{"id":915,"date":"2013-11-08T13:42:05","date_gmt":"2013-11-08T13:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=915"},"modified":"2013-11-08T13:42:05","modified_gmt":"2013-11-08T13:42:05","slug":"triunfos-do-obscurantismo-ambientalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/triunfos-do-obscurantismo-ambientalista\/","title":{"rendered":"Triunfos do obscurantismo ambientalista"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Em menos de 24 horas, as hostes que promovem o obscurantismo ambientalista no Brasil lograram dois grandes triunfos, decorrentes dos m\u00e9todos fascist\u00f3ides que costumam orientar as suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"left\">Na ter\u00e7a-feira 5 de novembro, uma horda ensandecida de manifestantes da chamada Marcha da Reforma Agr\u00e1ria devastou as instala\u00e7\u00f5es do Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias (Ceca) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Rio Largo, destruindo equipamentos e amostras de materiais usados em pesquisas de melhoramento gen\u00e9tico de cana-de-a\u00e7\u00facar. O agr\u00f4nomo Iedo Teodoro, coordenador do programa de pesquisas, descreveu a a\u00e7\u00e3o, depois de dizer que os manifestantes chegaram ao local de manh\u00e3 e foram recebidos pelos funcion\u00e1rios da universidade: \u00abAp\u00f3s almo\u00e7arem, por volta das 13h, um dos l\u00edderes dos movimentos chegou com um megafone e ordenou que os presentes na estufa quebrassem tudo. Eles destru\u00edram amostras important\u00edssimas e ainda quebraram as estufas de vidro. Destru\u00edram um experimento que seria tese de mestrado e doutorado (G1 AL, 5\/11\/2013).\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo o diretor do Ceca, Paulo Vanderlei, al\u00e9m de instala\u00e7\u00f5es e equipamentos, foram destru\u00eddas cerca de 30 mil pl\u00e2ntulas (embri\u00f5es de plantas contidos em sementes) de cana-de-a\u00e7\u00facar. \u00abEsses experimentos eram conduzidos por alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para elabora\u00e7\u00e3o de trabalhos de conclus\u00e3o de curso, disserta\u00e7\u00f5es e teses. Agora, tudo est\u00e1 perdido. Nossos pesquisadores v\u00e3o come\u00e7ar do zero e nossos alunos podem n\u00e3o concluir seus cursos no tempo correspondente \u00e0s bolsas de Capes [Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior] e CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico]\u00bb, lamentou (UFAL, 6\/11\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">O reitor da UFAL, Eurico L\u00f4bo, observou que a destrui\u00e7\u00e3o ter\u00e1 repercuss\u00f5es negativas n\u00e3o apenas na universidade, mas em outras institui\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a Rede Interuniversit\u00e1ria para o Desenvolvimento do Setor Sucroenerg\u00e9tico (Ridesa): \u00abA UFAL tem a lideran\u00e7a nessas pesquisas de melhoramento gen\u00e9tico da cana-de-a\u00e7\u00facar e \u00e9 refer\u00eancia. S\u00e3o anos de pesquisa, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso; nossa nniversidade tamb\u00e9m desenvolve no Ceca a\u00e7\u00f5es de fortalecimento da agricultura familiar e a\u00e7\u00f5es sociais, como educa\u00e7\u00e3o no campo&#8230; S\u00e3o meses, anos de trabalho destru\u00eddos; os preju\u00edzos s\u00e3o incalcul\u00e1veis.\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">O ataque foi perpetrado por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Liberta\u00e7\u00e3o dos Sem Terra (MLST), Movimento Luta Pela Terra (MLT) e Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).<\/p>\n<p align=\"left\">O assessor de imprensa do MST, Gustavo Marinho, justificou a a\u00e7\u00e3o como um protesto diante do foco das pesquisas feitas por pesquisadores da universidade federal (G1 AL, 5\/11\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">J\u00e1 o coordenador do MLST, Josival Oliveira, negou que seus asseclas tivessem causado grandes preju\u00edzos: \u00abFoi um ato simb\u00f3lico. S\u00f3 foram quebradas umas caqueiras [vasos para plantas &#8211; n.e]. N\u00f3s somos contra a monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar. N\u00e3o faz sentido o governo federal investir e gastar dinheiro para desenvolver a cana. O que precisamos \u00e9 desenvolver e fortalecer a agricultura familiar (<em>Gazeta de Alagoas<\/em>, 6\/11\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">A outra fa\u00e7anha do obscurantismo \u00abpoliticamente correto\u00bb foi o fechamento do Instituto Royal em S\u00e3o Roque (SP), anunciado na quarta-feira 6, em decorr\u00eancia dos preju\u00edzos causados pela depreda\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio da entidade e o roubo de todos os c\u00e3es e coelhos utilizados em pesquisas m\u00e9dicas, por um grupo de militantes da defesa dos direitos dos animais, em 18 de outubro \u00faltimo (ver \u00abOs nazistas tamb\u00e9m protegiam a natureza\u00bb, neste s\u00edtio).<\/p>\n<p align=\"left\">No comunicado \u00e0 imprensa, a dire\u00e7\u00e3o da entidade informa que o encerramento das atividades se deve \u00e0s \u00abelevadas e irrepar\u00e1veis perdas\u00bb decorrentes da invas\u00e3o, que resultou na \u00abperda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma d\u00e9cada de pesquisas\u00bb. Ademais, o texto aponta um \u00abrisco permanente a integridade f\u00edsica e moral de seus colaboradores&#8217;.<\/p>\n<p align=\"left\">O texto informa que todos os funcion\u00e1rios do instituto ser\u00e3o demitidos. O laborat\u00f3rio empregava 85 pessoas, inclusive m\u00e9dicos, veterin\u00e1rios, farmac\u00eauticos, bi\u00f3logos e biom\u00e9dicos.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abO preju\u00edzo causado ao Instituto Royal n\u00e3o \u00e9 mensur\u00e1vel. Mas \u00e9 certo que o Brasil inteiro perde muito com este epis\u00f3dio, lamentavelmente\u00bb, conclui a nota (G1, 6\/11\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">O Instituto Royal, criado em 2005, \u00e9 uma Organiza\u00e7\u00e3o de Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico (OSCIP), sendo devidamente credenciado junto ao Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (Concea), \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), respons\u00e1vel por regulamentar o uso de animais em pesquisas no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mais que deplor\u00e1vel, \u00e9 revoltante que fatos como estes estejam ocorrendo em pleno s\u00e9culo XXI e, pior, sejam: 1) justificados por seus perpetradores com alega\u00e7\u00f5es de uma suposta superioridade moral ou necessidade social; 2) coonestados e justificados por comentaristas e legisladores alinhados com uma tend\u00eancia prevalecente \u00e0 \u00abcorre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u00bb; 3) saudados por um grande n\u00famero de pessoas desinformadas ou desorientadas quanto aos significados mais profundos de tais atos; e 4) deixados impunes pelas autoridades, que deveriam zelar pelo cumprimento das normas legais, segundo as quais tais atos constituem a\u00e7\u00f5es criminosas, pura e simplesmente.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio da UFAL se junta a uma s\u00e9rie de atos de vandalismo semelhantes praticados pelos \u00absem-terras\u00bb contra instala\u00e7\u00f5es de pesquisa p\u00fablicas e privadas, em v\u00e1rios estados, desde a d\u00e9cada passada. Sob a \u00f3tica bizarra e fundamentalista dos mentores do movimento, quaisquer pesquisas que n\u00e3o se encaixem na sua vis\u00e3o pr\u00e9-medieval das atividades agr\u00edcolas s\u00e3o dispens\u00e1veis e, portanto, qualquer a\u00e7\u00e3o f\u00edsica contra elas se torna moralmente justificada. Em sua miopia ideol\u00f3gica, se aferram a um conceito idealizado de \u00abreforma agr\u00e1ria\u00bb j\u00e1 fora de sintonia com a realidade nacional e se lan\u00e7am contra tudo que n\u00e3o seja compat\u00edvel com esta vis\u00e3o retr\u00f3grada, que n\u00e3o atende sequer \u00e0s necessidades reais das popula\u00e7\u00f5es rurais que professam defender.<\/p>\n<p>Se quisessem, realmente, atend\u00ea-las, em vez de agir como luditas p\u00f3s-modernos, estariam se empenhando, junto \u00e0s autoridades federais e estaduais &#8211; inclusive, junto aos governos e funda\u00e7\u00f5es privadas estrangeiros que os patrocinam -, em prol da amplia\u00e7\u00e3o das atividades de apoio efetivo aos pequenos produtores rurais, como assist\u00eancia t\u00e9cnica, concess\u00e3o de cr\u00e9ditos, implementa\u00e7\u00e3o de infraestrutura de armazenamento, vi\u00e1ria e energ\u00e9tica, acesso aos mercados e outras medidas.\u00a0Desafortunadamente, isto n\u00e3o parece constar da sua vetusta agenda ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio do Instituto Royal \u00e9 ainda mais espantoso, em fun\u00e7\u00e3o da virtual coonesta\u00e7\u00e3o da depreda\u00e7\u00e3o pelas autoridades e por numerosos comentaristas. A Pol\u00edcia Militar justificou a ina\u00e7\u00e3o do seu pelot\u00e3o presente ao local, no dia da invas\u00e3o, para \u00abevitar colocar em risco a integridade f\u00edsica das pessoas\u00bb, pouco importando que elas estivessem cometendo um ato criminoso diante de quem deveria evit\u00e1-lo. Ap\u00f3s o ataque, a prefeitura de S\u00e3o Roque suspendeu o alvar\u00e1 de funcionamento do instituto por dois meses. A C\u00e2mara dos Deputados instalou, com a maior presteza, uma comiss\u00e3o especial para investigar maus tratos em animais, encabe\u00e7ada pelo pitoresco deputado Prot\u00f3genes Queiroz (PCdoB-SP), que comparou o instituto a um \u00abcampo de concentra\u00e7\u00e3o nazista\u00bb.<\/p>\n<p>Uma amostra significativa da distorcida mentalidade prevalecente foi proporcionada pelo jornalista Ulisses Capozzoli, um dos mais renomados jornalistas cient\u00edficos brasileiros, em um longo artigo publicado no s\u00edtio Observat\u00f3rio da Imprensa (\u00abA ci\u00eancia e os beagles\u00bb), em 29 de outubro. Para come\u00e7ar, ele qualifica o\u00a0roubo\u00a0dos animais como uma mera \u00abretirada\u00bb, e lamenta que a veicula\u00e7\u00e3o do assunto pela m\u00eddia tenha sido \u00abum tanto sensacionalista\u00bb. Embora o texto seja extenso demais para ser sequer sintetizado aqui, o autor inverte totalmente o \u00f4nus das responsabilidades pelo epis\u00f3dio e afirma que o Instituto Royal,<\/p>\n<blockquote><p>seguramente informado do inconformismo dos ambientalistas (nada disso ocorre da noite para o dia sem certa fermenta\u00e7\u00e3o de \u00e2nimos), deveria ter tratado a quest\u00e3o mais cientificamente e, o que significa dizer com mais responsabilidade e efici\u00eancia. E isso n\u00e3o aconteceu. O Instituto Royal deveria ter convidado um grupo de representante dos ambientalistas, com participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, para conhecer e discutir a situa\u00e7\u00e3o dos animais. E isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<p>Os ambientalistas j\u00e1 haviam estimulado o Minist\u00e9rio P\u00fablico a se pronunciar sobre a situa\u00e7\u00e3o da pesquisa com os beagles, mas esse processo, como se sabe, \u00e9 indesejavelmente lento, burocr\u00e1tico e, em boa parte dos casos, absolutamente frustrante. Ent\u00e3o, se o Instituto Royal n\u00e3o teve procedimento devido (procedimento cient\u00edfico, pode se dizer) para lidar com o entorno social em sua sede de pesquisa com animais, \u00e9 preciso que isso seja formalmente reconhecido e que o instituto seja responsabilizado por isso.<\/p><\/blockquote>\n<p>Quando um doutor em Ci\u00eancias (pela Universidade de S\u00e3o Paulo) e editor de uma importante revista cient\u00edfica (<em>Scientific American Brasil<\/em>) se pronuncia desta maneira sobre um ato t\u00e3o conden\u00e1vel, s\u00f3 podemos concluir que algo vai muito mal no Pa\u00eds, no tocante \u00e0 percep\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es n\u00e3o apenas cient\u00edficas, mas, principalmente, morais, \u00e9ticas e legais.<\/p>\n<p>Como afirma a nota do Instituto Royal, n\u00e3o foi somente a entidade que perdeu muito, mas todo o Brasil &#8211; e os brasileiros que sonham com um padr\u00e3o civilizat\u00f3rio superior e se empenham para viabiliz\u00e1-lo, ainda que tenham que confrontar as for\u00e7as do obscurantismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em menos de 24 horas, as hostes que promovem o obscurantismo ambientalista no Brasil lograram dois grandes triunfos, decorrentes dos m\u00e9todos fascist\u00f3ides que costumam orientar as suas a\u00e7\u00f5es. Na ter\u00e7a-feira 5 de novembro, uma horda ensandecida de manifestantes da chamada Marcha da Reforma Agr\u00e1ria devastou as instala\u00e7\u00f5es do Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias (Ceca) da Universidade &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-915","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/915\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}