{"id":721,"date":"2013-03-15T15:55:16","date_gmt":"2013-03-15T15:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=721"},"modified":"2013-03-15T15:55:16","modified_gmt":"2013-03-15T15:55:16","slug":"ofensiva-geral-contra-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/ofensiva-geral-contra-belo-monte\/","title":{"rendered":"Ofensiva geral contra Belo Monte"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O aparato ambientalista-indigenista internacional est\u00e1 promovendo uma ofensiva generalizada contra a usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em constru\u00e7\u00e3o no rio Xingu, na regi\u00e3o de Altamira (PA), em seu empenho de paralisar o projeto que se tornou um alvo emblem\u00e1tico de sua campanha permanente contra a expans\u00e3o da infraestrutura brasileira. O caso mais recente \u00e9 um esfor\u00e7o para criar como\u00e7\u00e3o com o triste caso de 14 mulheres &#8211; incluindo uma adolescente de 16 anos &#8211; resgatadas de uma boate que funcionava nas proximidades do canteiro de obras da usina, na qual eram mantidas em c\u00e1rcere privado e exploradas sexualmente.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo reportagem do G1 (5\/03\/2013), a den\u00fancia foi apresentada pelo Conselho Tutelar do munic\u00edpio de Vit\u00f3ria do Xingu, em uma audi\u00eancia p\u00fablica promovida pela CPI do Tr\u00e1fico de Pessoas no Brasil da C\u00e2mara dos Deputados, na C\u00e2mara Municipal de Altamira, com o fim de colher relatos sobre a explora\u00e7\u00e3o sexual no Par\u00e1. Segundo os conselheiros, eles foram procurados por uma jovem de 16 anos, que teria fugido da boate onde teria sido obrigada a se prostituir por uma rede de tr\u00e1fico humano atuante em diversas regi\u00f5es do Pa\u00eds. A den\u00fancia resultou em uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil e do Conselho, em fevereiro, a qual resultou na liberta\u00e7\u00e3o de 18 pessoas, entre mulheres e travestis, al\u00e9m da pris\u00e3o de quatro pessoas, acusadas de comandar o esquema criminoso.<\/p>\n<p align=\"left\">Todavia, independentemente da gravidade do fato em si, manifesta-se uma evidente movimenta\u00e7\u00e3o para estender o caso al\u00e9m do \u00e2mbito policial e elev\u00e1-lo a uma condi\u00e7\u00e3o de crise pol\u00edtica, para obstaculizar o andamento das obras de Belo Monte. Um dos que est\u00e3o agindo nesse sentido \u00e9 o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), membro da CPI e que visitou as \u00e1reas onde funcionavam as boates.<\/p>\n<p align=\"left\">Para Jordy, \u00abn\u00e3o tem como admitir um bordel dentro da \u00e1rea da empresa, que foi uma concess\u00e3o p\u00fablica, de utilidade p\u00fablica, funcionando dentro do local\u00bb. \u00c0 reportagem do G1, o deputado tamb\u00e9m declarou que \u00ab\u00e9 imposs\u00edvel a empresa n\u00e3o ter nenhum tipo de culpa. Tem que passar por duas guaritas da empresa para chegar no local. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o inadmiss\u00edvel\u00bb. O parlamentar afirmou ainda a sua inten\u00e7\u00e3o em convocar a Norte Energia, empresa respons\u00e1vel pela obra, a prestar esclarecimentos \u00e0 CPI.<\/p>\n<p align=\"left\">Em tom amea\u00e7ador, Jordy chegou a afirmar que, \u00abdependendo das explica\u00e7\u00f5es, vamos avaliar que procedimentos tomar, dentre eles, inclusive, a paralisa\u00e7\u00e3o da obra at\u00e9 que as condicionantes possam ser observadas\u00bb. Para ele, \u00abBelo Monte \u00e9 uma trag\u00e9dia anunciada\u00bb. Finalmente, afirmou a CPI exigir\u00e1 do BNDES, da Caixa Econ\u00f4mica Federal e do Banco do Brasil explica\u00e7\u00f5es sobre a sua participa\u00e7\u00e3o no financiamento do projeto hidrel\u00e9trico (se o ilustre parlamentar usar a proximidade de prost\u00edbulos de grandes canteiros de obras como um crit\u00e9rio para pedir a interrup\u00e7\u00e3o delas, dificilmente, sobrar\u00e1 alguma no Pa\u00eds inteiro).<\/p>\n<p align=\"left\">Ademais, o epis\u00f3dio j\u00e1 est\u00e1 sendo devidamente apropriado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVS), que o destacou em um comunicado publicado em 28 de fevereiro, exigindo a paralisa\u00e7\u00e3o das obras. Como co-signat\u00e1rios do documento, alinharam-se tamb\u00e9m outras entidades integrantes do aparato ambientalista-indigenista, entre elas, Amigos da Terra Brasil, Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), a Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) (IHU, 28\/02\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">Em paralelo, o MXVS tamb\u00e9m organizou uma manifesta\u00e7\u00e3o contra Belo Monte em frente \u00e0 sede do Cons\u00f3rcio Norte Energia, em Altamira, por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Mulher, em 8 de mar\u00e7o. Cerca de 30 militantes da ONG acusaram o projeto hidrel\u00e9trico de ser respons\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias da regi\u00e3o, por meio da dissemina\u00e7\u00e3o de drogas e viol\u00eancia sexual. Ana Barbosa, uma das militantes do grupo, fez refer\u00eancia \u00e0s den\u00fancias da boate pr\u00f3xima aos canteiros de obras da hidrel\u00e9trica, chegando a declarar que \u00abAltamira hoje \u00e9 primeira p\u00e1gina nos jornais nacionais e internacionais, n\u00e3o pelas suas riquezas, e sim pelo tr\u00e1fico humano financiado pela presidenta Dilma Rousseff\u00bb (Movimento Xingu Vivo para Sempre, 8\/03\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">Por fim, ap\u00f3s bloquearem o tr\u00e2nsito do centro de Altamira por cerca de duas horas, para exigir o julgamento das mais de 56 a\u00e7\u00f5es que tramitam na Justi\u00e7a contra a hidrel\u00e9trica, os manifestantes declararam: \u00abEstamos exigindo do Supremo Tribunal Federal a paralisa\u00e7\u00e3o de Belo Monte e o cumprimento das leis. O mais grave \u00e9 que todos esses crimes de Belo Monte est\u00e3o sendo cometidos com dinheiro do BNDES; ou seja; dinheiro p\u00fablico da na\u00e7\u00e3o brasileira. N\u00f3s n\u00e3o vamos aceitar isso. N\u00f3s vamos continuar denunciando. N\u00f3s n\u00e3o temos medo e vamos seguir resistindo doa a quem doer, queremos justi\u00e7a j\u00e1!\u00bb. Com tais exig\u00eancias, percebe-se que a prioridade \u00e9 brecar o desenvolvimento do pa\u00eds, e n\u00e3o proteger mulheres em situa\u00e7\u00f5es de risco.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>\u00abN\u00e3o aceitamos Belo Monte e nenhuma barragem no Xingu\u00bb<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">No dia 5 de mar\u00e7o, lideran\u00e7as dos \u00edndios caiap\u00f3s anunciaram o rompimento do acordo que tinham com a Eletrobr\u00e1s, definido pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) como uma das condicionantes necess\u00e1rias para viabilizar a constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte. Segundo informa\u00e7\u00f5es do Instituto Socioambiental, a decis\u00e3o foi anunciada pelos caiap\u00f3s do Leste, por meio da Associa\u00e7\u00e3o Floresta Protegida (AFP), ONG que se apresenta como representante do grupo (ISA, 7\/03\/2013). Entre os financiadores da AFP, est\u00e3o a Embaixada da Noruega, Conserva\u00e7\u00e3o Internacional Brasil, International Conservation Fund of Canada, USAID (U.S. Agency for International Development), Funda\u00e7\u00e3o Moore e outros patrocinadores do aparato ambientalista-indigenista.<\/p>\n<p align=\"left\">A ruptura do acordo tamb\u00e9m foi adotada pelo Instituto Kabu, que se apresenta como representante dos caiap\u00f3s da margem oeste do Xingu &#8211; que tamb\u00e9m recebe financiamento da Conserva\u00e7\u00e3o Internacional Brasil, Wild Foundation e outras entidades estrangeiras.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo a AFP, a ruptura do acordo ter-se-ia dado pelo n\u00e3o cumprimento, pela Eletrobr\u00e1s, do acordo firmado em 2010 para o desenvolvimento de projetos ligados \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, etnodesenvolvimento e outros. Em janeiro deste ano, os caiap\u00f3s representados pelo Instituto Kabu solicitaram uma audi\u00eancia com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) do Par\u00e1 (contando ainda com a presen\u00e7a de representantes do ISA), em Altamira, para debater o repasse de recursos atrasados da Eletrobr\u00e1s ao Instituto Kabu e ao Floresta Protegida, ficando acertado que a estatal deveria fornecer R$ 3 milh\u00f5es por ano, por tr\u00eas anos. Entretanto, segundo o ISA, os repasses n\u00e3o ocorreram.<\/p>\n<p align=\"left\">Durante a reuni\u00e3o com o MPF, realizada em janeiro, os l\u00edderes caiap\u00f3s alegaram que protegem as \u00e1guas e a floresta h\u00e1 muito tempo e, devido a tais \u00abservi\u00e7os ambientais\u00bb prestados ao Xingu, deveriam ser remunerados. Todavia, em comunicado do dia 6 de mar\u00e7o, os caiap\u00f3s emitiram uma aut\u00eantica declara\u00e7\u00e3o de guerra:<\/p>\n<blockquote><p>Senhores da Eletrobr\u00e1s&#8230; A palavra de voc\u00eas n\u00e3o vale nada. Acabou a conversa. N\u00f3s Mebeng\u00f4kre\/Kayap\u00f3 n\u00e3o queremos nem mais um real do dinheiro sujo de voc\u00eas. N\u00e3o aceitamos Belo Monte e nenhuma barragem no Xingu&#8230; N\u00e3o vamos parar de lutar em Altamira, em Bras\u00edlia, no Supremo Tribunal Federal. O Xingu \u00e9 nossa casa e voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o bem vindos.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Novo quebra-quebra<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Como se n\u00e3o fosse bastante, Belo Monte voltou a ser alvo de vandalismo. No fim-de-semana de 3-4 de mar\u00e7o, um grupo de v\u00e2ndalos provocou inc\u00eandios em dois canteiros de obras da usina. Em um dos canteiros, quatro tendas de alojamentos foram queimadas e, no outro, o interior de um alojamento foi destru\u00eddo. Todos os envolvidos foram presos e os danos, controlados. A expectativa \u00e9 de que os autores do inc\u00eandio permane\u00e7am detidos (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 4\/03\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">De acordo com o delegado Cristiano Nascimento, superintendente regional da Pol\u00edcia Civil, os oper\u00e1rios presos estavam alcoolizados e reclamaram das condi\u00e7\u00f5es de trabalho na obra. Al\u00e9m disto, outro oper\u00e1rio foi preso na \u00faltima segunda-feira (dia 11), ap\u00f3s ter sido achada uma banana de dinamite dentro do seu arm\u00e1rio, em um dos alojamentos. Segundo a Pol\u00edcia Civil, ele j\u00e1 havia sido demitido no dia anterior, por ter participado de vandalismo no canteiro. Outro fato estranho \u00e9 que o oper\u00e1rio tinha dois documentos de identidade com nomes diferentes (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 11\/03\/2013).<\/p>\n<p align=\"left\">O manuseio de dinamite e a posse de pelo menos um documento de identidade falso deixam no ar uma forte suspeita de que se tratava de um sabotador infiltrado no canteiro de obras, \u00e0 espera de uma oportunidade para a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">Por sua vez, o Cons\u00f3rcio Construtor de Belo Monte (CCBM) anunciou que este n\u00e3o \u00e9 o per\u00edodo negocia\u00e7\u00f5es trabalhistas e, portanto, desconhece as raz\u00f5es dos novos ataques aos canteiros de obras. Atualmente, cerca de 17 mil pessoas trabalham na obra. Os novos ataques se somam aos de novembro do ano passado, quando um inc\u00eandio criminoso destruiu quatro galp\u00f5es para a estocagem de materiais de constru\u00e7\u00e3o e um grupo de 30 homens encapuzados depredou e saqueou instala\u00e7\u00f5es em outro canteiro (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 11\/11\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">Os ataques em Belo Monte se somam a outros ocorridos nos canteiros de obras das hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, no rio Madeira (RO), e S\u00e3o Domingos, no rio Verde (MS), nos quais, segundo as melhores evid\u00eancias, o molde de protestos de trabalhadores insatisfeitos n\u00e3o se encaixa, exceto como cortina de fuma\u00e7a. Como temos insistido, cabe \u00e0s autoridades p\u00fablicas observar de perto tais casos e, principalmente, n\u00e3o se deixar ludibriar pelos mentores dessa campanha antinacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aparato ambientalista-indigenista internacional est\u00e1 promovendo uma ofensiva generalizada contra a usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em constru\u00e7\u00e3o no rio Xingu, na regi\u00e3o de Altamira (PA), em seu empenho de paralisar o projeto que se tornou um alvo emblem\u00e1tico de sua campanha permanente contra a expans\u00e3o da infraestrutura brasileira. 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