{"id":830,"date":"2014-01-28T15:36:12","date_gmt":"2014-01-28T15:36:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=830"},"modified":"2014-01-28T15:36:12","modified_gmt":"2014-01-28T15:36:12","slug":"al-qaida-franquia-terrorista-a-servico-do-governo-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/al-qaida-franquia-terrorista-a-servico-do-governo-mundial\/","title":{"rendered":"Al-Qaida, franquia terrorista a servi\u00e7o do &quot;governo mundial&quot;"},"content":{"rendered":"<p>A ressurg\u00eancia em grande estilo da rede terrorista Al-Qaida, na S\u00edria, como participante da insurg\u00eancia contra o presidente Bashar al-Assad, escancarou a farsa da \u00abguerra ao terror\u00bb como pretexto para interven\u00e7\u00f5es militares das pot\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) em uma lista crescente de pa\u00edses, desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p>De fato, como j\u00e1 havia ocorrido na L\u00edbia, onde v\u00e1rios grupos nominalmente vinculados \u00e0 Al-Qaida receberam apoio da OTAN para a investida contra o regime de Muamar Kadafi, na S\u00edria, os islamistas radicais abrigados sob a franquia terrorista receberam o aval e apoio material e log\u00edstico da Ar\u00e1bia Saudita, EUA, Reino Unido, Fran\u00e7a, Turquia e Israel. Nos \u00faltimos meses, por\u00e9m, as numerosas atrocidades cometidas por eles e a crescente percep\u00e7\u00e3o de que a sua consolida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica poder\u00e1 ser um caso t\u00edpico de emenda pior que o soneto, tem afastado a maioria dos seus aliados externos e feito com que outros grupos rebeldes s\u00edrios se voltem contra eles.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a feroz ofensiva desfechada pela Al-Qaida no vizinho Iraque, para controlar a prov\u00edncia de Anbar, onde tem colocado em xeque as for\u00e7as de seguran\u00e7a do governo do premier Nuri al-Maliki, al\u00e9m de mostrar a for\u00e7a do grupo e representar um grande complicador para qualquer esfor\u00e7o de pacifica\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, exp\u00f5e o grave erro de c\u00e1lculo dos estrategistas que manipulam o terrorismo isl\u00e2mico como um instrumento de interven\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica. Por ironia, diante da dimens\u00e3o da amea\u00e7a, parte da popula\u00e7\u00e3o de Anbar est\u00e1 passando por cima das divis\u00f5es \u00e9tnico-religiosas que t\u00eam sido manipuladas para incendiar a regi\u00e3o, com tribos sunitas se aliando \u00e0s for\u00e7as policiais de um governo dominado por xiitas, contra uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista sunita. Se conseguirem derrotar os terroristas, isto poder\u00e1 ser uma importante contribui\u00e7\u00e3o para uma redu\u00e7\u00e3o do radicalismo isl\u00e2mico na conflagrada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em paralelo, o mesmo impulso de instrumentaliza\u00e7\u00e3o do terrorismo geopol\u00edtico se mostra nos atentados terroristas ocorridos na R\u00fassia, no final do ano, cujo alvo expl\u00edcito \u00e9 o presidente Vladimir Putin, o grande respons\u00e1vel pela guinada estrat\u00e9gica ocorrida na S\u00edria, ao bloquear um ataque militar dos EUA contra o pa\u00eds e impedir um agravamento do conflito. E, embora com um perfil mais baixo, a influ\u00eancia de Putin tamb\u00e9m foi fundamental para o acordo sobre o programa nuclear do Ir\u00e3, o qual permitir\u00e1 que Teer\u00e3 coloque a sua consider\u00e1vel influ\u00eancia pol\u00edtica para apoiar os esfor\u00e7os de pacifica\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, na S\u00edria, est\u00e1 sendo enterrada a ordem mundial p\u00f3s-Guerra Fria, com a tentativa de utiliza\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica do terrorismo como substituto do conflito ideol\u00f3gico e, em particular, a convers\u00e3o da Al-Qaida em uma esp\u00e9cie de \u00abinimigo global n\u00famero um\u00bb, \u00e0 maneira das superorganiza\u00e7\u00f5es criminosas dedicadas \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da humanidade, nos filmes de Hollywood.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, a Al-Qaida foi convertida em uma aut\u00eantica franquia terrorista, \u00e0 qual \u00e9 atribu\u00edda a maior parte dos numerosos atos terroristas &#8211; reais ou meramente sugeridos pelas autoridades &#8211; ocorridos no mundo, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. A pretexto de combat\u00ea-la, os EUA &#8211; desprovidos de um inimigo existencial ap\u00f3s a implos\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica &#8211; se transformaram em um Estado policial dotado de um aparato de vigil\u00e2ncia que supera com vantagem os seus equivalentes dos antigos regimes comunistas, al\u00e9m de expandir o seu aparato b\u00e9lico a n\u00edveis quase inimagin\u00e1veis, com um or\u00e7amento superior aos gastos militares de todos os demais pa\u00edses juntos. Associada \u00e0 de certos setores financeiros, a din\u00e2mica deste aparato de \u00abseguran\u00e7a nacional\u00bb capturou a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas do pa\u00eds, colocando-as de forma quase irremov\u00edvel no rumo dos interesses da agenda hegem\u00f4nica do\u00a0<em>Establishment\u00a0<\/em>olig\u00e1rquico, cujo objetivo \u00e9 configurar uma estrutura de \u00abgoverno mundial\u00bb de fato.<\/p>\n<p>\u00c9 fato not\u00f3rio que a Al-Qaida (cujo nome significa \u00aba base\u00bb em \u00e1rabe) foi formada a partir do apoio dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia dos EUA, Paquist\u00e3o e Ar\u00e1bia Saudita, a grupos de guerrilheiros recrutados em dezenas de pa\u00edses isl\u00e2micos para lutar contra o Ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico no Afeganist\u00e3o, na d\u00e9cada de 1980. A iniciativa n\u00e3o foi fortuita, sendo antevista na estrat\u00e9gia do chamado \u00abArco de Crises\u00bb, idealizada por Bernard Lewis e Zbigniew Brzezinski, em meados da d\u00e9cada de 1970, com o intuito de desestabilizar a URSS por interm\u00e9dio de insurg\u00eancias isl\u00e2micas, em especial, na regi\u00e3o do C\u00e1ucaso. Com a retirada das for\u00e7as sovi\u00e9ticas e a posterior desintegra\u00e7\u00e3o da URSS, dezenas de milhares de combatentes experimentados se espalharam pelo mundo, prontos para ser mobilizados em outros \u00abpontos quentes\u00bb, como os B\u00e1lc\u00e3s e o C\u00e1ucaso, na d\u00e9cada de 1990, e, depois, novamente no Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia, S\u00edria, Som\u00e1lia e outros alvos das interven\u00e7\u00f5es militares dos EUA e seus aliados da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN).<\/p>\n<p>Por ironia, a oposi\u00e7\u00e3o ao radicalismo da Al-Qaida na S\u00edria est\u00e1 colocando no mesmo lado os setores mais racionais do governo dos EUA e seus aliados, a R\u00fassia de Vladimir Putin e o at\u00e9 agora demonizado Ir\u00e3 xiita, engajados em impedir uma explos\u00e3o incontrol\u00e1vel do islamismo na regi\u00e3o. N\u00e3o por acaso, os piroman\u00edacos radicais do pr\u00f3prio\u00a0<em>Establishment<\/em>\u00a0olig\u00e1rquico se empenham em sabotar as promissoras negocia\u00e7\u00f5es sobre o programa nuclear iraniano, podem sinalizar a normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de Teer\u00e3 com o Ocidente, principalmente, com Washington, com amplas vantagens para todos os envolvidos. No momento, o Congresso estadunidense amea\u00e7a aprovar um projeto de lei que determina o apoio autom\u00e1tico dos EUA a um eventual ataque militar de Israel contra o Ir\u00e3. Se isto ocorrer, estabelecer-se-\u00e1 um quadro de confronto entre o Congresso e o presidente Barack Obama, que ter\u00e1 que vetar a iniciativa, se quiser preservar o marco de coopera\u00e7\u00e3o multilateral para uma eventual pacifica\u00e7\u00e3o do Grande Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ressurg\u00eancia em grande estilo da rede terrorista Al-Qaida, na S\u00edria, como participante da insurg\u00eancia contra o presidente Bashar al-Assad, escancarou a farsa da \u00abguerra ao terror\u00bb como pretexto para interven\u00e7\u00f5es militares das pot\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) em uma lista crescente de pa\u00edses, desde os ataques terroristas de 11 de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-assuntos-internacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/830\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}