{"id":754,"date":"2013-10-25T16:02:10","date_gmt":"2013-10-25T16:02:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=754"},"modified":"2013-10-25T16:02:10","modified_gmt":"2013-10-25T16:02:10","slug":"comentarista-chines-propoe-desamericanizacao-da-economia-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/comentarista-chines-propoe-desamericanizacao-da-economia-mundial\/","title":{"rendered":"Comentarista chin\u00eas prop\u00f5e &quot;desamericaniza\u00e7\u00e3o&quot; da economia mundial"},"content":{"rendered":"<p>Um importante jornalista chin\u00eas acaba de desfechar o mais recente disparo ostensivo contra a hegemonia dos EUA no cen\u00e1rio global. Em um pol\u00eamico artigo, publicado pela Xinhua, em 13 de outubro, um dos principais comentaristas da ag\u00eancia noticiosa oficial, Liu Chang, prop\u00f4s nada menos que \u00aba constru\u00e7\u00e3o de um mundo desamericanizado\u00bb.<\/p>\n<p>Com a express\u00e3o, ele mesmo explica que n\u00e3o se trata de \u00abcolocar os EUA completamente de lado, o que \u00e9 imposs\u00edvel. Em vez disto, trata-se de incentivar Washington a desempenhar um papel muito mais construtivo no enfrentamento dos assuntos globais\u00bb.<\/p>\n<p>O texto de Chang, que ganhou uma imediata e vasta repercuss\u00e3o internacional, n\u00e3o deve ser visto como uma \u00abdeclara\u00e7\u00e3o de guerra\u00bb de Pequim contra Washington &#8211; afinal, a maior parte das reservas internacionais chinesas ainda \u00e9 constitu\u00edda por t\u00edtulos denominados em d\u00f3lares -, mas uma clara advert\u00eancia ao estilo chin\u00eas, cujos movimentos costumam contemplar prazos mais dilatados do que o imediatismo prevalecente nos mercados financeiros. Ainda assim, \u00e9 contundente:<\/p>\n<blockquote><p>Emergindo do derramamento de sangue da II Guerra Mundial como a na\u00e7\u00e3o mais poderosa do mundo, os EUA t\u00eam desde ent\u00e3o tentado construir um imp\u00e9rio global, com a imposi\u00e7\u00e3o de uma ordem mundial p\u00f3s-guerra, alimentando a recupera\u00e7\u00e3o na Europa e incentivando mudan\u00e7as de regime em na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o considera amig\u00e1veis. Com o seu poderio econ\u00f4mico e militar aparentemente incompar\u00e1vel, os EUA declararam que t\u00eam interesses nacionais vitais a proteger em quase todos os cantos do globo e se habituaram a intrometer-se nos assuntos de outros pa\u00edses e regi\u00f5es muito distantes do seu litoral.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o governo estadunidense tem feito todos os esfor\u00e7os para aparecer ao mundo como o detentor da superioridade moral, mesmo que fazendo coisas encobertas t\u00e3o audaciosas como torturar prisioneiros de guerra, estra\u00e7alhar civis em ataques de drones e espionar l\u00edderes mundiais.<\/p>\n<p>Sob o que \u00e9 conhecido como a <em>Pax Americana<\/em>, n\u00e3o conseguimos ver um mundo onde os EUA estejam ajudando a desarmar a viol\u00eancia e os conflitos, reduzir a pobreza e o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es e promover uma paz real e duradoura.<\/p>\n<p>Ademais, em vez de honrar os seus deveres como uma pot\u00eancia l\u00edder respons\u00e1vel, uma Washington ego\u00edsta tem abusado do seu\u00a0status\u00a0de superpot\u00eancia e introduzido ainda mais caos no mundo, transferindo riscos financeiros para o exterior, instigando tens\u00f5es regionais em meio a disputas territoriais e travando guerras imotivadas sob a cobertura de mentiras deslavadas. Como resultado, o mundo ainda est\u00e1 se arrastando para fora de um desastre econ\u00f4mico, gra\u00e7as \u00e0s vorazes elites de Wall Street, enquanto bombardeios e matan\u00e7as se tornaram rotinas virtualmente di\u00e1rias no Iraque, anos depois de Washington ter proclamado que libertou o seu povo de um regime tir\u00e2nico.<\/p><\/blockquote>\n<p>O pretexto imediato para a f\u00faria de Chang foi o imbr\u00f3glio or\u00e7ament\u00e1rio ocasionado pelas disputas pol\u00edticas intestinas em Washington, que deixou o mundo \u00e0 beira de um p\u00e2nico financeiro, devido \u00e0 possibilidade real de inadimpl\u00eancia no servi\u00e7o da d\u00edvida estadunidense, com todas as ondas de choque que isto provocaria no sistema financeiro internacional. De fato, n\u00e3o se pode negar que h\u00e1 algo profunda e intrinsecamente disfuncional em um sistema que permite que tal situa\u00e7\u00e3o se configure.<\/p>\n<p>Prosseguindo com a mesma \u00eanfase, ele afirma que \u00abos dias alarmantes em que os destinos de outrso est\u00e3o nas m\u00e3os de uma na\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita t\u00eam que ser terminados, e uma nova ordem mundial deve ser estabelecida, de acordo com a qual todas as na\u00e7\u00f5es, grandes ou pequenas, pobres ou ricas, possam ter os seus interesses vitais respeitados e protegidos em uma base equalit\u00e1ria\u00bb.<\/p>\n<p>Para tanto, afirma, \u00abv\u00e1rias pedras fundamentais devem ser lan\u00e7adas para sustentar um mundo desamericanizado\u00bb. Ele prop\u00f5e quatro delas:<\/p>\n<p>1) \u00abTodas as na\u00e7\u00f5es precisam se ater aos princ\u00edpios b\u00e1sicos do Direito Internacional, incluindo o respeito pelas soberanias, e se abster de interferir nos assuntos dom\u00e9sticos de outras.\u00bb<\/p>\n<p>2) \u00abA autoridade das Na\u00e7\u00f5es Unidas no manejo de assuntos em lugares conflagrados tem que ser reconhecida. Isto significa que ningu\u00e9m tem o direito de desfechar qualquer forma de a\u00e7\u00e3o militar contra outros sem um mandato da ONU.\u00bb<\/p>\n<p>3) \u00abAs economias de mercado em desenvolvimento e emergentes precisam ter mais voz nas institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, inclusive o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, para que possam refletir melhor as transforma\u00e7\u00f5es da economia e do cen\u00e1rio pol\u00edtico globais\u00bb.<\/p>\n<p>4) \u00abComo parte fundamental de uma reforma efetiva, tamb\u00e9m pode ser inclu\u00edda a introdu\u00e7\u00e3o de uma nova moeda internacional de reserva, que seja criada para substituir o d\u00f3lar estadunidense dominante, para que a comunidade internacional possa permanecer permanentemente afastada dos desdobramentos dos tumultos pol\u00edticos dom\u00e9sticos nos EUA, que se intensificam.\u00bb<\/p>\n<p>Ou seja, Liu Chang prop\u00f5e, nada menos, que o resto do mundo apeie os EUA do seu pedestal de hegemon global incontest\u00e1vel. E o momento n\u00e3o poderia ser mais prop\u00edcio para que tal \u00abideia-for\u00e7a\u00bb se espalhe pelo planeta. Mesmo com o impasse entre o Capit\u00f3lio e a Casa Branca superado, o vexaminoso epis\u00f3dio representa mais uma evid\u00eancia da crescente disfuncionalidade sist\u00eamica da hiperpot\u00eancia estadunidense.<\/p>\n<p>No entanto, lembrando que, como sugere o ideograma chin\u00eas para \u00abcrise\u00bb, composto de outros dois que significam \u00abrisco\u00bb e \u00aboportunidade\u00bb, o correspondente itinerante do\u00a0<em>Asia Times Online<\/em>, Pepe Escobar, adverte (15\/10\/2013):<\/p>\n<p>\u00abA hora de capitalizar chegou. Em 2009, ap\u00f3s a crise financeira provocada por Wall Street, j\u00e1 havia murm\u00farios chineses sobre o &#8216;mau funcionamento do modelo ocidental&#8217; e, em \u00faltima an\u00e1lise, o &#8216;mau funcionamento da cultura ocidental&#8217;&#8230; Sem quaisquer progressos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos previs\u00edveis &#8211; o fechamento [or\u00e7ament\u00e1rio] \u00e9 apenas outra ilustra\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica disto, se alguma ainda fosse necess\u00e1ria -, o deslizamento dos EUA \u00e9 t\u00e3o inexor\u00e1vel como a China, peda\u00e7o por peda\u00e7o, abrindo as suas asas para dominar a p\u00f3s-modernidade do s\u00e9culo XXI. Mas n\u00e3o se enganem: as elites de Washington combater\u00e3o isto como se fosse a praga final. Ainda assim, a intui\u00e7\u00e3o de Antonio Gramsci pode agora ser aprimorada: a velha ordem j\u00e1 morreu e a nova ordem est\u00e1 um passo mais pr\u00f3xima de nascer.\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um importante jornalista chin\u00eas acaba de desfechar o mais recente disparo ostensivo contra a hegemonia dos EUA no cen\u00e1rio global. Em um pol\u00eamico artigo, publicado pela Xinhua, em 13 de outubro, um dos principais comentaristas da ag\u00eancia noticiosa oficial, Liu Chang, prop\u00f4s nada menos que \u00aba constru\u00e7\u00e3o de um mundo desamericanizado\u00bb. 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