{"id":742,"date":"2013-04-19T20:48:15","date_gmt":"2013-04-19T20:48:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=742"},"modified":"2013-04-19T20:48:15","modified_gmt":"2013-04-19T20:48:15","slug":"alerta-descaso-com-infraestrutura-chegou-ao-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/alerta-descaso-com-infraestrutura-chegou-ao-limite\/","title":{"rendered":"Alerta: descaso com infraestrutura chegou ao limite"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornal <em>Folha de S. Paulo<\/em> de 15 de abril, o economista Marcos Lisboa observou que as defici\u00eancias da infraestrutura f\u00edsica do Brasil se encontram em um limite de toler\u00e2ncia. \u00abTalvez tenha chegado num n\u00edvel tal que n\u00e3o d\u00e1 mais, como a viol\u00eancia nos anos 90\u00bb, disse o especialista do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).<\/p>\n<p>Em um estudo recentemente publicado, do qual foi coautor, Lisboa concluiu que as reformas ocorridas no Pa\u00eds na d\u00e9cada passada conseguiram impulsionar o setor de servi\u00e7os. Entretanto, o setor industrial, dependente de grandes obras, \u00abficou para tr\u00e1s\u00bb. O economista avalia que os setores para os quais s\u00e3o necess\u00e1rios investimentos mais complexos foram penalizados pelas dificuldades geradas pelos marcos regulat\u00f3rios deficientes. Com isto, afirma, tornou-se complicado exportar, importar, construir estradas ou hidrel\u00e9tricas, implicando em maiores custos de produ\u00e7\u00e3o e maior incerteza em potenciais investidores.<\/p>\n<p>Segundo Lisboa, a agenda dos investimentos em infraestrutura foi travada, devido ao fato de envolver inst\u00e2ncias numerosas, em diversos n\u00edveis de governo. Assim, o problema ficou \u00absem o foco ou o debate que poderia ter tido\u00bb. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, o problema est\u00e1 nos detalhes: \u00abQuem autoriza determinado tipo de obra? Quem vai fiscalizar, qual \u00e9 o crit\u00e9rio de realiza\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea vai fazer uma grande rodovia, as pessoas v\u00e3o ter terrenos desapropriados, como ser\u00e1 esse processo? Para nada disso temos uma estrutura.\u00bb<\/p>\n<p>Para ele, o passo seguinte \u00e9 tornar os processos decis\u00f3rios mais eficientes e claros quanto ao que se pode ou n\u00e3o fazer. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a quantidade de problemas de infraestrutura que t\u00eam surgido tende a ressaltar a import\u00e2ncia da quest\u00e3o, o que poder\u00e1 levar a uma extensa agenda de melhorias institucionais, de modo a aperfei\u00e7oar processos de controle, autoriza\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o de conflitos, e abrir caminho para a expans\u00e3o dos investimentos e a redu\u00e7\u00e3o de custos, ampliando a efici\u00eancia da economia.<\/p>\n<p>Lisboa destacou ainda que a perda do foco na quest\u00e3o da infraestrutura, por parte do governo, \u00e9 um dos fatores que tem impedido a economia do Pa\u00eds crescer em um ritmo mais elevado. Para ele, na medida que os problemas atuais de mobilidade e log\u00edstica forem enfrentados, haver\u00e1 uma grande oportunidade para um longo ciclo de investimentos, que possa resultar em taxas de crescimento de 4-5% ao ano, devido aos efeitos multiplicadores da infraestrutura em toda a economia.<\/p>\n<p>O economista tamb\u00e9m destacou que a quest\u00e3o da infraestrutura est\u00e1 se tornando uma demanda social, na medida em que se agravam problemas como o embarque da soja nos portos. Ele aponta a entrada do governo no debate como um ind\u00edcio de que o problema est\u00e1 saindo da esfera estrita do mundo empresarial, para ganhar contornos de um problema social mais amplo. Lisboa ressaltou ainda que a nova legisla\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser \u00fatil em ampliar a preocupa\u00e7\u00e3o da sociedade com o tema, permitindo um acompanhamento mais peri\u00f3dico e regular do andamento dos grandes projetos &#8211; abrindo caminho para uma maior press\u00e3o popular pela sua conclus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornal Folha de S. 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