. J\u00e1 \u00e9 uma caracter\u00edstica do Ex\u00e9rcito Brasileiro incluir nos quadros militares pessoas na pr\u00f3pria regi\u00e3o, ent\u00e3o, isto \u00e9 muito not\u00f3rio nesta regi\u00e3o, na Cabe\u00e7a da Cachorro, onde praticamente todos os nossos soldados s\u00e3o nativos da regi\u00e3o. Por isto, o relacionamento com os ind\u00edgenas \u00e9 excelente e eles se sentem muito honrados em ter os seus filhos juntos conosco.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ademais, acrescentou ele, por confiar nos militares, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena local tem um papel importante na vigil\u00e2ncia da regi\u00e3o contra atividades il\u00edcitas transfronteiri\u00e7as. \u00abPorque estamos aqui na regi\u00e3o [da tribo] ianom\u00e2mi, no pelot\u00e3o de Maturac\u00e1 e qualquer novidade ou algo estranho que eles encontrem, sempre nos procuram\u00bb, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil trata a Amaz\u00f4nia como uma col\u00f4nia, sem integr\u00e1-la ao Pa\u00eds e desconhecendo a sua realidade e os seus enormes potenciais. 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