{"id":762,"date":"2013-11-22T13:02:02","date_gmt":"2013-11-22T13:02:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=762"},"modified":"2013-11-22T13:02:02","modified_gmt":"2013-11-22T13:02:02","slug":"50-anos-sem-jfk-por-que-ainda-importa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/50-anos-sem-jfk-por-que-ainda-importa\/","title":{"rendered":"50 anos sem JFK: por que ainda importa"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, em 22 de novembro de 1963, tamb\u00e9m uma sexta-feira, ocorreu o que, na \u00e9poca, foi chamado com propriedade \u00abo crime do s\u00e9culo\u00bb: o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy, antes de completar o terceiro ano do seu mandato, iniciado em janeiro de 1961. Meio s\u00e9culo depois, ainda vale refletir sobre as consequ\u00eancias de uma trag\u00e9dia que representou um ponto de inflex\u00e3o hist\u00f3rica, n\u00e3o apenas para os EUA, mas para todo o mundo.<\/p>\n<p>Com o assassinato e o posterior acobertamento da conspira\u00e7\u00e3o da qual resultou, consolidou-se no comando da superpot\u00eancia estadunidense um aparato de poder olig\u00e1rquico de mentalidade supremacista e belicista, cujas pol\u00edticas, desde ent\u00e3o, t\u00eam impelido os EUA em um rumo bem diferente do vigoroso papel construtivo que poderia desempenhar nos assuntos mundiais. Em seu lugar, se imp\u00f4s uma desestabilizadora agenda hegem\u00f4nica, agressiva e militarizada, utilizando como pretexto, inicialmente, o cen\u00e1rio global da Guerra Fria e, ap\u00f3s o t\u00e9rmino desta, com a implos\u00e3o do bloco sovi\u00e9tico, o \u00abchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u00bb e a \u00abguerra ao terror\u00bb.<\/p>\n<p>O sucesso obtido na elimina\u00e7\u00e3o de Kennedy e na maci\u00e7a opera\u00e7\u00e3o de acobertamento para impedir que os seus verdadeiros algozes fossem responsabilizados levou aquele grupo hegem\u00f4nico (chamado por alguns de \u00abgoverno nas sombras\u00bb) a aperfei\u00e7oar tal <em>modus operandi<\/em>, para outras opera\u00e7\u00f5es clandestinas de grande impacto, inclusive a elimina\u00e7\u00e3o de opositores importantes &#8211; casos, entre outros, de Robert Kennedy e Martin Luther King, em 1968 (nos quais estiveram em a\u00e7\u00e3o alguns dos protagonistas do magnic\u00eddio de 1963). Os mesmos procedimentos estiveram em cena d\u00e9cadas mais tarde, como na opera\u00e7\u00e3o Ir\u00e3-Contras e seus enlaces com o financiamento da guerrilha anti-sovi\u00e9tica afeg\u00e3 com receitas da venda de drogas, na d\u00e9cada de 1980, e, mais recentemente, na mal denominada \u00abguerra ao terror\u00bb declarada ap\u00f3s os ataques de 11 de setembro de 2001 (opera\u00e7\u00e3o cujas semelhan\u00e7as com o magnic\u00eddio de 1963 tamb\u00e9m j\u00e1 foram observadas por v\u00e1rios investigadores, inclusive a ris\u00edvel pseudoinvestiga\u00e7\u00e3o oficial).<\/p>\n<p>Quando morreu, JFK, que fez uma s\u00f3lida carreira pol\u00edtica e se elegeu presidente como um combatente da Guerra Fria, estava decidido a por fim ao conflito ideol\u00f3gico e a um entendimento com a URSS de Nikita Krushchov, com quem trocava uma importante correspond\u00eancia privada fora dos canais diplom\u00e1ticos e a quem fez acenos concretos para aquele fim, em um hist\u00f3rico discurso proferido na Universidade Americana, em Washington, em junho de 1963.<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses depois, em setembro, ele refor\u00e7ou a proposta, com a sugest\u00e3o de que os dois pa\u00edses unissem os respectivos esfor\u00e7os espaciais para a realiza\u00e7\u00e3o de uma miss\u00e3o conjunta \u00e0 Lua, feita publicamente em um discurso na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Em 2001, o filho de Krushchov, Sergei, ent\u00e3o pesquisador na Universidade Brown (em Providence, Rhode Island), confirmou que seu pai estava inclinado a uma composi\u00e7\u00e3o com Kennedy. Segundo ele, Krushchov chegou a declarar \u00e0 c\u00fapula do Kremlin a sua inten\u00e7\u00e3o de aproveitar a distens\u00e3o com os EUA para reduzir as For\u00e7as Armadas sovi\u00e9ticas, de 2,5 milh\u00f5es de homens para apenas 500 mil, convertendo grande parte da ind\u00fastria militar para a produ\u00e7\u00e3o civil e liberando recursos econ\u00f4micos para a agricultura e programas habitacionais. Para Sergei Krushchov, se Kennedy e seu pai tivessem tido mais seis anos (Krushchov foi deposto em outubro de 1964), a Guerra Fria poderia ter se encerrado antes do final da d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n<p>Tanto para JFK como para Krushchov, o momento decisivo que os colocou no caminho da converg\u00eancia foi a dram\u00e1tica Crise dos M\u00edsseis de Cuba, em outubro de 1962, quando a instala\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis nucleares sovi\u00e9ticos na ilha caribenha e a amea\u00e7a estadunidense de atacar a ilha colocaram o mundo \u00e0 beira de uma conflagra\u00e7\u00e3o nuclear entre as superpot\u00eancias. Tendo estabelecido um canal de comunica\u00e7\u00e3o direto, os dois l\u00edderes conseguiram superar a oposi\u00e7\u00e3o dos respectivos estados-maiores militares e o momento mais perigoso da Guerra Fria, evitando um tiroteio nuclear de consequ\u00eancias potencialmente catastr\u00f3ficas para todo o mundo.<\/p>\n<p>O maior problema para ambos foi que, nos dois lados da Cortina de Ferro, havia grupos de grande poder e influ\u00eancia que haviam feito do confronto Leste-Oeste um meio de vida e n\u00e3o estavam dispostos a converter a confronta\u00e7\u00e3o em coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, bastante emblem\u00e1tico foi um editorial do\u00a0<em>U.S. News &amp; World Report<\/em>\u00a0de 12 de agosto de 1963, reagindo ao aceno de paz feito na Universidade Americana:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Se a paz vier, o que acontecer\u00e1 com os neg\u00f3cios? Onde ser\u00e1 o fundo do po\u00e7o, se os gastos com a defesa forem cortados?<\/p><\/blockquote>\n<p>Tais iniciativas de JFK eram consistentes com a sua vis\u00e3o sobre o papel dos EUA no mundo, a qual rejeitava categoricamente o \u00abexcepcionalismo\u00bb t\u00e3o enraizado nos altos c\u00edrculos do\u00a0<em>Establishment<\/em> estadunidense e, por extens\u00e3o, quaisquer prerrogativas autoconcedidas que costumam acompanhar tal concep\u00e7\u00e3o distorcida. Como afirmou em um discurso de novembro de 1961:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s devemos encarar o fato de que os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o onipotentes nem oniscientes; que n\u00e3o podemos impor a nossa vontade aos outros 94% da humanidade; que n\u00e3o podemos corrigir cada erro ou reverter cada adversidade; e que, portanto, n\u00e3o pode haver uma solu\u00e7\u00e3o estadunidense para cada problema mundial.<\/p><\/blockquote>\n<p>No \u00e2mbito interno, nos pouco mais de mil dias de seu governo, empenhou-se em alinhar a estrutura e as a\u00e7\u00f5es do Estado com os interesses da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o hesitando em confrontar o poderio dos grandes conglomerados econ\u00f4micos e financeiros e seus lobbies midi\u00e1ticos e pol\u00edticos. Ainda durante a campanha presidencial, ele assim definiu a sua vis\u00e3o de governo:<\/p>\n<blockquote><p>A responsabilidade do presidente \u00e9 especialmente grande. Ele deve servir como um catalisador, um energizador, o defensor do bem comum e do interesse p\u00fablico, contra todos os interesses privados estreitos que operam em nossa sociedade. Somente o presidente pode fazer isso, e somente um presidente que reconhe\u00e7a a verdadeira natureza deste duro desafio pode preencher essa fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma vez na Casa Branca, JFK empenhou-se em demonstrar que tal vis\u00e3o n\u00e3o era uma mera ret\u00f3rica, como na vitoriosa queda-de-bra\u00e7o com o cartel do a\u00e7o encabe\u00e7ado pela ent\u00e3o gigante U.S. Steel, impedindo-o de implementar um aumento conjunto de pre\u00e7os que n\u00e3o se justificava por qualquer raz\u00e3o econ\u00f4mica, no que \u00e9 at\u00e9 hoje considerado o mais dram\u00e1tico confronto entre um presidente estadunidense e as grandes empresas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, e de forma emblem\u00e1tica, o\u00a0<em>Wall Street Journal<\/em>, uma das principais trincheiras midi\u00e1ticas dos seus opositores, vociferava que o jovem presidente havia convertido o governo no \u00abautonomeado aplicador do progresso\u00bb.<\/p>\n<p>Os tiros disparados na Pra\u00e7a Dealey, em Dallas, Texas, naquela fat\u00eddica sexta-feira de novembro, n\u00e3o mataram apenas um presidente amado dentro e fora de seu pa\u00eds, mas destru\u00edram a perspectiva de futuro positivo com a qual ele acenava aos seus compatriotas e aos cidad\u00e3os de todo o mundo. Isto ajuda a explicar por que a sua mem\u00f3ria continua viva entre os estadunidenses (principalmente, os que eram pelo menos adolescentes em 1963) e que mais de 40 mil livros j\u00e1 tenham sido escritos a seu respeito.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Golpe de estado na Pra\u00e7a Dealey<\/strong><\/p>\n<p>Grande parte dessa copiosa bibliografia se refere ao assassinato, sobre o qual numerosas explica\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram aventadas. Uma das mais bizarras \u00e9, precisamente, a vers\u00e3o oficial, referendada pela comiss\u00e3o especial de investiga\u00e7\u00e3o criada por seu sucessor Lyndon Johnson, a chamada Comiss\u00e3o Warren. De acordo com ela, o assassino solit\u00e1rio foi Lee Harvey Oswald, um ex-fuzileiro naval de inclina\u00e7\u00f5es marxistas e socialmente desajustado, que, oprimido pelos seus sucessivos fracassos na vida, decidiu matar o presidente. A fa\u00e7anha teria sido perpetrada com uma carabina de sobra de guerra italiana, com mira telesc\u00f3pica desalinhada, disparando tr\u00eas tiros do sexto andar de um pr\u00e9dio que dava para a Pra\u00e7a Dealey contra o carro aberto de JFK. O feito &#8211; que, posteriormente, alguns dos maiores atiradores dos EUA n\u00e3o conseguiram reproduzir em simula\u00e7\u00f5es &#8211; \u00e9 ainda mais espantoso pelo fato de Oswald ter se mostrado um atirador med\u00edocre quando serviu nos Marines, mal atingindo a pontua\u00e7\u00e3o m\u00ednima nas provas de tiro. Convenientemente, ele n\u00e3o sobreviveu para prestar esclarecimentos, tendo sido morto dois dias depois por Jack Ruby, um rufi\u00e3o que controlava um clube de\u00a0<em>strip-tease<\/em>\u00a0e ligado \u00e0 M\u00e1fia local.<\/p>\n<p>Para os investigadores mais s\u00e9rios, o assassinato foi nada menos que um golpe de Estado determinado por elementos do \u00abgoverno nas sombras\u00bb dos EUA, integrado por setores da comunidade de intelig\u00eancia (especialmente a CIA), do complexo industrial-militar (a\u00ed inclu\u00eddo o Estado-Maior Conjunto das For\u00e7as Armadas, inimigo visceral de JFK) e certos interesses econ\u00f4micos e financeiros &#8211; grupos cujos interesses vinham sendo sistematicamente contrariados pelo presidente. As evid\u00eancias sugerem que a parte operacional contou com a participa\u00e7\u00e3o de elementos da CIA, operativos das redes de cubanos anticastristas que atuavam a partir de Miami e Nova Orleans e das m\u00e1fias estadunidense e corsa, com as quais a CIA atuava em estreita coopera\u00e7\u00e3o desde a II Guerra Mundial, al\u00e9m da imprescind\u00edvel coopera\u00e7\u00e3o da c\u00fapula da corrupta pol\u00edcia de Dallas.<\/p>\n<p>A tal conclus\u00e3o chegaram d\u00fazias de investigadores rigorosos. Entre eles, destacou-se o promotor distrital de Nova Orleans, Jim Garrison, que investigou o caso entre 1966 e 1969 e, depois de identificar parte da estrutura operacional do compl\u00f4, chegou a levar a julgamento um dos seus integrantes, o empres\u00e1rio Clay Shaw, vinculado \u00e0 CIA em v\u00e1rias tramas internacionais. Sob virulentas press\u00f5es da m\u00eddia ligada ao<em>\u00a0Establishment<\/em>\u00a0e alvo de uma intensa campanha de descr\u00e9dito, Garrison n\u00e3o conseguiu a condena\u00e7\u00e3o de Shaw, embora os jurados tenham aceitado a sua argumenta\u00e7\u00e3o de que o assassinato fora o resultado de uma conspira\u00e7\u00e3o (o epis\u00f3dio \u00e9 retratado no magistral filme do diretor Oliver Stone,\u00a0<em>JFK<\/em>, que proporciona uma excelente apresenta\u00e7\u00e3o ao caso).<\/p>\n<p>Um adendo interessante \u00e9 que a hoje popular express\u00e3o \u00abteoria conspirat\u00f3ria\u00bb, comumente empregada com o intuito de desqualificar contesta\u00e7\u00f5es \u00e0s vers\u00f5es oficiais sobre acontecimentos controvertidos, foi criada pela CIA durante a sua campanha para desacreditar a investiga\u00e7\u00e3o de Garrison.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deles, pelo menos tr\u00eas servi\u00e7os de intelig\u00eancia de primeira linha investigaram o atentado, por raz\u00f5es pr\u00f3prias, e chegaram a conclus\u00f5es semelhantes: o KGB sovi\u00e9tico, o SDECE franc\u00eas e a DGI cubana. H\u00e1 relatos de que o pr\u00f3prio Servi\u00e7o Secreto (a ag\u00eancia encarregada da prote\u00e7\u00e3o do presidente) teria conclu\u00eddo pela presen\u00e7a de tr\u00eas ou quatro atiradores na Pra\u00e7a Dealey, mas, devido ao colossal esquema de acobertamento acionado logo nas primeiras horas ap\u00f3s o crime, a imagem de Oswald como o \u00abassassino solit\u00e1rio\u00bb foi prontamente consolidada nos meios oficiais e adotada pela Comiss\u00e3o Warren, cujos trabalhos foram orientados, desde o in\u00edcio, a comprov\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em 1976-78, o Comit\u00ea Seleto de Assassinatos da C\u00e2mara dos Deputados reabriu as investiga\u00e7\u00f5es oficiais sobre o assassinato e, baseado em novos depoimentos de testemunhas e na an\u00e1lise de grava\u00e7\u00f5es do tiroteio na Pra\u00e7a Dealey, concluiu que havia pelo menos dois atiradores e que o presidente fora v\u00edtima de uma conspira\u00e7\u00e3o, embora os seus autores n\u00e3o pudessem ter sido identificados.<\/p>\n<p>Meio s\u00e9culo depois, os EUA e o mundo ainda padecem com os desdobramentos do golpe de Estado desfechado em Dallas. E \u00e9 simb\u00f3lico que o seu cinquenten\u00e1rio ocorra quase simultaneamente com o centen\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o de outro instrumento vital do poderio do \u00abgoverno nas sombras\u00bb, o Sistema da Reserva Federal, o banco central privado dos EUA, criado \u00e0s v\u00e9speras do Natal de 1913, cuja influ\u00eancia desestabilizadora nas finan\u00e7as globais est\u00e1 \u00e0 vista de todos.<\/p>\n<p>JFK n\u00e3o foi candidato a santo, mas tampouco foi o santarr\u00e3o em que alguns cr\u00edticos recentes t\u00eam tentado transform\u00e1-lo, em uma sequ\u00eancia de obras revisionistas ostensivamente orientadas para denegrir a imagem positiva que a maioria dos estadunidenses insiste em preservar a seu respeito. A despeito das suas debilidades pessoais, foi, acima de tudo, um promotor do progresso e um campe\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do \u00abprinc\u00edpio do bem comum\u00bb na esfera pol\u00edtica. Como poucos, soube infundir em seus concidad\u00e3os confian\u00e7a e um sentido de futuro positivo, convocando-os a participar plenamente da vida nacional &#8211; condi\u00e7\u00f5es que, em todas as \u00e9pocas, sempre foram intoler\u00e1veis para os grupos olig\u00e1rquicos. Pouca coisa mais se poderia exigir de um verdadeiro estadista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 50 anos, em 22 de novembro de 1963, tamb\u00e9m uma sexta-feira, ocorreu o que, na \u00e9poca, foi chamado com propriedade \u00abo crime do s\u00e9culo\u00bb: o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy, antes de completar o terceiro ano do seu mandato, iniciado em janeiro de 1961. Meio s\u00e9culo depois, ainda vale refletir sobre as consequ\u00eancias &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/762\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}