{"id":706,"date":"2013-03-08T16:00:32","date_gmt":"2013-03-08T16:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=706"},"modified":"2013-03-08T16:00:32","modified_gmt":"2013-03-08T16:00:32","slug":"fusao-nuclear-pode-estar-mais-proxima-do-que-se-pensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/fusao-nuclear-pode-estar-mais-proxima-do-que-se-pensa\/","title":{"rendered":"Fus\u00e3o nuclear pode estar mais pr\u00f3xima do que se pensa"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O desenvolvimento da fus\u00e3o nuclear para a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, como j\u00e1 \u00e9 feito com os reatores de fiss\u00e3o nuclear, tem sido perseguido desde a d\u00e9cada de 1950, at\u00e9 agora, sem sucesso. A maioria dos projetos em curso utiliza a tecnologia conhecida como tokamak, originada na antiga URSS, que emprega grandes eletro\u00edm\u00e3s para a gera\u00e7\u00e3o de fortes campos magn\u00e9ticos de forma toroidal (semelhante a um pneu), em cujo interior ocorrem as rea\u00e7\u00f5es de fus\u00e3o de is\u00f3topos de hidrog\u00eanio, com a libera\u00e7\u00e3o de energia. O problema \u00e9 que, at\u00e9 hoje, nenhum deles conseguiu gerar mais energia que a consumida no processo. A mais importante dessas iniciativas \u00e9 o Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER, na sigla em ingl\u00eas), projeto multinacional sediado na Fran\u00e7a, que acaba de inaugurar o seu edif\u00edcio sede e pretende iniciar as suas experi\u00eancias em meados da d\u00e9cada de 2020.<\/p>\n<p align=\"left\">O ITER, que dever\u00e1 consumir recursos da ordem de 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, at\u00e9 2020, ser\u00e1 o maior tokamak j\u00e1 constru\u00eddo, pesando 23 mil toneladas e contido num pr\u00e9dio de 60 metros de altura. Segundo os planos de seus projetistas, ele dever\u00e1 gerar 500 megawatts (MW) de forma sustentada, a partir de uma entrada de 50 MW, o que, se for obtido, demonstrar\u00e1 a viabilidade comercial da tecnologia (www.iter.org).<\/p>\n<p align=\"left\">Entretanto, h\u00e1 outras iniciativas desenvolvidas a partir de tecnologias diferentes, que, se confirmadas, poder\u00e3o n\u00e3o apenas antecipar a operacionaliza\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o nuclear como fonte de eletricidade, como tamb\u00e9m reduzir consideravelmente os seus custos. Uma delas foi apresentada na recente edi\u00e7\u00e3o do f\u00f3rum Solve For X da Google.<\/p>\n<p align=\"left\">O f\u00f3rum foi criado pela empresa como \u00abum espa\u00e7o para se discutir ideias tecnol\u00f3gicas radicais para solucionar os problemas globais\u00bb. No evento, realizado em 11 de fevereiro, o f\u00edsico Charles Chase, do Programa de Desenvolvimento Avan\u00e7ado da Lockheed Martin (mais conhecido pela denomina\u00e7\u00e3o \u00abSkunk Works\u00bb), <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JAsRFVbcyUY&amp;feature=player_embedded\">exp\u00f4s o projeto de um reator de fus\u00e3o compacto<\/a> em que sua divis\u00e3o est\u00e1 trabalhando.<\/p>\n<p align=\"left\">Fiel ao estilo sigiloso da Skunk Works, Chase n\u00e3o deu muitos detalhes sobre a configura\u00e7\u00e3o do reator, afirmando apenas que ele se baseia em um m\u00e9todo de confinamento do plasma no qual ocorre a rea\u00e7\u00e3o nuclear, o qual assegura uma elevada propor\u00e7\u00e3o entre a press\u00e3o do plasma e a press\u00e3o do campo magn\u00e9tico. Segundo ele, o prot\u00f3tipo est\u00e1 sendo constru\u00eddo em um vaso cil\u00edndrico de 1 metro de di\u00e2metro por 2 m de comprimento, enquanto o reator comercial, cuja pot\u00eancia dever\u00e1 ser da ordem de 100 MW, ter\u00e1 o dobro destas dimens\u00f5es. Os planos prev\u00eaem que o prot\u00f3tipo dever\u00e1 estar operacional at\u00e9 2017 e um reator comercial dever\u00e1 estar dispon\u00edvel at\u00e9 2023.<\/p>\n<p align=\"left\">A despeito da falta de detalhes, a proposta da Skunk Works n\u00e3o deve ser menosprezada, devido ao hist\u00f3rico de fa\u00e7anhas da divis\u00e3o de projetos especiais da gigante aeroespacial estadunidense. Criada em 1943, quando a Lockheed Corporation ainda n\u00e3o havia se fundido com a Martin Marietta (em 1993), a divis\u00e3o foi respons\u00e1vel por v\u00e1rios projetos de aeronaves militares revolucion\u00e1rias, como os avi\u00f5es-espi\u00f5es U-2 e SR-71 Blackbird (que at\u00e9 hoje det\u00e9m o recorde mundial oficial de velocidade para avi\u00f5es tripulados), o ca\u00e7a-bombardeiro \u00abinvis\u00edvel\u00bb F-117 Nighthawk, os ca\u00e7as de quinta gera\u00e7\u00e3o F-22 Raptor e F-35 Lightning II, o drone RQ-170 Sentinel, entre outros.<\/p>\n<p align=\"left\">A natureza ultra-secreta das atividades da Skunk Works (a divis\u00e3o funciona f\u00edsica e administrativamente \u00e0 parte do restante da empresa, sob estritas condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a) tem dado origem a numerosos rumores de que seus cientistas e engenheiros estariam desenvolvendo tecnologias energ\u00e9ticas e de propuls\u00e3o muito mais avan\u00e7adas do que as empregadas atualmente pela ind\u00fastria aeroespacial, no contexto dos chamados \u00abprogramas negros\u00bb (<em>black projects<\/em>) da For\u00e7a A\u00e9rea dos EUA, geralmente financiados com recursos extraor\u00e7ament\u00e1rios, sobre os quais o Congresso tem supervis\u00e3o escassa ou nula.<\/p>\n<p align=\"left\">Em mar\u00e7o de 1993, Benjamin \u00abBen\u00bb Rich, que dirigiu a Skunk Works entre 1975 e 1991, proferiu uma rara confer\u00eancia p\u00fablica, na Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA), da qual foi aluno. Na ocasi\u00e3o, em meio a um relato geral sobre a hist\u00f3ria da divis\u00e3o, ele fez confid\u00eancias que deixaram perplexa a audi\u00eancia, constitu\u00edda por profissionais da ind\u00fastria aeroespacial, acad\u00eamicos, jornalistas, militares e oficiais de intelig\u00eancia. Em seus coment\u00e1rios finais, enquanto mostrava um slide da concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma aeronave de forma disc\u00f3ide, ele afirmou que a Skunk Works continuaria a desenvolver tecnologia de ponta, mas ningu\u00e9m poderia prever aonde isto a levaria. E disse: \u00abN\u00f3s j\u00e1 temos os meios de viajar entre as estrelas, mas essas tecnologias est\u00e3o fechadas em projetos negros e seria preciso um ato de Deus para tir\u00e1-las de l\u00e1 para beneficiar a humanidade. Qualquer coisa que voc\u00eas puderem imaginar, n\u00f3s j\u00e1 sabemos como fazer.\u00bb E concluiu: \u00abN\u00f3s j\u00e1 temos a tecnologia para levar o ET de volta para casa [uma refer\u00eancia ao c\u00e9lebre filme <em>E.T.<\/em>, de Steven Spielberg &#8211; gll].\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">Embora n\u00e3o tenha havido debate, ap\u00f3s a confer\u00eancia, Rich foi cercado por curiosos, que lhe pediram para esclarecer melhor as suas ousadas afirmativas. Um deles lhe perguntou como seria poss\u00edvel chegar \u00e0s estrelas. Sua resposta foi: \u00abPrimeiro, voc\u00ea tem que entender que n\u00e3o vamos chegar l\u00e1 usando propuls\u00e3o qu\u00edmica. Segundo, n\u00f3s temos que desenvolver uma nova tecnologia de propuls\u00e3o. O que temos que fazer \u00e9 descobrir onde Einstein estava errado.\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">Um dos presentes, o engenheiro aeroespacial Tom Keller, ex-funcion\u00e1rio da NASA, descreveu as suas impress\u00f5es:<\/p>\n<blockquote><p>Minha impress\u00e3o foi que, na Skunk Works, eles estavam procurando brechas no trabalho de Einstein, que lhes daria uma maneira de viajar at\u00e9 as estrelas e de volta, a velocidades ultraelevadas, mais r\u00e1pidas que a luz. Eu interpretei que os coment\u00e1rios de Rich implicavam que os cientistas da Skunk Works haviam encontrado a tal brecha &#8211; e estavam construindo ou haviam constru\u00eddo uma nave para explor\u00e1-la (<em>Mufon Journal<\/em>, May 2010).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Embora tais implica\u00e7\u00f5es possam parecer fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, Ben Rich (que morreu de c\u00e2ncer, em 1996) foi um dos mais respeitados engenheiros aeroespaciais estadunidenses e chefiava um grupo que, repetidas vezes, deu demonstra\u00e7\u00f5es de estar adiante das diretrizes tecnol\u00f3gicas convencionais da ind\u00fastria. Sem que se precise tom\u00e1-las ao p\u00e9 da letra, elas proporcionam uma boa vis\u00e3o sobre o esp\u00edrito desbravador da Skunk Works. Por isso, quando a divis\u00e3o da Lockheed Martin anuncia uma iniciativa inovadora na explora\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o nuclear, conv\u00e9m prestar bastante aten\u00e7\u00e3o. E, de prefer\u00eancia, no caso de pa\u00edses como o Brasil, tentar imitar os procedimentos \u00abfora do convencional\u00bb que t\u00eam caracterizado a sua trajet\u00f3ria, para vasculhar caminhos alternativos para os problemas que, h\u00e1 d\u00e9cadas, t\u00eam embatucado os cientistas nucleares, para tratar de n\u00e3o ficar &#8211; muito &#8211; para tr\u00e1s, quando a fus\u00e3o nuclear se tornar uma realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenvolvimento da fus\u00e3o nuclear para a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, como j\u00e1 \u00e9 feito com os reatores de fiss\u00e3o nuclear, tem sido perseguido desde a d\u00e9cada de 1950, at\u00e9 agora, sem sucesso. 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