{"id":783,"date":"2013-12-02T15:04:03","date_gmt":"2013-12-02T15:04:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=783"},"modified":"2013-12-02T15:04:03","modified_gmt":"2013-12-02T15:04:03","slug":"a-ilusao-da-governanca-de-liquidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-ilusao-da-governanca-de-liquidez\/","title":{"rendered":"A ilus\u00e3o da &quot;governan\u00e7a de liquidez&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas semanas, os bancos centrais e os governos das maiores economias ocidentais t\u00eam tomado uma s\u00e9rie de decis\u00f5es financeiras e monet\u00e1rias de enorme import\u00e2ncia. Se as analisarmos separadamente, elas ser\u00e3o not\u00edcias por um curto per\u00edodo de tempo e, rapidamente, deixadas para tr\u00e1s; no entanto, se as observarmos em conjunto, elas se tornam uma estrat\u00e9gia global com preocupantes consequ\u00eancias futuras.<\/p>\n<p>O Banco Central Europeu (BCE) reduziu a sua taxa b\u00e1sica de juros para 0,25%, o que a deixa no mesmo n\u00edvel que a Reserva Federal estadunidense. Desde a eclos\u00e3o da crise de 2007-2008, as taxas de juros continuam a cair sem produzir efeitos significativos sobre a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, demonstrando que os velhos instrumentos de pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o funcionam mais. N\u00e3o se pode ir para baixo de zero e, por isso, as taxas s\u00f3 podem subir.<\/p>\n<p>Em 2007, os juros do \u00abFed\u00bb estavam em 5,25%, tendo ca\u00eddo para 0,25%, em dezembro de 2008. Na \u00e9poca, a taxa do BCE estava em 4,25% e, com uma redu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a outra, tamb\u00e9m desceu para 0,25%. Assim, a teoria de que o baixo custo do dinheiro coloca os investimentos automaticamente em marcha acabou se revelando ser uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, a Hist\u00f3ria ensina que, por si s\u00f3, o mercado nunca resolveu situa\u00e7\u00f5es de grave recess\u00e3o ou depress\u00e3o econ\u00f4mica. Somente uma profunda reforma das finan\u00e7as, um sistema de cr\u00e9dito produtivo para projetos p\u00fablicos e privados e grandes projetos de moderniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos v\u00e1rios setores da economia real criam riqueza e novos postos de trabalho, com uma certa incisividade sobre os n\u00edveis de d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Quase simultaneamente, os bancos centrais dos EUA, Uni\u00e3o Europeia (UE), Reino Unido, Jap\u00e3o, Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a, decidiram tornar permanentes os chamados acordos de\u00a0<em>\u00abswap\u00bb<\/em>, para criar uma rede de seguran\u00e7a para a liquidez monet\u00e1ria. Os contratos de\u00a0<em>\u00abswap\u00bb<\/em>\u00a0tempor\u00e1rios (linhas de cr\u00e9dito em moeda estrangeira entre os bancos centrais) foram devidamente apresentados, h\u00e1 seis anos, como resposta \u00e0 \u00abcompress\u00e3o do cr\u00e9dito\u00bb global, que, como se recorda, afetou muitos grandes bancos internacionais e amea\u00e7ou implodir todo o o sistema financeiro.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o \u00abFed\u00bb decidiu manter as suas inje\u00e7\u00f5es mensais de liquidez no sistema, de 85 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, enquanto as considerar adequadas. Em 17 de outubro, o governo e o Congresso dos EUA concordaram em elevar novamente o teto da d\u00edvida federal, para evitar a fal\u00eancia do governo. N\u00e3o obstante, o problema dever\u00e1 repetir-se em fevereiro de 2014, quando Washington ter\u00e1 que anunciar um novo aumento do teto da d\u00edvida ou permitir o fechamento (<em>shutdown<\/em>) de alguns setores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 preocupante constatar que os governos e os bancos centrais, em vez de concordarem com uma grande reforma do sistema e o estabelecimento de uma nova arquitetura financeira, continuam colocando em pr\u00e1tica medidas de cunho meramente monetaristas para lidar com a nova fase da crise mundial &#8211; sobre a qual, evidentemente, t\u00eam consci\u00eancia de que \u00e9 inevit\u00e1vel .<\/p>\n<p>Um dos problemas \u00e9 a posse do crescente montante de t\u00edtulos da d\u00edvida estadunidense. Os dados mais recentes demonstram que a China e o Jap\u00e3o &#8211; que det\u00eam juntos 43% dos t\u00edtulos da d\u00edvida em m\u00e3os de estrangeiros &#8211; n\u00e3o mostram muita disposi\u00e7\u00e3o para manter as suas aquisi\u00e7\u00f5es dos papeis do Tesouro dos EUA; na verdade, reduziram recentemente o seu estoque deles em mais de 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Ainda mais preocupante \u00e9 o fato de que os t\u00edtulos de alto risco dos EUA (<em>junk bonds<\/em>) chegar\u00e3o ao final do ano na casa de 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Em 2012, foram 642,3 bilh\u00f5es e, em 2007, \u00e0s v\u00e9speras do\u00a0<em>\u00abbig bang\u00bb<\/em>, chegou a 900 bilh\u00f5es. Em ess\u00eancia, trata-se de uma nova bolha.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos bancar as cassandras. Mas, na aus\u00eancia de pol\u00edticas e reformas virtuosas do sistema econ\u00f4mico e financeiro, receamos que novas tempestades estejam a caminho. A ocorr\u00eancia de novas bolhas especulativas \u00e9 um claro sinal de uma potencial devasta\u00e7\u00e3o &#8211; perspectiva, infelizmente, tamb\u00e9m apoiada pelos dados que mostram n\u00edveis de risco superiores aos de 2007.<\/p>\n<p>Portanto, os bancos centrais se iludem se pensam que podem afastar o risco de um aprofundamento da crise sist\u00eamica, apenas porque concordaram com uma \u00abgovernan\u00e7a de liquidez\u00bb. O fato de estarem acorrentados entre si n\u00e3o garante uma flutua\u00e7\u00e3o se vier a esperada tsunami!<\/p>\n<p>Os pa\u00edses mais d\u00e9beis, que t\u00eam pouco a perder, como a pr\u00f3pria It\u00e1lia, em vez de se limitarem a gaguejar individualmente, fariam melhor se implementassem unilateralmente propostas corajosas de reformas e programas efetivos de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas semanas, os bancos centrais e os governos das maiores economias ocidentais t\u00eam tomado uma s\u00e9rie de decis\u00f5es financeiras e monet\u00e1rias de enorme import\u00e2ncia. 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