{"id":786,"date":"2013-05-31T14:32:53","date_gmt":"2013-05-31T14:32:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=786"},"modified":"2013-05-31T14:32:53","modified_gmt":"2013-05-31T14:32:53","slug":"nova-invasao-de-belo-monte-ate-quando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/nova-invasao-de-belo-monte-ate-quando\/","title":{"rendered":"Nova invas\u00e3o de Belo Monte: at\u00e9 quando?"},"content":{"rendered":"<p>Na madrugada da segunda-feira 27 de maio, 170 \u00edndios mundurukus, xipaias, caiap\u00f3s, araras e tupinamb\u00e1s voltaram a invadir e ocupar o canteiro de obras da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, na regi\u00e3o de Altamira (PA), a segunda invas\u00e3o do m\u00eas. Al\u00e9m do canteiro de obras, os invasores ocuparam uma vila residencial dos funcion\u00e1rios e fizeram uma \u00abblitz\u00bb na Rodovia Transamaz\u00f4nica, para impedir a passagem de \u00f4nibus e caminh\u00f5es que se dirigiam \u00e0 obra.<\/p>\n<p>Com a nova invas\u00e3o, as obras de Belo Monte j\u00e1 somam 93 dias de paralisa\u00e7\u00f5es, dos quais 67 se deveram \u00e0s invas\u00f5es de ind\u00edgenas e militantes de ONGs ambientalistas contr\u00e1rias ao projeto (Ag\u00eancia Brasil, 28\/05\/2013).<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira 28, o juiz S\u00e9rgio Wolney Guedes, da comarca de Altamira, intimou os invasores a desocupar pacificamente o local em um prazo de 24 horas. A rea\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas demonstrou a auto-sufici\u00eancia e a arrog\u00e2ncia da milit\u00e2ncia indigenista pelas institui\u00e7\u00f5es do governo federal, motivadas pela toler\u00e2ncia e tibieza das autoridades diante da grande influ\u00eancia pol\u00edtica e midi\u00e1tica deste aparato intervencionista. Simplesmente, rasgaram a intima\u00e7\u00e3o oficial diante do oficial de justi\u00e7a, acompanhado por representantes da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) e cerca de 40 homens da Pol\u00edcia Federal, Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal e Pol\u00edcia Militar do Par\u00e1, afirmaram que n\u00e3o sair\u00e3o do local e, em seguida, puseram-se a dan\u00e7ar e a cantar (Movimento Xingu Vivo Para Sempre, 28\/05\/2013).<\/p>\n<p>No momento em que escrevemos, o clima no local continuava tenso: um jornalista foi amea\u00e7ado de pris\u00e3o pelas for\u00e7as policiais e uma cinegrafista foi expulsa da \u00e1rea, por estar entrevistando os ind\u00edgenas sem autoriza\u00e7\u00e3o. A eletricidade da \u00e1rea ocupada pelos \u00edndios continua cortada e eles, agora, amea\u00e7am provocar inc\u00eandios no local.<\/p>\n<p>O pretexto da invas\u00e3o \u00e9 o habitual: os \u00edndios afirmam que n\u00e3o foram consultados sobre os projetos implementados nas proximidades das suas terras e, evocando a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) e a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, pretendem nada menos que interromper a constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte e impedir os projetos hidrel\u00e9tricos previstos para os rios Tapaj\u00f3s e Teles Pires, no Par\u00e1 e em Mato Grosso.<\/p>\n<p>No mesmo dia 27, os invasores divulgaram um manifesto, por interm\u00e9dio do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), no qual afirmam que haviam encerrado a sua invas\u00e3o anterior ao canteiro de obras, no dia 10, para evitar que o governo federal passasse \u00abmuita vergonha nos tirando \u00e0 for\u00e7a daqui\u00bb. No documento, os \u00edndios alegam que haviam invocado a presen\u00e7a do secret\u00e1rio-geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Gilberto Carvalho, mas \u00abele n\u00e3o veio&#8230; Ent\u00e3o, n\u00f3s ocupamos mais uma vez o seu canteiro de obras\u00bb.<\/p>\n<p>O CIMI \u00e9 uma das ONGs que integra a c\u00fapula do aparato indigenista no Brasil, juntamente com o Instituto Socioambiental (ISA) e a pr\u00f3pria Funai.<\/p>\n<p>Apesar de os invasores afirmarem que contam com o apoio dos trabalhadores da obra para as suas reivindica\u00e7\u00f5es, a realidade parece ser outra. Com o bloqueio da estrada e dos acessos ao canteiro de obras pelos ind\u00edgenas, os caminh\u00f5es que transportam materiais diversos para a obra, vindos, \u00e0s vezes, de outros estados, n\u00e3o puderam descarregar e est\u00e3o parados na estrada. O caminhoneiro Eduardo Martins, que transporta cimento vindo de Tocantins, reclamou pelos preju\u00edzos: \u00abPrimeiro lugar, vem o preju\u00edzo da fam\u00edlia, que nem o contato a gente tem. Segundo lugar, a gente perde com o transporte, porque n\u00f3s somos freteiros, n\u00e3o somos da empresa&#8230; A produ\u00e7\u00e3o depende do carregamento e descarergamento (G1, 29\/05\/2013).\u00bb<\/p>\n<p>Para complicar, o bloqueio impede que os caminhoneiros tenham acesso aos refeit\u00f3rios e banheiros do canteiro.<\/p>\n<p>Um oper\u00e1rio da obra, que preferiu n\u00e3o se identificar, disse ao G1 que a paralisa\u00e7\u00e3o dos trabalhos os priva das horas extras, com as quais contam para complementar os sal\u00e1rios. \u00abN\u00f3s estamos parados, n\u00f3s estamos perdendo. A gente ganha pouco, com essa paralisa\u00e7\u00e3o, a gente ganha menos\u00bb, lamentou.<\/p>\n<p>Uma reportagem da ag\u00eancia Folhapress (28\/05\/2013) afirma que o governo federal j\u00e1 v\u00ea os mundurukus como \u00abinimigos\u00bb, por conta da sucess\u00e3o de invas\u00f5es. Ap\u00f3s a invas\u00e3o do in\u00edcio de maio, a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia divulgou uma dura nota, na qual qualifica os militantes mundurukus como desonestos, mentirosos e criminosos. \u00abNa verdade, alguns mundurukus n\u00e3o querem nenhum empreendimento em sua regi\u00e3o, porque est\u00e3o envolvidos com o garimpo ilegal de ouro no Tapaj\u00f3s e afluentes. Um dos principais porta-vozes dos invasores em Belo Monte \u00e9 propriet\u00e1rio de seis balsas de garimpo ilegal\u00bb, dizia a nota.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos causados pelas recentes a\u00e7\u00f5es agressivas do aparato indigenista s\u00e3o enormes, como se pode avaliar pelos mais de dois meses de paralisa\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte causadas pelas invas\u00f5es do canteiro de obras. E a sucess\u00e3o de tais a\u00e7\u00f5es, cujo planejamento e execu\u00e7\u00e3o requerem uma sofisticada capacidade de intelig\u00eancia, log\u00edstica e propagand\u00edstica, assemelhando-se a opera\u00e7\u00f5es paramilitares, sugere que o aparato indigenista se sente suficientemente confiante para desafiar as autoridades nacionais. Por isso, \u00e9 mais que hora de o governo federal enquadrar este insidioso aparato intervencionista, que tem muito pouco a ver com o bem-estar das comunidades ind\u00edgenas, e muito mais com uma agenda de interesses ideol\u00f3gicos, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que contraria todos os interesses da nacionalidade brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na madrugada da segunda-feira 27 de maio, 170 \u00edndios mundurukus, xipaias, caiap\u00f3s, araras e tupinamb\u00e1s voltaram a invadir e ocupar o canteiro de obras da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, na regi\u00e3o de Altamira (PA), a segunda invas\u00e3o do m\u00eas. 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