{"id":859,"date":"2013-09-06T19:03:00","date_gmt":"2013-09-06T19:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=859"},"modified":"2013-09-06T19:03:00","modified_gmt":"2013-09-06T19:03:00","slug":"dez-anos-apos-desastre-de-alcantara-programa-espacial-nao-decola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/dez-anos-apos-desastre-de-alcantara-programa-espacial-nao-decola\/","title":{"rendered":"Dez anos ap\u00f3s desastre de Alc\u00e2ntara, programa espacial n\u00e3o decola"},"content":{"rendered":"<p>Em 22 de agosto de 2003, uma explos\u00e3o seguida de um violento inc\u00eandio destruiu o terceiro prot\u00f3tipo do Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Sat\u00e9lites (VLS) e matou 21 t\u00e9cnicos e engenheiros, no Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara (CLA). Desde ent\u00e3o, o programa espacial brasileiro avan\u00e7ou pouco. O VLS, cujo projeto foi refeito com a colabora\u00e7\u00e3o de uma empresa de engenharia russa, s\u00f3 dever\u00e1 ser lan\u00e7ado novamente em 2015, para um v\u00f4o de testes. A associa\u00e7\u00e3o com a Ucr\u00e2nia na empresa binacional Alc\u00e2ntara Cyclone Space (ACS), para o lan\u00e7amento de sat\u00e9lites a partir do CLA, com o foguete Cyclone-4, tamb\u00e9m se arrasta, com o primeiro lan\u00e7amento previsto para 2014, mas ainda incerto. E o jornal\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u00a0de 29 de julho anunciou que o governo brasileiro est\u00e1 negociando um novo acordo com os EUA, envolvendo a utiliza\u00e7\u00e3o do CLA, o qual dever\u00e1 ser assinado durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, em outubro.<\/p>\n<p>Em 2012, foi lan\u00e7ada a nova edi\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), com uma ambiciosa agenda de projetos a serem, em tese, implementados at\u00e9 2021. A pauta prev\u00ea o lan\u00e7amento de nada menos que 11 sat\u00e9lites de v\u00e1rios tipos e cinco foguetes lan\u00e7adores, a saber:<\/p>\n<p>&#8211; CBERS-3 e 4 (China-Brazil Earth Resources Satellite): quarto e quinto de uma s\u00e9rie de sat\u00e9lites de sensoriamento remoto projetados e constru\u00eddos em coopera\u00e7\u00e3o com a China; o CBERS-3 dever\u00e1 ser lan\u00e7ado em outubro deste ano e o CBERS-4, em 2014, ambos pela China;<\/p>\n<p>&#8211; SGDC-1 e 2 (Sat\u00e9lite Geoestacion\u00e1rio de Defesa e Comunica\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas): sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00f5es e apoio ao Programa Nacional de Banda Larga, cujos projetos e opera\u00e7\u00e3o ser\u00e3o coordenados pela empresa Visiona Tecnologia Espacial (<em>joint-venture<\/em> entre Embraer e Telebr\u00e1s); o primeiro ser\u00e1 projetado e constru\u00eddo pela empresa francesa ThalesAlenia Space e dever\u00e1 ser lan\u00e7ado em 2016; o segundo, ainda n\u00e3o contratado, tem lan\u00e7amento previsto para 2019;<\/p>\n<p>&#8211; Amaz\u00f4nia-1, 1B e 2: sat\u00e9lites de sensoriamento remoto, projetados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em coopera\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias empresas brasileiras, dever\u00e3o ser lan\u00e7ados, respectivamente, em 2015, 2017 e 2019;<\/p>\n<p>&#8211; SAR (Sat\u00e9lite Radar de Abertura Sint\u00e9tica): desenvolvido pelo INPE, ser\u00e1 empregado em atividades militares e civis de vigil\u00e2ncia, prote\u00e7\u00e3o ambiental e gest\u00e3o de recursos naturais; lan\u00e7amento previsto para 2020;<\/p>\n<p>&#8211; SABIA-MAR (Sat\u00e9lite Argentino-Brasileiro de Informa\u00e7\u00f5es Ambientais Mar\u00edtimas): projeto conjunto com a Argentina, para o monitoramento ambiental da costa do Atl\u00e2ntico Sul; tem lan\u00e7amento previsto para 2019;<\/p>\n<p>&#8211; GEOMET-1: sat\u00e9lite meteorol\u00f3gico, com lan\u00e7amento previsto para 2018;<\/p>\n<p>&#8211; Lattes: sat\u00e9lite de estudos do espa\u00e7o exterior, projetdo pelo INPE em coopera\u00e7\u00e3o com empresas brasileiras, dever\u00e1 ser lan\u00e7ado em 2018;<\/p>\n<p>&#8211; VLM (Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Microssat\u00e9lite): foguete de tr\u00eas est\u00e1gios e combust\u00edvel s\u00f3lido, desenvolvido em parceria com a Alemanha, capaz de colocar at\u00e9 150 kg de carga \u00fatil em \u00f3rbitas baixas; o primeiro v\u00f4o est\u00e1 previsto para 2015;<\/p>\n<p>&#8211; VLS-1 V04: quarta vers\u00e3o do foguete, com quatro est\u00e1gios e comust\u00edvel s\u00f3lido, dever\u00e1 levar 250 kg de carga \u00fatil at\u00e9 700 km de altitude;<\/p>\n<p>&#8211; VLS-Alfa: foguete de tr\u00eas est\u00e1gios, sendo o \u00faltimo de combust\u00edvel l\u00edquido, capaz de colocar sat\u00e9lites de at\u00e9 500 kg em \u00f3rbitas de at\u00e9 750 km; primeiro v\u00f4o previsto para 2018;<\/p>\n<p>&#8211; VLS-Beta: foguete de tr\u00eas est\u00e1gios, os dois \u00faltimos de combust\u00edvel l\u00edquido, capaz de coloar sat\u00e9lites de at\u00e9 800 kg em \u00f3rbitas de at\u00e9 800 km; primeiro v\u00f4o previsto para 2020;<\/p>\n<p>&#8211; Cyclone-4: foguete de combust\u00edvel l\u00edquido capaz de lan\u00e7ar cargas de at\u00e9 1.600 kg em \u00f3rbitas geoestacion\u00e1rias (36.000 km de altitude) ou 5.300 em \u00f3rbitas equatoriais baixas (at\u00e9 1.400 km); o primeiro v\u00f4o dever\u00e1 ocorrer em 2014.<\/p>\n<p>Como se percebe, o programa cobre praticamente todas as necessidades do Pa\u00eds no setor e, se cumprido plenamente, implicar\u00e1 em importantes ganhos de capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. O problema, como tem sido o hist\u00f3rico do programa espacial dom\u00e9stico, \u00e9 que ele necessita de recursos da ordem de R$ 9,1 bilh\u00f5es, at\u00e9 2021, or\u00e7amento quase uma ordem de grandeza superior ao que tem sido alocado \u00e0s atividades aeroespaciais, no passado recente. E, num Pa\u00eds em que as lideran\u00e7as nacionais n\u00e3o conseguem enxergar a relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica do setor, esta \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o das mais s\u00e9rias.<\/p>\n<p>Apenas no caso do VLS-1, segundo o presidente da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB), Jos\u00e9 Raimundo Braga Coelho, o projeto necessita de R$ 178,4 milh\u00f5es para ser finalizado, mas, este ano, dos R$ 45,7 milh\u00f5es alocados a PNAE, apenas R$ 16,4 milh\u00f5es foram garantidos at\u00e9 agora (<em>Not\u00edcias Terra<\/em>, 22\/08\/2013).<\/p>\n<p>Por a\u00ed, j\u00e1 se pode antever a grande dificuldade de que a agenda do PNAE venha a ser cumprida de acordo com os planos originais.<\/p>\n<p>O gerente do projeto VLS-1 e chefe da Coordenadoria de Projetos Espaciais do Instituto de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o, tenente-coronel-aviador Alberto Walter da Silva Mello J\u00fanior, sintetiza o dilema nacional no setor: \u00abTemos profissionais capacitados, treinados e respeitados mundialmente; possu\u00edmos o dom\u00ednio da tecnologia e exportamos foguetes suborbitais; sabemos como realizar opera\u00e7\u00f5es espaciais complexas e possu\u00edmos um centro de lan\u00e7amento invej\u00e1vel por sua localiza\u00e7\u00e3o e funcionalidade. No entanto, todo projeto de alta tecnologia envolve desenvolvimentos e capacita\u00e7\u00f5es industriais dispendiosas. Sem fluxo de recurso adequado, o cronograma f\u00edsico atual n\u00e3o poder\u00e1 ser seguido, implicando novos atrasos (<em>Not\u00edcias Terra<\/em>, 22\/08\/2013).\u00bb<\/p>\n<p>Com ele faz coro o astr\u00f4nomo Naelton Mendes de Ara\u00fajo, da Funda\u00e7\u00e3o Planet\u00e1rio do Rio de Janeiro: \u00abN\u00e3o basta vontade para entrar no clube espacial. \u00c9 preciso persist\u00eancia e investimentos a longo prazo, em forma\u00e7\u00e3o de pessoal e desenvolvimento de equipamentos. Sem unir esfor\u00e7os cont\u00ednuos de militares, de universidades, de pol\u00edticos e da ind\u00fastria, n\u00e3o haver\u00e1 foguete brasileiro nos pr\u00f3ximos anos.\u00bb<\/p>\n<p>O atraso no setor deixa o Brasil na inc\u00f4moda condi\u00e7\u00e3o de ser o \u00fanico dos grandes membros do grupo BRICS que n\u00e3o disp\u00f5e de capacidade pr\u00f3pria de lan\u00e7amento de sat\u00e9lites, tem as suas comunica\u00e7\u00f5es militares dependentes de um sat\u00e9lite operado por uma empresa estrangeira e depende de sat\u00e9lites meteorol\u00f3gicos estrangeiros para o seu sistema de previs\u00e3o do tempo. Evidentemente, compara\u00e7\u00f5es diretas com a China, a \u00cdndia e, muito menos, a R\u00fassia, n\u00e3o s\u00e3o totalmente cab\u00edveis, pois os programas espaciais destes pa\u00edses t\u00eam um forte conte\u00fado militar. Mas, ainda assim, a incapacidade nacional de fazer avan\u00e7ar um programa espacial cujas ra\u00edzes efetivas remontam \u00e0 d\u00e9cada de 1960 (apenas o projeto do VLS tem tr\u00eas d\u00e9cadas) denota uma colossal miopia estrat\u00e9gica por parte de sucessivos governos.<\/p>\n<p>Uma reportagem do\u00a0<em>Fant\u00e1stico<\/em>, da Rede Globo de Televis\u00e3o, sobre o acidente de Alc\u00e2ntara, levada ao ar em 11 de agosto, proporcionou um vislumbre da mentalidade de \u00abeconomia de palitos\u00bb com a qual o setor costuma ser contemplado. Na ocasi\u00e3o, o Pa\u00eds foi informado de que o Minist\u00e9rio do Planejamento est\u00e1 questionando os valores das pens\u00f5es das vi\u00favas dos especialistas vitimados no acidente. Embora nem os valores envolvidos nem os motivos de tamanho zelo com as contas p\u00fablicas tenham sido revelados, possivelmente, os tecnocratas brasilienses est\u00e3o preocupados com o impacto das pens\u00f5es no sacrossanto super\u00e1vit prim\u00e1rio, sempre a prioridade m\u00e1xima do governo federal, independentemente do grupo pol\u00edtico que ocupe o Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>Diante de fatos como esse, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender por que os esfor\u00e7os espaciais brasileiros n\u00e3o conseguem deixar a plataforma de lan\u00e7amento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 22 de agosto de 2003, uma explos\u00e3o seguida de um violento inc\u00eandio destruiu o terceiro prot\u00f3tipo do Ve\u00edculo Lan\u00e7ador de Sat\u00e9lites (VLS) e matou 21 t\u00e9cnicos e engenheiros, no Centro de Lan\u00e7amento de Alc\u00e2ntara (CLA). Desde ent\u00e3o, o programa espacial brasileiro avan\u00e7ou pouco. O VLS, cujo projeto foi refeito com a colabora\u00e7\u00e3o de uma &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia-e-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/859\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}