{"id":913,"date":"2014-02-28T17:16:59","date_gmt":"2014-02-28T17:16:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=913"},"modified":"2014-02-28T17:16:59","modified_gmt":"2014-02-28T17:16:59","slug":"brasil-crise-do-modelo-se-evidencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/brasil-crise-do-modelo-se-evidencia\/","title":{"rendered":"Brasil: crise do modelo se evidencia"},"content":{"rendered":"<p>O apag\u00e3o que deixou mais de 6 milh\u00f5es de pessoas sem eletricidade, em 14 estados, na ter\u00e7a-feira 4 de fevereiro, menos de 24 horas depois de o ministro de Minas e Energia Edison Lob\u00e3o ter afirmado que tal risco estava afastado, foi mais uma evid\u00eancia de que o Brasil enfrenta um vis\u00edvel esgotamento do modelo de desenvolvimento baseado em uma pol\u00edtica de incentivo ao consumo, que, entre outros co-requisitos, negligencia a necessidade de um programa s\u00e9rio de investimentos maci\u00e7os &#8211; p\u00fablicos e privados &#8211; em infraestrutura f\u00edsica. Com o afastamento do Estado, tais investimentos se tornaram dependentes do interesse dos investidores privados, ao mesmo tempo em que o pr\u00f3prio governo os penaliza, com a sua submiss\u00e3o e coniv\u00eancia com o aparato ambientalista-indigenista internacional. Assim, as pol\u00edticas p\u00fablicas, como as institui\u00e7\u00f5es em geral, est\u00e3o a cada dia mais distantes das reais necessidades e anseios da popula\u00e7\u00e3o como um todo (evidentemente, a\u00ed inclu\u00edda a maioria dos setores produtivos da economia).<\/p>\n<p>No caso concreto dos cortes de energia, a combina\u00e7\u00e3o de um ver\u00e3o mais quente que a m\u00e9dia com os atrasos na amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura energ\u00e9tica (em grande medida, pelas restri\u00e7\u00f5es ambientais), al\u00e9m do aumento de consumo de energia proporcionado pelos incentivos \u00e0 compra de eletrodom\u00e9sticos (a chamada \u00abbolha das Casas Bahia\u00bb), levaram ao limite a capacidade do sistema el\u00e9trico para responder a eventos imprevistos, como o incidente ainda n\u00e3o identificado que provocou o blecaute do dia 4.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, megal\u00f3poles como S\u00e3o Paulo e o Rio de Janeiro se v\u00eaem \u00e0s voltas com problemas quase di\u00e1rios causados pela inefici\u00eancia e satura\u00e7\u00e3o dos seus sistemas de transportes, fatores que estiveram na origem das grandes manifesta\u00e7\u00f5es nacionais ocorridas em junho de 2013 e amea\u00e7am deflagrar novas ondas de protestos, inclusive, durante a Copa do Mundo, em junho-julho.<\/p>\n<p>As defici\u00eancias da rede vi\u00e1ria tamb\u00e9m se exacerbam diante das necessidades de transporte da supersafra de gr\u00e3os que o Pa\u00eds dever\u00e1 colher este ano, gerando repetidamente cenas como as quilom\u00e9tricas filas de caminh\u00f5es aguardando para deixar as suas cargas nos principais portos, que, com frequ\u00eancia, obriga os caminhoneiros a esperas que ultrapassam 24 horas.<\/p>\n<p>Por ironia, grande parte desses problemas tem origem nos incentivos concedidos pelo governo federal em sua estrat\u00e9gia para o enfrentamento da crise de 2008, que se baseou na concess\u00e3o maci\u00e7a de cr\u00e9ditos e incentivos direcionados, preferencialmente, ao consumo das fam\u00edlias, como as redu\u00e7\u00f5es de IPI para autom\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos. Desafortunadamente, o que deveria ser uma medida com objetivos e prazos limitados acabou se convertendo em orienta\u00e7\u00e3o semipermanente, voltada para a obten\u00e7\u00e3o de vantagens pol\u00edticas de curto prazo, sem a contrapartida de sequer um vest\u00edgio das mudan\u00e7as substantivas requeridas para que a economia brasileira possa emergir da virtual estagna\u00e7\u00e3o em que se encontra, principalmente, nos seus setores de maior capacidade de agrega\u00e7\u00e3o de valores.<\/p>\n<p>Ademais, o setor financeiro continua dando as cartas na determina\u00e7\u00e3o das prioridades das pol\u00edticas p\u00fablicas, como se observa pela prioridade absoluta conferida no or\u00e7amento federal ao servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica e a utiliza\u00e7\u00e3o recorrente dos juros estratosf\u00e9ricos como quase exclusivo instrumento de pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para complicar, setores diversos das elites dirigentes nacionais t\u00eam vis\u00f5es opostas e de dif\u00edcil concilia\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, o que dificulta qualquer tipo de entendimento sobre um diagn\u00f3stico dos problemas e o estabelecimento de uma agenda estrat\u00e9gica para enfrent\u00e1-los. Uma reportagem publicada em 11 de fevereiro, pelo jornal\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, traz uma oportuna demonstra\u00e7\u00e3o de tais desencontros.<\/p>\n<p>Nela, dirigentes de quatro das mais importantes entidades empresariais brasileiras discordam entre si sobre a confian\u00e7a do setor empresarial nos rumos do Pa\u00eds, enquanto um ministro de Estado se limita a apontar as cr\u00edticas como \u00abmanifesta\u00e7\u00f5es de campanha pol\u00edtica\u00bb.<\/p>\n<p>Na reportagem, o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Pedro Passos, atribui os resultados ruins da ind\u00fastria em 2013 ao que chamou \u00abambiente econ\u00f4mico prejudicado\u00bb, afirmando, ainda, que \u00abo clima de confian\u00e7a do empresariado n\u00e3o existe, acabou\u00bb.<\/p>\n<p>Com ele, fez coro o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria El\u00e9trica e Eletr\u00f4nica (Abinee), Humberto Barbato: \u00abH\u00e1 uma falta de seguran\u00e7a sobre o que vai ser a economia brasileira nos pr\u00f3ximos meses, mais especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regras para o setor el\u00e9trico. A apreens\u00e3o \u00e9 grande.\u00bb<\/p>\n<p>J\u00e1 o diretor-secret\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, reconheceu avan\u00e7os na inser\u00e7\u00e3o social, mas afirmou que o modelo econ\u00f4mico \u00abnos rouba competitividade sist\u00eamica como Pa\u00eds\u00bb. Segundo ele, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, \u00abque \u00e9 o motor do desenvolvimento\u00bb, caminha para ser apenas montadora ou importadora porque a produ\u00e7\u00e3o local n\u00e3o \u00e9 competitiva. \u00abEstamos c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o ao desejo da classe pol\u00edtica de fazer reformas para mudar esse quadro\u00bb, diz. \u00abTeria de come\u00e7ar com a reforma m\u00e3e, que \u00e9 a reforma pol\u00edtica.\u00bb Para ele, o problema \u00e9 antigo e vem de muito antes do atual governo.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 R\u00e1dio Jovem Pan, na v\u00e9spera, Barbato afirmou que as mudan\u00e7as precisariam \u00abcome\u00e7ar pela reforma pol\u00edtica\u00bb, com medidas como o fim da reelei\u00e7\u00e3o. Em suas palavras, o Brasil precisa de \u00abpol\u00edticos comprometidos com um projeto de Pa\u00eds e n\u00e3o simplesmente com seu projeto de poder\u00bb.<\/p>\n<p>A voz dissidente, em um caso t\u00edpico de quem toma a \u00e1rvore pela floresta, veio do presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, para quem \u00abde forma alguma, perdemos a confian\u00e7a no governo\u00bb. Segundo ele, gra\u00e7as a medidas r\u00e1pidas e eficazes que ajudaram o Pa\u00eds a criar maior demanda no mercado, o setor escapou de impactos da crise internacional nos \u00faltimos dois anos. \u00abTivemos crises fortes nos Estados Unidos e na Europa e recuo de crescimento da China, os tr\u00eas principais compradores de produtos brasileiros. O governo brasileiro minimizou poss\u00edveis consequ\u00eancias ao setor automotivo e \u00e0 economia como um todo.\u00bb<\/p>\n<p>Quanto ao governo, a resposta aos lamentos dos empres\u00e1rios foi dada pelo ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, Fernando Pimentel, afirmando que tais cr\u00edticas n\u00e3o passam de \u00abum instrumento de campanha eleitoral antecipada\u00bb. Na verdade, tal defini\u00e7\u00e3o se aplicaria melhor \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de um modelo que mant\u00e9m a ind\u00fastria e os setores de infraestrutura em permanente sangria.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/buraco-na-estrada-brasil.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-945\" title=\"buraco-na-estrada-brasil\" src=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/buraco-na-estrada-brasil.png\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/buraco-na-estrada-brasil.png 320w, https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/buraco-na-estrada-brasil-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O apag\u00e3o que deixou mais de 6 milh\u00f5es de pessoas sem eletricidade, em 14 estados, na ter\u00e7a-feira 4 de fevereiro, menos de 24 horas depois de o ministro de Minas e Energia Edison Lob\u00e3o ter afirmado que tal risco estava afastado, foi mais uma evid\u00eancia de que o Brasil enfrenta um vis\u00edvel esgotamento do modelo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-913","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-iberoamerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=913"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}