{"id":902,"date":"2013-10-25T12:14:22","date_gmt":"2013-10-25T12:14:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=902"},"modified":"2013-10-25T12:14:22","modified_gmt":"2013-10-25T12:14:22","slug":"aquecimentistas-marcam-datas-para-caos-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/aquecimentistas-marcam-datas-para-caos-climatico\/","title":{"rendered":"\u00abAquecimentistas\u00bb marcam datas para caos clim\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">Um novo estudo, produzido por uma equipe de cientistas da Universidade do Hava\u00ed, refor\u00e7a a ofensiva dos defensores da infundada hip\u00f3tese da influ\u00eancia humana no clima global. Com base nas habituais simula\u00e7\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es de modelos computadorizados, o estudo afirma que o ano de 2047 marcar\u00e1 o in\u00edcio do apocalipse clim\u00e1tico e defende o corte de emiss\u00f5es dos setores produtivos mundiais.<\/p>\n<p>Publicado na prestigiada revista cient\u00edfica brit\u00e2nica\u00a0<em>Nature<\/em>,\u00a0o estudo aponta que em 2047 a maior parte do planeta ter\u00e1 temperaturas m\u00e9dias superiores \u00e0s registradas em qualquer outro per\u00edodo entre 1860 e 2005. \u201cPense no evento mais quente e traum\u00e1tico que voc\u00ea j\u00e1 experimentou. Ele, no futuro, ser\u00e1 um fen\u00f4meno normal&#8230; Vemos, hoje, cada vez mais not\u00edcias sobre pessoas que morrem devido a ondas de calor. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que este n\u00famero vai crescer\u201d, afirmou o autor principal do estudo, Camilo Mora, em entrevista ao jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0(10\/10\/2013).<\/p>\n<p>Para Mora, o aumento dos ditos eventos extremos seria inevit\u00e1vel: \u201cQuando deixamos um ecossistema, como a floresta tropical, exposto \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, haver\u00e1 uma menor oferta da comida e da \u00e1gua que precisamos. A redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e da pesca s\u00e3o exemplos de como a sociedade n\u00e3o pode fazer vista grossa para os eventos clim\u00e1ticos.\u201d<\/p>\n<p>O tom catastrofista, no entanto, alcan\u00e7a o \u00e1pice quando diz: \u201cA realidade \u00e9: n\u00e3o importa o que fa\u00e7amos, vamos sofrer com os eventos extremos, como o aumento da temperatura&#8230; Teremos que passar por um teste, a adapta\u00e7\u00e3o a um novo ambiente.\u201d<\/p>\n<p>Para chegar a tais conclus\u00f5es alarmistas, Mora explica que a sua equipe dividiu o planeta em mais de dez mil regi\u00f5es e projetou um total de sete vari\u00e1veis clim\u00e1ticas, entre eles \u00edndices de precipita\u00e7\u00e3o, evapora\u00e7\u00e3o, transpira\u00e7\u00e3o e temperatura do mar, al\u00e9m de 39 modelos clim\u00e1ticos desenvolvidos por 21 grupos de 12 pa\u00edses. Estes modelos projetaram quando cada uma dessas regi\u00f5es come\u00e7aria a ficar, constantemente, acima dos limites elaborados pelo levantamento das s\u00e9ries hist\u00f3ricas de temperaturas, definidas pela observa\u00e7\u00e3o dos m\u00ednimos e m\u00e1ximos de cada regi\u00e3o, entre 1860 e 2005. Os pesquisadores batizaram o ano em que isso ocorreria como um\u00a0<em>\u201cclimate departure\u201d<\/em>\u00a0(algo como \u201cdesvio de clima\u201d).<\/p>\n<p>Com base em tal metodologia, o estudo afirma que os tr\u00f3picos ser\u00e3o a primeira regi\u00e3o do planeta a ser afetada pelo aquecimento global antropog\u00eanico (AGA). Nesse sentido, o documento aponta que, no Rio de Janeiro, onde a temperatura m\u00e9dia anual na atualidade \u00e9 de 23,5\u00b0C, passaria a ser de 26\u00b0C, enquanto que, em S\u00e3o Paulo, a m\u00e9dia passaria dos atuais 22\u00b0C para 24,5\u00b0C. No cen\u00e1rio dos pesquisadores estadunidenses, Havana (Cuba) e a Cidade do M\u00e9xico ultrapassariam esse ponto de \u201cdesvio\u201d no ano de 2031, enquanto que Acra (Gana) e Porto Pr\u00edncipe (Haiti) ultrapassariam a marca em 2027 e 2025, respectivamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os autores aplicaram o mesmo m\u00e9todo de \u00abprogn\u00f3stico\u00bb (que est\u00e1 mais para premoni\u00e7\u00e3o) de varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na avalia\u00e7\u00e3o do pH dos oceanos, afirmando que o \u201cdesvio\u201d para o pH oce\u00e2nico j\u00e1 aconteceu. Segundo o estudo, desde 2008, o pH estaria abaixo de qualquer registro desde 1850 e tal fen\u00f4meno dever\u00e1 continuar se aprofundando \u2013 o que, segundo eles, resultar\u00e1 na morte de grande parte dos recifes de corais essenciais para os ecossistemas marinhos. \u201cNossos resultados sugerem que os pa\u00edses a serem primeiro impactados por um clima sem precedentes s\u00e3o justamente os que possuem menos capacidade para se adaptar. Ironicamente, esses tamb\u00e9m s\u00e3o os menos respons\u00e1veis pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirmou o coautor do estudo, Ryan Longman (Carbono Brasil, 10\/10\/2013).<\/p>\n<p>No entanto, em meio ao alarmismo e pessimismo de tais n\u00fameros, o Dr. Mora fez uma not\u00e1vel ressalva: o calend\u00e1rio do caos pode ainda ser alterado e as temperaturas recordes podem ser atrasadas em 20 ou 25 anos, caso haja um esfor\u00e7o global para reduzir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2). Segundo o cientista, \u201cvale a pena discutir como podemos ganhar tempo at\u00e9 desenvolvermos um meio para que esta transforma\u00e7\u00e3o seja menos traum\u00e1tica\u201d. Ou seja, as d\u00e9cadas extras obtidas pelo r\u00edgido controle das emiss\u00f5es proporcionariam o tempo necess\u00e1rio para que a humanidade possa desenvolver tecnologias que auxiliem na sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito de tamanha propaganda \u00abaquecimentista\u00bb, o Dr. Mora foi honesto ao menos em um momento: quando, na entrevista ao\u00a0<em>Globo<\/em>, afirmou que os estudos clim\u00e1ticos efetuados por ele e seus colegas adeptos do AGA s\u00e3o como uma \u201cjun\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia, o p\u00fablico e a economia. Por isso, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que qualquer nova descoberta provoque grande interesse do p\u00fablico, mas tamb\u00e9m seja altamente politizada\u201d. Na sequ\u00eancia, como se poderia esperar, fez um ataque aos cr\u00edticos do catastrofismo clim\u00e1tico, ao afirmar que \u201co grau em que essas descobertas podem gerar mudan\u00e7as positivas \u00e9 frequentemente afetado por ataques \u00e0 credibilidade da ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O preocupado cientista seria ainda mais honesto se reconhecesse que o seu trabalho se soma ao incans\u00e1vel esfor\u00e7o das hostes \u00abaquecimentistas\u00bb para preservarem as suas rent\u00e1veis atividades, de modo a seguir sendo um fator de influ\u00eancia na defini\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas da maioria dos pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo, produzido por uma equipe de cientistas da Universidade do Hava\u00ed, refor\u00e7a a ofensiva dos defensores da infundada hip\u00f3tese da influ\u00eancia humana no clima global. 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